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Procafé: Manejo de podas em cafeeiros interage com variedades plantadas Por José Braz Matielo

O manejo de podas em cafeeiros sofre influência da variedade de café plantada, em determinada lavoura.

 

postado em 05/07/2017 | Há 3 meses

 As características  das plantas, correlacionadas com sua genética,  condicionam o uso de podas de modo diferenciado, seja no tipo delas, mais ou menos drásticas, seja na sua frequência de uso, em períodos mais curtos ou longos.

As características dos cafeeiros, inerentes à variedade, que interagem com o emprego de podas são,  principalmente – o porte e a arquitetura das plantas e seu vigor. A susceptibilidade a pragas/doenças também exerce alguma influência.

Cafeeiros de variedades de porte alto, como Mundo Novo, Bourbon e outros, exigem podas mais frequentes, para redução de altura de plantas (tipo decote, com ou sem esqueletamento) e para eliminar cinturamentos ou deformações de copa, devidos a stress maior nesses materiais, seja por déficits hídricos, por ataques de ferrugem ou por deficiências nutricionais, estas associadas à maior uniformidade e precocidade de maturação dos frutos, nessas cultivares.

Em cafeeiros de variedades de porte baixo com ramificação secundária(palmetamento) mais intensa, tornando as plantas muito compactas, ou naquelas com ramificação mais grossa e longa, tendo como exemplos as cultivares Acauã e Arara, e, até certo ponto, também nos Catuaís, a condição de ramagem muito compacta ou embatumada exige podas, do tipo esqueletamento, de forma mais frequente, para eliminar a ramificação excessiva, pois, ao contrário, os ramos acabam recebendo pouca luz e diminuem a floração e sua produção de frutos. Plantas com maior diâmetro de copa, como ocorre com essas variedades, aceleram a necessidade de podas, para a re-abertura lateral das linhas de cafeeiros. Assim, nessas variedades é comum,  já a partir da 5ª- 6ª safras, ser necessário o inicio do manejo com podas de esqueletamento. No mesmo sentido, a copa mais compacta requer mais cuidado com as desbrotas, na formação das plantas, evitando excesso de hastes, mantendo os cafeeiros com haste única.

Nas variedades com plantas de copa mais estreita, como é comum nos Catucais amarelos, no Palma 2, no Japy e nos Catucai amarelo e vermelho 785/15, a aplicação de podas pode ser menos frequente. Por outro lado, as cultivares de Catucai, especialmente os amarelos 24-137 e 2 SL, possuem cafeeiros que crescem com tronco mais fino, e, ao produzirem bem nos ponteiros, sua copa fica pesada e tende a tombar. Nessa condição, um decote corretivo, mesmo seletivo, para eliminar a parte do topo tombada, re-apruma as plantas e promove o engrossamento do tronco, evitando tombamentos futuros.

O efeito do vigor das plantas, inerente à variedade, influi positiva ou negativamente. Variedades com cafeeiros vigorosos são propícios a sistemas com podas mais frequentes, pois resultam em melhor recuperação da ramagem pós-poda. Por outro lado, em cafeeiros de variedades que tem demonstrado menor vigor na rebrota, como o Obatã, Tupy RN e Iapar 59, deve-se evitar podas drásticas.

Por último, dentre as características das variedades, que podem interagir com podas, resta analisar o efeito da susceptibilidade das plantas a pragas/doenças. Cafeeiros resistentes tendem a exigir menos podas, pois sofrem menos stress por esses males, havendo menor desfolha, menor seca de ramagem e menor deformação de plantas, fatores esses que, nas variedades susceptíveis, quando não se controla perfeitamente as pragas/doenças, aceleram a necessidade de podas.

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J.B. Matiello, S.R. de Almeida e Iran B. Ferreira - Engs Agrs Fundação Procafé e C.H S. Carvalho – Pesquisador Embrapa Café

Fonte: Procafé
 

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