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Cenário para o café brasileiro 2016 á 2018 Por Marco Jacob

Segue abaixo um cenário da expectativa de oferta de café brasileiro para o periodo de 24 meses coomprendido entre Julho de 2016 até Junho de 2018.

 

postado em 26/12/2016 | Há 4 meses

Baseado nestes números, o Brasil poderá exportar menos 15,80 milhões de sacas no período citado.

Pode parecer que eu estou forçando números, mas segue abaixo as explicações :

Os estoques inicias em 3 milhões de sacas (item A) em 01 de Julho de 2016, é maior que o publicado por TERRA FORTE, Unicafé e USDA.

A safra de 53 milhões de sacas (item B e C ) está dentro da mediana do mercado , note que 44 milhões de sacas (item B) para a produção de arábicos é a maior colheita da história brasileira , e os 9 milhões de sacas para o conilon (item C) é superior aos números indicados pela INCAPER.

A safra total de 44,20 milhões de sacas para 2017/18 é conservadora, note que os 35,20 MM (item D) é exatamente menos 20% de expectativa de colheita para o arábico em relação a colheita deste ano 2016/17, portanto é inferior aos -21% que o Procafé já divulgou, a Cooxupé também divulgou uma expectativa de -17% na sua área de atuação.

Se fizermos uma observação rigorosa, veremos que o clima foi relativamente hostil no ano de 2016, com altas temperaturas em meados de Abril e Maio, depois baixas temperaturas um Junho e Julho, ocorrendo até geadas em algumas regiões , também parque produtivo cafeeiro será menor , pois muitas lavouras foram podadas.

Os 9 milhões de conilon (item E) seria uma repetição de safra, apesar de que há notícias que região de Rondônia vai colher mais, porem há notícias que o Espírito Santo vai colher menos.

O mínimo estoque em 01 de Julho de 2018, 2 milhões de sacas (item G) seria o café que as indústrias brasileiras devem manter em estoque de trabalho, note que no primeiro semestre de 2017 deverá ZERAR os estoques públicos (CONAB), pois já foram vendidos 834.000 sacas e restas apenas 650.000 sacas.

Assim sendo, disponível para comercialização restarão 98,20 milhões de sacas de café, para atender o consumo interno e as exportações.

Se a ABIC e USDA informam que o consumo interno brasileiro versa 21 milhões de sacas por ano, teremos um consumo no período de 42 milhões de sacas (item H), restando matematicamente apenas 56,20 milhões de sacas (item J) para serem exportadas no período.

Notar que no período igual, Julho de 2014 a Junho 2016 o Brasil exportou mais de 72 milhões de sacas (item K), então a diminuição de exportações poderá atingir 15,80 milhões de sacas no período citado, isto sem considerar cafés recém colhidos entre Maio e Junho de 2018.

A grande pergunta é que vai substituir o Brasil se este cenário se tornar realidade?

O USDA anunciou a poucos dias que a expectativas de safras de 2016/17 para o Vietnam, Indonésia e Índia, serão menores.

Então podemos esperar que os estoques nos países importadores serão usados, assim sendo, teremos no início de primeiro semestre de 2018 uma das menores relação de estoques mundiais versus consumo mundial.

E até a colheita da safra de 2018/19 do Brasil, não poderá ocorrer nenhum evento climático prejudicial, pois o mercado mundial de café necessita de uma ótima safra brasileira para recompor os estoques que estarão a níveis historicamente muito baixo.                       

 

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