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Agrimoney: Déficit "assustador" na produção de café em 2017/18 pode estimular aumento de preços, diz Marex Spectron

A corretora disse estar "otimista" para os preços do café arábica em Nova York e do grão robusta negociado em Londres, prevendo um cenário "pelo qual cada mercado deve encorajar o outro a subir".

 

postado em 13/04/2017 | Há 7 meses

12/04/2017 - Os preços do café arábica e robusta podem se preparar para subir, disse a corretora Marex Spectron, revisando sua previsão para o déficit na produção mundial de café para um "número assustador", e prevendo o fim de um "stand-off" no mercado de Londres.

A corretora disse estar "otimista" para os preços do café arábica em Nova York e do grão robusta negociado em Londres, prevendo um cenário "pelo qual cada mercado deve encorajar o outro a subir".

Os futuros que em Nova York recuaram acentuadamente desde a máxima de vários meses de 176,00 centavos por libra-peso atingida em novembro – enquanto em Londres, mostrando um recuo mais modesto de uma alta de quatro anos de US$ 2282,00 por tonelada em janeiro – estão "fechando em grande baixa".

Os comentários vieram com a Marex levantando de 3 milhões de sacas para 4,25 milhões sua previsão de déficit na produção global de café na temporada 2017/18. Ela aponta ainda que o mercado encontrou equilíbrio nesta safra graças as vendas de 1,55 milhão de sacas de estoques do governo brasileiro.

"Número assustador"

A estimativa atualizada para o déficit na produção mundial de 2017/18, segue um movimento similar feito pelo Rabobank na terça-feira, deixando a cifra em um "número enorme", disse James Hearn, co-chefe da corretora agrícola da Marex, sediada em Londres.

"É um número assustador se isso vier a acontecer", disse ele.

Acrescentando ainda que "estamos começando a ver sinais de que o mercado está se transformando, os diferenciais brasileiros estão endurecendo. Os diferencias colombianos estão se firmando."

"Acho que à medida que avançamos no tempo, o mercado [futuros] deve se firmar".

'Armário' está vazio no Brasil

No mercado do arábica, a previsão de preços otimistas reflete ideias de uma queda de 5,5 milhões de sacas na produção do Brasil, totalizando 39 milhões de sacas em 2017/18, um ano de bienalidade negativa no ciclo do país.

De fato, o mercado do arábica no Brasil "estará em déficit em 2017/18", o que significa que "a demanda precisará ser racionada" por meio de diferenciais de preços dos grãos para os valores do café robusta e o arábica lavado da Colômbia.

Depois dos leilões de estoques do governo brasileiro, concluída com operação na semana passada de venda de 3.733 sacas de café arábica com idade de 15 anos, "pensamos que o armário no Brasil está vazio" em termos de estoques estatais, disse Hearn.

Com estoques privados também "muito baixos", as remessas do Brasil "continuarão declinando ao longo do próximo ano para 18 meses".

Prestes a ficar sem 'balas'

Era duvidoso que os fundos dispusessem de muito mais munição para lançar no mercado do arábica, uma vez que a sua posição bruta de curto prazo – medida pela categoria não comercial – já está historicamente elevada, superada apenas em novembro de 2013 e setembro de 2015.

É provável que o "curto prazo bruto seja próximo de uma máxima", disse Hearn.

"Nós acreditamos que os fundos estão prestes a ficar sem balas" em termos de pressão de venda.

Fundos vs consumidor

Em contraste, o mercado do café robusta em Londres foi marcado por uma grande posição longa entre os fundos – que estavam em um "stand-off" com os consumidores –, segurando um grande número de apostas curtas.

"Vai haver um vencedor e um perdedor", disse Hearn, prevendo que os fundos terão mais chances de vencer.

"Há maior probabilidade de que o mercado vi ficar mais alto e não mais baixo", disse ele, vendo um segundo déficit consecutivo na produção mundial de robusta como "provável" em 2017/18 graças ao dano causado pela chuva à produção da Indonésia, e uma "carga de cereja pobre" no conilon brasileiro.

Enquanto o Vietnã estava pronto para uma safra forte em 2017/18, os produtores do país estavam em grande parte esgotados.

"Historicamente, o Vietnã nunca vendeu tanto nesta época do ano", disse Marex.

Tradução: Jhonatas Simião
Fonte: Agrimoney

 

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