Quebra na safra de café da Colômbia favorece o Brasil

Por: Gazeta Mercantil / Página Rural

Roberto Tenório



A quebra na safra principal da Colômbia abre novo espaço para a cafeicultura brasileira no mercado internacional. Com a escassez de cafés suaves e lavados, principal característica da produção naquele país, os valores pagos pelos similares como o cereja descascado (CD) e o lavado produzidos no Brasil subiram nos últimos meses.


O colapso na oferta fez com que o ágio pago pela saca de café colombiano na Bolsa de Nova York superasse a marca dos US$ 100 nos últimos meses e favorecesse indiretamente o grão brasileiro. Em algumas cooperativas, o prêmio pago pelo CD variou entre US$ 13 e US$ 35 sobre o valor de mercado, já o patamar para o lavado atingiu US$ 26.


Analistas, porém, dizem ser arriscado para o produtor investir no beneficiamento desses tipos de grãos, uma vez que a quebra ficou concentrada na safra principal da Colômbia. Segundo informações do Centro de Inteligência do café (CIC), a colheita principal responde por apenas 40% da produção total. Para Renato Fernandes, consultor responsável pelo estudo do CIC, o ágio não deve se estender muito porque há indícios de recuperação na segunda safra do país vizinho.


“Se a quebra ficar concentrada apenas na safra principal (de outubro a janeiro), a produção pode se recuperar e o produtor que acreditou na valorização sairá prejudicado. Por isso, só aconselho apostar nesses tipos quem conseguir fechar contrato de entrega antecipado”, observou. No caso do café lavado brasileiro, ele afirma que os prêmios pagos pela saca chegaram a US$ 26.


Com base nos dados do Fundo Cafeeiro Colombiano (FNC), o estudo do CIC estima que a quebra da safra principal no país concorrente seja de 22%, recuando de 4,88 para 3,85 milhões de sacas. Nas duas colheitas, a produção esperada pelo mercado era de 12,2 milhões de sacas. Porém, caso essas perdas se estendam para a mítaca (nome da segunda safra), a produção recuará para 9,55 milhões de sacas.


Na Cooperativa de São Sebastião do Paraíso (Cooparaíso), em Minas Gerais, foram feitas ofertas pelo CD. Conforme dados da associação, esse tipo de grão corresponde a 5% dos 1,5 milhão de sacas total movimentadas anualmente. Marlom Braga Petrus, gerente de comercialização da Cooparaíso, o ágio oferecido pela saca chegou a US$ 35.


“Nós recusamos as propostas porque estamos focados na nova safra. Como a oferta de CD é pequena, ainda esperamos boas propostas”, acrescentou. Por isso, ele acredita que os prêmios devem se estender até setembro deste ano. “Nossas propostas foram para realizar as entregas neste período”, completou


A estimativa de analistas é que a produção de CD no Brasil seja algo em torno de 4 ou 5 milhões de sacas. No total, a Compannhia Nacional de Abastecimento (Conab), estima que a produção brasileira será de 39 milhões de sacas, queda de 15% em relação ao ano anterior por causa da bienalidade. (safra maior seguida por outra menor).


Fernandes, do CIC, lembra que a nova oportunidade carrega aspectos negativos. “Quando o comprador percebe que os gastos com um insumo está subindo, ele busca outros mais baratos para manter o custo de compra igual. Esse é o ônus causado pelo fato de sermos o maior produtor e possuirmos produto suficiente”. 

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