fonte: Cepea

UFSC testa café como aliado em tratamento

Por: 15/04/2007 07:04:34 - A Notícia - SC

O café pode ser um poderoso aliado no tratamento de uma doença que atinge entre 3% e 5% das crianças em idade escolar no mundo: o transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH). A doença é caracterizada por uma falha na captação do neurotransmissor dopamina pelos neurônios. Pesquisadores do laboratório de psicofarmacologia da UFSC verificaram que a cafeína age como estimulante da dopamina, e é uma alternativa ao metilfenidato, substância psicoestimulante (princípio ativo do medicamento Ritalina), utilizado no tratamento do TDAH. As grandes vantagens do uso da cafeína são, além de ser uma substância mais barata que o metilfenidato, apresentar menor risco de dependência.

O estudo está utilizando ratos de duas linhas distintas: uma normal, chamada Wistar, e outra hipertensa, conhecida pela sigla SHR (rato espontaneamente hipertenso, em português). Essa linhagem apresenta uma série de características semelhantes às dos pacientes de TDAH.
Os animais foram treinados a encontrar uma plataforma dentro de um labirinto de água. Os ratos Wistar aprenderam o caminho na terceira tentativa, enquanto que os SHR demoraram mais: só na sétima vez eles conseguiram encontrar a plataforma. Mas, quando eles receberam uma quantidade de cafeína, equivalente à uma xícara de café, 30 minutos antes dos experimentos, apresentaram desempenho igual aos da linhagem Wistar. “A cafeína pode ser uma alternativa no futuro. Talvez não seja um tratamento único, mas pode ser um complemento”, afirma o pesquisador Rui Daniel S. Prediger. A pesquisa da UFSC foi tema de um fórum pela internet nos EUA. “Pais de crianças com a doença relataram que os filhos não tinham o hábito de tomar café pela manhã e notaram melhora no comportamento apenas incluindo o café na rotina”, comenta Prediger.

Essa é a primeira fase das pesquisas. Para se tornar um medicamento disponível em farmácias, a cafeína precisa ser testada em humanos, o que não deve ocorrer nos laboratórios da UFSC. “No Brasil, é difícil achar um banco de dados confiável de portadores de TDAH para aplicar essa pesquisa”, lamenta o pesquisador. Para um estudo como este, seriam necessárias mais de cem pessoas dispostas a passar por testes.
 
 
Fonte: http://www.an.com.br/2007/abr/15/0des.jsp

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