Mercado

Fazendas usam novas técnicas para impulsionar produção de café em MG

Algumas tecnologias fazem a diferença nos cafezais. Objetivo é reduzir custos e melhorar a qualidade dos grãos.

 

postado em 31/01/2017 | Há 10 meses

As fazendas de café do Brasil enfrentam grandes mudanças. O objetivo é elevar a produtividade, reduzir custos e melhorar a qualidade dos grãos. Algumas tecnologias fazem a diferença nos cafezais.

Na fazenda Santa Helena, no município de Areado, as máquinas dão conta de colher 90% da lavoura. “Uma colheita como a desse ano, com oito mil sacas, que eu teria que ter uns 270 trabalhadores, hoje eu faço com três colhedeiras e vinte e poucas pessoas. A colheita manual é duas vezes e meia mais cara que a mecanizada”, diz Célio Landi Pereira, agrônomo, administrador da Fazenda Santa Helena.
 
Com dois cilindros de varetas rígidas, a colheitadeira parece pentear o pé de café. Com a ideia de se colher cada vez mais por hectare, o agrônomo Matiello aponta outro aspecto vital para a cafeicultura moderna: a renovação.

“Os nossos avós, os nossos pais queriam cafezal por 100 anos. Hoje, tecnicamente, a gente admite aí 20, no máximo 30 anos, porque vão surgindo novas variedades. Novas tecnologias. Você tem que trocar para colocar uma planta mais produtiva no lugar daquela pouco produtiva”, explica.

Em uma área da fazenda Santa Helena, o trator já arrancou vários pés de um talhão de 15 hectares e 28 anos de idade, que acabou de ter sua última colheita. A estratégia com esse manejo é elevar a produtividade para algo em torno de 45 a 50 sacas por hectare nos próximos anos. Isso é praticamente o dobro da atual média do Brasil.

“Ou seja, nós temos hoje em torno de 15 hectares com 50 mil plantas. Nesse novo plantio nós vamos conseguir nos mesmos 15 hectares, 75 mil plantas. É como se a gente tivesse ganhando hoje cinco hectares a mais dentro dos mesmos quinze hectares que a gente tem”, explica o gerente da fazenda.

De todo café produzido no Brasil, 700 mil hectares estão em áreas acidentadas, com declividade que varia de 25 a 50%. É o chamado café de montanha. Se caminhar é difícil, imagine plantar, colher e fazer os tratos culturais. A imagem ao longe revela um cenário bem bonito, mas o dia-a-dia é bastante complicado.

Em terrenos acidentados, o jeito é pensar em reestruturar a lavoura seja na produção, seja na melhoria do acesso de máquinas e implementos. É isso que se vê na Fazenda Sertãozinho, no município de Botelhos. A lâmina que rasga o barranco trabalha na construção de terraços para nivelar as ruas da plantação.

“Dependendo um pouco do espaçamento, nós fizemos 180 quilômetros de terraceamento em linha, como se fosse em linha reta. Nós estamos conseguindo trabalhar com tanque pulverizador em áreas que a gente só fazia manual” Lucas Antônio Gonçalves Franco, agrônomo - Fazenda Sertãozinho

Até 2018, a fazenda deve adotar os terraços em 80% da sua área. Fora a facilidade da mecanização, os terraços trazem ainda outros benefícios. “Esse degrau diminui a velocidade da água. A água vem correndo pelo morro e a água passa mais tempo e filtra. Até a nascente lá embaixo vai ser beneficiada. O próprio adubo, que não vai escorrer, vai ser melhor aproveitado, para um melhor crescimento e a produção do café”, diz José Braz Matiello, agrônomo.

O café é uma planta que naturalmente produz mais num ano e menos no outro. E uma das últimas tendências no manejo da lavoura busca eliminar a safra menor para fazer com que a planta só carregue a cada dois anos. Essa é a chamada poda de safra zero. Depois da colheita do ano bom, o pessoal faz cortes drásticos nas laterais e no ponteiro. Com esse tipo de poda cai a chamada bienalidade do pé de café.

“A produção alta é cinco vezes maior do que a produção baixa. A gente diz que um ano ela se veste e no ano seguinte ela veste o cafeicultor. A gente quer zerar a safra e deixar só a safra alta. O café com carga é uma safra fácil de colher, seja manual ou mecanizada. Cada saca colhida vai ser muito mais barata”, explica Matiello.

Em áreas de montanha, os pequenos produtores são os donos da maior parte das propriedades. Para ser competitivo com pouco recurso, "é preciso usar a tecnologia, sem esquecer a produtividade. Usar o que ele tem de mais importante que é a mão de obra familiar”, José Braz Matiello, agrônomo.

É na mesa de prova que se atesta se a trabalheira na lavoura e no beneficiamento produziu um café de qualidade. “Não existe máquina ainda que substitua o paladar humano. Então, tudo o que foi feito lá atrás, toda dinâmica, toda logística, tem resultado em cima da mesa”, diz Rosseline de Paula Rodrigues, classificador e degustador.

Diante de tantas possibilidades para cuidar bem do café, cada agricultor deve avaliar qual a tecnologia mais adequada para o relevo da sua fazenda, para o propósito da sua produção e, claro, verificar se os investimentos cabem no bolso. Só assim, o café brasileiro vai continuar fazendo sucesso nas xícaras do mundo todo.

“Muito suor para chegar nesse cafezinho aqui. Hoje de cada três xícaras de café que são tomadas no mundo inteiro, uma é de café brasileiro”, afirma Matiello.

 

Veja tambÉm: