Conab: resultado detalhado da previsão de safra 2007/08

A produção nacional de café será de 32,1 milhões de sacas de café beneficiado, desse total 69,5% (22,3 milhões de sacas) são de arábica e 30,5% (9,8 milhões de sacas), são de robusta. Quando comparada à safra anterior, (42,5 milhões de sacas de café beneficiado), verifica-se um redução de 24,6% (10,4 milhões de sacas). A referida retração foi motivada pela redução de 26,8% (5,29 sacas/ha) na produtividade, passando de 19,75 sacas/ha para 14,46 sacas/ha.


Os fatores que contribuíram para essa redução foram: a bienualidade negativa no ciclo da cultura; a estiagem ocorrida entre março e setembro, afetando a floração das lavouras e o excesso de chuvas nos meses de dezembro 2006 e janeiro de 2007, o que propiciou o aparecimento de pragas e doenças e prejudicou o combate as mesmas.


Gráfico 1. Produção de café safra 2007/08, participação % por UF


De meados de setembro de 2006 a fevereiro de 2007, ocorreram chuvas freqüentes nas regiões produtoras de café. Em alguns casos localizados, as chuvas foram consideradas excessivas, prejudicando a adoção de tratos culturais, tais como: adubação e aplicações de defensivos, mas de maneira geral, as precipitações pluviométricas foram consideradas favoráveis para o desenvolvimento vegetativo das lavouras e formação dos grãos. As temperaturas estiveram acima das médias históricas. Durante o mês de fevereiro as chuvas praticamente cessaram. De março ao início de abril, ocorreram chuvas isoladas, predominando céu claro, baixa umidade relativa do ar e temperaturas bastante elevadas para este período do ano.


A produção estimada é de 14,4 milhões de sacas de café beneficiado, inferior a produção da safra passada em 34,6% (7,6 milhões de sacas). Dentre as regiões pesquisadas, o sul e centro-oeste de Minas apresentaram maior redução em relação à safra passada, 46,5% (5,6 milhões de sacas), seguida pelas região do Triângulo, Alto Paranaíba e Noroeste com 30,3%, (1,3 milhão de sacas) e pelas as regiões da Zona da Mata, Norte de Minas/ Jequitinhonha/Mucurí, Rio Doce e Central, face suas peculiaridades produtivas, apresentam as menores expectativas de quebra, ou seja, de 12,6% (0,7 milhões de sacas).


Quando comparada ao levantamento anterior, limite superior, verifica-se um incremento na produção de 2,0% (278 mil sacas), em razão do incremento de 3,9% na área, devido principalmente aos levantamentos georeferenciados realizados pelas cooperativas de produtores de café e da reavaliação para menor na produtividade.


Minas Gerais destaca-se como o maior produtor nacional de café com 44,8% da produção brasileira e primeiro produtor de café arábica. Esta expectativa de quebra se baseia em um conjunto de fatores, tais como: a bienualidade negativa; floradas de baixa intensidade; o aumento da incidência de algumas doenças e os eventuais efeitos decorrentes da restrição hídrica ocorrida no início do ano passado.


Foram observadas floradas extemporâneas a partir de janeiro e fevereiro deste ano, mas de ocorrência pouco significativa. Embora o assunto envolva controvérsias, alguns técnicos, atribuem o fenômeno a distúrbios fisiológicos das plantas, decorrentes das alterações climáticas ocorridas, principalmente com relação às altas temperaturas observadas.


A maior parte das lavouras encontram-se na fase de maturação dos grãos, com previsão para o inicio da colheita no final desse mês de abril, onde o café é produzido em altitudes menores. Nos demais municípios, os trabalhos de colheita deverão ter inicio na segunda quinzena de maio, prolongando-se até meados de outubro.


Espirito Santo


A produção é de 8,7 milhões de sacas de café beneficiado, desse total 81,5% (7,1 milhões de sacas), são robusta e 18,5% (1,6 milhão de sacas), são de arábica. Quando comparada a safra anterior verifica-se uma retração de 3,9% (347 mil sacas), a referida retração foi motivada pela queda de 18,9% (3,59 sacas/ha) na produtividade em função da bienualidade e das condições climáticas adversas.


café Robusta


O Espírito Santo, maior produtor nacional de café robusta, produzirá 7,1 milhões de sacas de café beneficiado, produção essa, superior em 2,6% (181 mil sacas), à safra anterior. A boa produção dessa safra deve-se as renovações das lavouras, com matérias genéticos de maior potencial produtivo, (Conilon Vitória); bons tratos culturais: adubações, poda, desbrota, combate de ervas daninhas adequadas e irrigação.


café Arábica


A produção estimada é de 1,6 milhão de sacas de café beneficiado, inferior a safra passada em 24,8% (528 mil sacas). A mencionada redução é em função do fenômeno negativo da bienualidade; dos fatores climáticos, principalmente a seca registrada nos meses anteriores a florada, frio intenso e chuvas na florada, ocorrência de vários florescimentos; seca e alta temperaturas no final da fase de enchimento de grãos (fevereiro/abril).


Cabe registrar, que o parque cafeeiro de arábica apresenta potencial para aumento significativo da produção, necessitando principalmente, de ser renovado, uma vez que em média encontra-se envelhecido.


São Paulo


Estima-se uma produção de 2,6 milhões de sacas de café beneficiado para atual safra. Quando compara a safra anterior (4,5 milhões de sacas), verifica-se uma retração de 42,3% (1,8 milhão de sacas). A produtividade média é de 11,82 sacas/ha inferior a da safra passada em 43,9% (9,25 sacas/ha).


A mencionada retração é fruto da bienualidade negativa; estiagem acentua entre março e setembro; excesso de chuvas em dezembro de 2006 e janeiro de 2007, o que propiciou o aparecimento de pragas e doenças e impediu o combate as mesmas, bem como a pratica de podas drástica (recepa) por boa parte do produtores.


Bahia


A produção deverá ser de 2,0 milhões de sacas de café beneficiado, desse total 74,8% (1,5 milhão de sacas ), são de café arábica e 25,2% (0,5 milhão de sacas), são de café robusta. A produtividade média da atual safra será de 21,35 sacas/ha, inferior a da safra anterior em 7,3% (1,85 sacas/ha).


Do total da produção da Bahia, as regiões do cerrado, oeste da baiano, produzirá 22,5% (0,4 milhão de sacas de café arábica); a do planalto (tradicionais), produzirá 52,3% (1,1 milhão de sacas de café arábica), e a atlântico produzirá 25,2% (0,5 milhão de sacas de café robusta). A produtividade média estimada é de: 35,69; 15,84 e 33,54 sacas/ha, respectivamente.


A queda na produção do Estado, acima mencionada, é em função da prática de podas drásticas (recepa); aliadas ao menor índice de ocorrência de floradas na região do planalto (tradicionais); o baixo uso de insumos; aumento das áreas semiabondonadas; substituição do café pelo eucalipto e a bienualidade negativa.


Paraná


Prevê-se uma produção de 1,9 milhão de sacas de café beneficiado, com variação negativa de 17,5% em relação à safra anterior. A produtividade média é de 18,66 sacas/ha, significando uma variação para menor de 16,7% sobre a da safra anterior. A redução da safra é em função da bienualidade negativa e da pratica de poda drástica (recepa), apesar do clima favorável aliado ao investimento e aos cuidados fitossanitários.


No geral do Estado a produção colhida até o momento atinge 2% do total previsto, devendo se estender até o mês de setembro nas regiões de maior altitude e localizadas ao norte onde se concentra a maior área cultivada.


Rondônia


A produção será de 1,4 milhão de sacas de café beneficiado (100% robusta), superior à da safra anterior entre 14,3% (180 mil sacas). O Estado participa na produção nacional com 4,5%. A produtividade média é de 9,05 sacas/ha, significando crescimento 16,5%, quando comparado com a safra anterior.


De acordo com a EMATER-RO, na safra em curso alguns produtores estão adotando tecnologias e práticas culturais mais adequadas, como o controle de pragas e doenças, calagem, adubação, irrigação, desbrota, as quais, têm possibilitado a obtenção de elevadas produtividades e um produto de boa qualidade. Há perspectiva de expansão da área de cultivo, em virtude, principalmente, da elevação do preço do produto.


Fonte: Conab
 

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