Comércio

CNC solicita antecipação do período de contratação dos recursos da linha de Custeio do Funcafé

Em consonância com a CNA, CNC pleiteia manutenção da Tarifa Externa Comum do Mercosul para agroquímicos

 

postado em 24/02/2017 | Há 3 meses

BALANÇO SEMANAL — 20 a 24/02/2017

CNC solicita antecipação do período de contratação dos recursos da linha de Custeio do Funcafé
ANTECIPAÇÃO DO CUSTEIO — Atendendo a uma orientação de nossos associados, o Conselho Nacional do Café protocolou ofício, na quarta-feira, 22 de fevereiro, solicitando ao secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Neri Geller, a antecipação do período de contratação da linha de Custeio do Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé), atualmente definido no MCR 9-2-1-“e” “de 1º de outubro de cada ano a 28 de fevereiro do ano subsequente, podendo ser estendido até 31 de julho de cada ano, quando o orçamento contiver somente verbas destinadas às atividades de colheita”.
 
O CNC sugere que, para melhor atender à demanda de recursos para as despesas de pós-colheita, insumos e realização de tratos culturais, principalmente das variedades precoces de café, o texto do MCR 9-2-1-“e” seja alterado para: “contratação: de 1º de julho de cada ano a 28 de fevereiro do ano subsequente, podendo ser estendido até 30 de abril de cada ano, quando o orçamento contiver somente verbas destinadas às atividades de colheita”.
 
A justificativa de nossa demanda se dá porque a assinatura dos contratos para operação de recursos do Funcafé entre agentes financeiros e o Mapa acontece, usualmente, no mês de julho, sendo necessário aguardar até outubro para iniciar as liberações da linha de Custeio da safra. Consequentemente, perde-se espaço para potencializar a aplicação dos recursos do Fundo, pois as demandas por crédito dessa linha, do início do segundo semestre, acabam sendo contratadas com outras origens de recursos.
 
TEC DO MERCOSUL PARA AGROQUÍMICOS — Na segunda-feira, 20 de fevereiro, o CNC protocolou ofício no Mapa destinado ao ministro Blairo Maggi, apresentando seu posicionamento contrário à elevação de 8% na Tarifa Externa Comum do Mercosul (TEC) para os agroquímicos Clorpirifós, Fipronil, Imidacloprido, Metomil, Carbendazim e Tebutiurom.
 
A medida se fez necessária – e vem ao encontro de ação orientada pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) – porque representantes da indústria química solicitaram ao Governo Federal a elevação da TEC para os produtos supracitados, com a alegação de fomentar a produção nacional.
 
No documento, o CNC manifestou que, no caso específico da cafeicultura, o aumento da TEC para o Clorpirifós e Imidacloprido causará prejuízo fitossanitário, pois a elevação dos preços desses produtos aos cafeicultores dificultará o controle de importantes pragas no campo, como a broca do café, cigarras e bicho mineiro.
 
Recordamos, também, que toda a cadeia produtiva convive com problemas resultantes do banimento do Endosulfan, desde 1º de julho de 2013, sem a disponibilização de alternativas eficientes, em tempo hábil, para o controle da praga Hypothenemus hampei (broca do café). Os novos produtos, registrados somente de 2015 em diante, são comercializados a um custo muito elevado, de forma que o Clorpirifós ainda é uma importante alternativa para o controle da praga devido a seu preço muito menor, principalmente para os cafeicultores de pequeno porte, que representam 85% da produção nacional.
 
Por fim, reiteramos ao ministro a solicitação para que a alíquota da Lista de Exceção da TEC (LETEC) seja mantida para os produtos técnicos e formulados importados supracitados, o que, além das explicações já apresentadas, também visa a estimular a concorrência comercial salutar ao mercado de defensivos agrícolas e, com vistas a melhorar a competitividade das indústrias locais, entendemos como necessária a redução da carga tributária nacional ao invés da elevação da taxação dos produtos importados.
 
EXPORTAÇÕES DA COCATREL — A Cooperativa dos Cafeicultores da Zona de Três Pontas, associada ao CNC, este ano, amplia seu leque de atuação ao retomar as exportações de café. Parabenizamos a Cocatrel por essa demonstração de crescimento e visão de futuro, a qual trará benefícios a entidade e cooperados por meio do fortalecimento da sua marca, bem como pela consequente agregação de valor ao produto.
 
Nesse primeiro momento, foram remetidos cafés dos associados para Estados Unidos e Itália, dois dos principais compradores brasileiros. O CNC tem ciência que esses embarques evidenciam a competência dos profissionais da cooperativa e o exímio trabalho de definição de mercados-alvo que realizam, tudo como reflexo da participação em feiras internacionais do setor, o que possibilita contatos diretos com os principais compradores e importadores do mundo e fará com que a Cocatrel evolua a cada dia nas exportações.
 
MERCADO — O movimento do dólar, indicadores técnicos e expectativas quanto à safra 2017/18 do Brasil, que será menor devido à bienalidade negativa, favoreceram a valorização dos futuros do arábica nessa semana. As cotações do vencimento mais líquido chegaram a ultrapassar o patamar de US$ 1,50 por libra-peso. Porém, nas últimas duas sessões, parte dos ganhos foram devolvidos em realizações de lucros.
 
O índice externo do dólar foi enfraquecido nos últimos dias pela sinalização do Banco Central dos Estados Unidos (FED, em inglês) de que os juros não sofrerão significativa alta no curto prazo. No âmbito doméstico, o dólar comercial encerrou o pregão de ontem a R$ 3,0565, com perda de 1,2% no acumulado da semana. Além de seguir a tendência internacional, a valorização do real ante a moeda norte-americana é motivada pela expectativa de entrada de recursos estrangeiros no País. O corte de juros promovido pelo Banco Central do Brasil, na quarta-feira, de 13% para 12,25% a.a. também anima os investidores quanto ao aquecimento da economia nacional.
 
Na ICE Futures US, o vencimento maio do Contrato C foi cotado, na quinta-feira, a US$ 1,4995 por libra-peso, com discreta alta de 40 pontos em relação ao fechamento da semana passada. O vencimento maio do contrato futuro do robusta, negociado na ICE Futures Europe, encerrou o pregão de ontem a US$ 2.155 por tonelada, acumulando, por sua vez, desvalorização de US$ 19 frente à última sexta-feira.
 
Em relação às condições climáticas que afetam o desenvolvimento da safra 2017/18 do Brasil, a Climatempo prevê ocorrência de chuvas não generalizadas sobre o cinturão cafeicultor até o final de fevereiro. Os acumulados poderão variar de 50 a 100 mm, dependendo da região produtora. No entanto, o tempo permanecerá seco no norte do Espírito Santo. Apenas entre 28 de fevereiro e 4 de março chuvas mais abundantes deverão favorecer todo o Estado capixaba.
 
No mercado doméstico, os negócios continuaram fracos devido às retrações vendedora e compradora. Os indicadores calculados pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) para as variedades arábica e conilon foram cotados, ontem, a R$ 510,09/saca e a R$ 433,71/saca. O indicador de preço para o conilon manteve-se estável e o do arábica valorizou-se 1,3% na comparação com a semana anterior.
 

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