Comércio

Café: Estudo da OMPI mostra quem de fato lucra e que o Brasil deveria rever a política cafeeira

O estudo da OMPI mostra que os países produtores ganham menos com o grão do que os que importam a commodity, industrializam, registram patentes e comercializam o produto final.

 

postado em 29/11/2017 | Há 2 semanas

A OMPI - Organização Mundial de Propriedade Intelectual (em inglês WIPO - World Intellectual Property Organization, agência especializada da ONU para propriedade intelectual, com 187 países membros, sediada em Genebra) publicou esta semana um informe inédito sobre o valor adicionado que o café ganha graças à tecnologia, patentes e inovação. O estudo da OMPI mostra que os países produtores ganham menos com o grão do que os que importam a commodity, industrializam, registram patentes e comercializam o produto final.

O relatório mostra que nos últimos 50 anos, o mercado passou por uma profunda transformação. Em 1965, 60% da renda do café ficava para o país exportador. No fim dos anos 1970, essa taxa era de 50%. Em 2013, ele ficava com a menor parte, cerca de um terço. Os dados de patentes reforçam quem de fato é o dono do “negócio café”. Nos EUA, a indústria do café é alvo de quase 10 mil patentes, contra mais de 6 mil na Suíça e quase 5 mil na Alemanha, principalmente sobre o processamento de grãos e distribuição de marcas. No Brasil, existem apenas 65 patentes no setor que chegou a ser o principal pilar da economia nacional nos séculos 19 e 20 ( fonte: Estadão de 21/11/2017 – página B9 – “Importadores recebem o triplo do que ganham os produtores do grão”. No mesmo dia, o jornal VALOR Econômico também publicou uma matéria sobre este assunto: “Importadores ganham três vezes mais que produtores”. As duas foram colocadas no clipping de nosso site).

Em nossa opinião, esse importante trabalho da OMPI deveria ser analisado com profundidade pelas lideranças da cafeicultura brasileira e usado para iniciar uma ampla revisão na política brasileira de café. A imagem e o consumo mundial de café estão na melhor fase de sua longa história, conquistando milhares de novos consumidores ano após ano, enquanto a cadeia produtiva brasileira, responsável por aproximadamente 35% da produção mundial de café, passa por uma fase dificílima, com ganhos apertados e, em muitos setores, acumulando prejuízos.

Na noite da última quarta-feira, em seu pronunciamento durante a abertura do 25º EnCafé, tradicional encontro anual promovido pela ABIC - Associação Brasileira da Indústria de Café, que congrega as indústrias de café do segundo maior mercado consumidor do mundo, o brasileiro José Sette, diretor executivo da OIC – Organização Internacional do Café, afirmou que o Brasil, maior produtor e exportador global de café, terá de elevar a sua produção em cerca de 40 por cento ou 20 milhões de sacas até 2030, para manter a atual participação dominante na safra mundial (veja mais no clipping de nosso site).

Estudo da Euromonitor, encomendado pela ABIC e apresentado no 25º EnCafé, estima que as vendas de café no Brasil devem crescer 3,3% este ano, avanço semelhante ao de 2016. As vendas de café no varejo e no food service do país devem somar 22,291 milhões de sacas. Para 2018, o estudo projeta novo aumento nas vendas de café, de mais 3,4%. Até 2021, os volumes chegariam a 25 milhões de sacas, com taxa média anual de crescimento de quase 3,5% entre 2016 e 2021 (mais informações em nosso site).

Esta semana os contratos de café na ICE Futures US oscilaram menos e os com vencimento em março próximo acumularam apenas uma pequena alta de 30 pontos no período, não recuperando as perdas da semana anterior. Pressionado também pela valorização do real frente ao dólar e pela ausência ontem dos trabalhos em Nova Iorque devido ao feriado do “Dia de Ação de Graças” nos EUA, o mercado físico brasileiro acabou apresentando-se menos ativo. Os negócios saem mesmo a níveis mais baixos, devido a produtores com necessidade de “caixa” para as despesas de final de ano. Os que ainda têm “fôlego” recusaram as ofertas mais baixas nesta semana.

Até dia 23, os embarques de novembro estavam em 1.246.045 sacas de café arábica, 5.890 sacas de café conilon, mais 114.556 sacas de café solúvel, totalizando 1.366.491 sacas embarcadas, contra 1.396.471 sacas no mesmo dia de outubro. Até o mesmo dia 23, os pedidos de emissão de certificados de origem para embarque em novembro totalizavam 2.247.887 sacas, contra 1.977.925 sacas no mesmo dia do mês anterior.

A bolsa de Nova Iorque – ICE, do fechamento do dia 17, sexta-feira, até o fechamento de hoje, sexta-feira, dia 24, subiu nos contratos para entrega em março próximo 30 pontos ou US$ 0,40 (R$ 1,29) por saca. Em reais, as cotações para entrega em março próximo na ICE fecharam no dia 17 a R$ 548,74 por saca, e hoje dia 24, a R$ 544,98 por saca. Hoje, sexta-feira, nos contratos para entrega em março a bolsa de Nova Iorque fechou com alta de 55 pontos.

Fonte: Escritório Carvalhaes

 

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