Tecnologias

Sincal - Pane na produção Por Armando Matielli

 

postado em 30/09/2011 | Há 6 anos

Por Armando Matielli, engenheiro agrônomo e presidente executivo da Sincal.

Primeiramente gostaríamos de relembrar os nossos artigos de 01/06/2011 e 15/06/2011, intitulados “SINCAL ALERTA – Geada nos Cafezais, estoques praticamente zerados” e “Geadas nos cafezais” (Noticias SINCAL – www.sincal.org.br) respectivamente, onde fizemos considerações a respeito de geadas e seca na cafeicultura. Fatos esses confirmados e que estão impactando de maneira extremamente negativa na produção 2012/2013. Nas nossas andanças pelas regiões cafeeiras, nesses últimos dias, constatamos claramente que nossas lavouras sofreram grandes prejuízos pelo frio e pela seca atual ocasionando um desfolhamento anormal e comprometerá de forma drástica a produção vindoura de 2012/2013. Gostaríamos de parabenizar o professor Dr. Molion que nos “abriu os olhos” sobre o clima, onde o conceituado pesquisador e doutor no assunto, durante o Simpósio do Café em Manhuaçu, em abril passado afirmou categoricamente que teríamos um ano muito frio e seco. Realmente suas previsões foram “acertadas na mosca”.

Provando essas colocações passamos abaixo dados pluviométricos em diferentes regiões produtoras de café, fornecidas pela FUNDAÇÃO PROCAFÈ do MAPA, de Varginha.

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Esses índices pluviométricos estão ocasionando um agravado prejuízo que impacta de maneira drástica na produção.

Além desses dados sabemos que outras regiões produtoras de café, em Minas Gerais, como Zona da Mata e Sudoeste Mineiro os dados pluviométricos foram péssimos, de MAIO a SETEMBRO e, as lavouras perderam suas características produtivas. O mesmo ocorreu nas regiões produtoras do Estado de São Paulo, com isso a seca assolou 90% das regiões produtoras de arábica. Outro dado importante é o levantamento dos últimos 22 anos da Fazenda Jacutinga – Guapé – MG, apresentados abaixo (gráfico), constatamos que a média histórica (vide gráfico) foi de 178,82 ml de MAIO A SETEMBRO e esse ano choveu tão somente 39 ml sendo 22% da média histórica, ou seja, o menor índice pluviométrico dos últimos 22 anos. 


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Além disso, o ano de 2010, também foi seco, com somente 98 ml de chuva no mesmo período e foi um fator determinante para a queda de produção, que não deverá chegar à 40 milhões de sacas e, as bases atuais nos dão sustentação aos números iniciais que prevíamos 35 milhões de sacas . Para efeito de segurança deveremos fechar no máximo com 38 milhões de sacas de 2011/2012. No Simpósio, do Rio de Janeiro, dias 5 e 6 de setembro passado, as principais Cooperativas apresentaram uma queda ao redor de 20% do previsto inicialmente e confirmando o afirmado de uma produção de no máximo 38 milhões de sacas para a presente safra. A quebra no rendimento, devido à seca de 2010, entre MAIO e SETEMBRO, provocou um grande susto nos cafeicultores e nas cooperativas. Precisou-se a redor de 550 a 600 litros de café para um saco beneficiado, ou seja, ao redor de 20%  de prejuízo sobre a média histórica.

Portanto, tivemos secas sucessivas entre, MAIO à SETEMBRO, em 2010 e 2011 e isso compromete drasticamente a produção.

IMPORTANTE: Mesmo que a pluviometria (período de chuvas) venha a se regularizar a partir de setembro o prejuízo já ocorrido é IRREVERSÌVEL em termos de produção 2012.

Quando observamos os dados históricos de 22 anos de regime pluviométrico nunca ocorreram 02 (dois) anos de seca seguidos nessa intensidade. Outro aspecto importante a ser analisado são as safras abundantes no citado período, quando de MAIO a SETEMBRO, do ano anterior foi chuvoso, ou seja, acima de 200 ml no período. Vejamos: - 2009 choveu acima de 200 ml e a safra de 2010 foi de 48 milhões de sacas, o mesmo ocorre em 2006, quando colhemos 42,5 milhões de sacas. Ainda em 2002, tivemos recorde de produção de 48,5 milhões de sacas, pois em 2001 choveu acima de 200 ml no período referenciado. Portanto a binualidade está diretamente relacionada com o regime hídrico, o qual é muito mais importante que o próprio estado vegetativo da lavoura. Para ilustrar tal confirmação, lembramos que tínhamos no final do verão um potencial de até 55 milhões de sacas. E agora? “SÓ DEUS SABE”. Mas, pelos dados pluviométricos de seca intensa nos dois últimos anos principalmente 2011, poderemos seguramente afirmar que deveremos atingir no máximo, em 2012, uma safra igual ou menor que 2011.

O I.A.C ( Instituto Agronômico de Campinas), foi fundado a mais de um século para pesquisar , principalmente café e do I. A.C saíram as principais tecnologias, cultivares plantadas no Brasil e outros países. O I.A.C pode ser determinado juntamente com o antigo I.B.C (Instituto Brasileiro do Café) os pais da CAFEICULTURA. No I.A.C passaram os principais técnicas do café como Dr. Alcides Carvalho, entre outras e numa pesquisa de 30 ANOS (3 décadas) detectou-se que as produções foram obtidas dentro do seguinte contexto. (DE MAIO A SETEMBRO).


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Baseado no exposto, o mercado precisa se preparar para uma frustração marcante da safra de 2012. A SINCAL, alerta os cafeicultores que os preços dispararão em detrimento a escassez dada à baixa produção de 2011, seguida de baixa produção em 2012, estoques baixíssimos e os patamares de preços alcançaram níveis incalculáveis e dentro de um cenário real poderemos vender café acima de R$ 1000,00 / saca. Preço esse realmente necessário para cobrir o grande prejuízo que tivemos nos últimos 14 anos, onde o café subiu tão somente 35% até 2010 e os custos subiram 550%. Fato esse decorrido a total falta de gestão na política cafeeira tanto no MAPA, como nas entidades  privadas que sugaram os cafeicultores  colocando-os dentro de uma escravidão econômica nunca sofrida, por um período tão longo, no setor produtivo.
Baseado nisso, precisamos quebrar paradigmas existentes no    “statu quo” dos diversos elos da Cadeia do Agronegócio Café. Está totalmente perceptível uma coesão de interesses recíprocos dos diferentes seguimentos da cadeia, numa acomodação mais interessantes a todos esses elos em detrimento a escravidão imposta ao setor produtivo. Portanto, o preço de R$ 500,00 / saca está totalmente defasado e na lógica financeira e matemática deveríamos estar vendendo nosso café a R$ 1100,00 / saca, para cobrir a evolução do custo de produção, pois vendíamos café à R$ 200,00/saca (ordem de grandeza) há 14 anos e corrigindo a 550% realmente chegamos a R$ 1.100,00/saca que será um preço compatível com os ajustes de defasagem financeira.

SINCAL ALERTA AOS CAFEICULTORES:

1.    Não façam trocas físicas;
2.    Não vendam café sem extrema necessidade;
3.    Não comprometam a safra 2012 com CPR ou qualquer outro instrumento que tire a possibilidade de vender seu café nos patamares citados e possíveis.

Fonte: Notícias Agrícolas

COMENTÁRIOS

Rodrigo Guina

Brilhante o relato feito pelo Sr., nesse artigo redigido de forma clara e afirmativa.

Trabalho com distribuiçao de insumos e somos tambem pequenos produtores de cafe no municipio de Batatais-SP, onde posso compartilhar e concordar com Sr. em tudo o que foi dito com relaçao a produçao atual, futura e custos. 

É discrepante o retorno de investimento basico em lavoura, com relaçao a insumos, fora investimentos que nao podemos nem pensar em fazer.A realidade de cafeicultores aqui em SP, é bem diferente das regioes que sao extremamente produtoras e vivem apenas da atividade, pois aqui em SP temos cana, cereais, pecuaria, entre outras que dao suporte financeiro ao fazendo do cafe uma poupanaça,mas que nao justifica, negocio é negocio e estamos muito defazados com preço.

Essa averçao ao risco financeiro fez com que as comodities perdessem seus valores a niveis extremammente baixos, onde em alguma delas como o milho, soja a atual safra americana traz volume ao mercado e ajuda o fundamento a rebaixar os preços, ja o cafe manteve-se mesmo com a queda.

Alguns comentaristas de sites ligados ao setor cafeeiro, mostra-se na minha opiniao afirmativos no sentido de dizer que nao mais teremos preços altos, que cafe a 500,00 da muito lucro, e que as chuvas que virao em meados de outubro darao uma safra enorme aqui ano que vem
 Pra mim isso nao passa de uma irresponssabilidade de uma comentario maldoso e sem fundamento, informaçao e especulaçao erronea de quem nao entende nada de mercado na vida real.

 
Mesmo com uma possivel diminuiçao de consumo, fato esse que eu duvido ocorrer, mas que por causa da crise possa sim trazer uma retençao, nao ha cafe pra se beber, a safra acabou um mes antes do previsto e tudo que temos que consumir sem ter onde disponibilizar tem que custar mais.Como o Sr. mesmo disse, o aumento nos custosque foi de 500%, quem o fez nao perdeu tempo em se organizar, unir e dizer "vamos aprovietar que a safra sera baixa e os preços serao altos pra poder combrar mais pelos insumos", e assim o fizeram, sem nenhum fato de que faltou materia prima, dolar subiu, greve de porto, ....

O Sr. acredita que o mercado volte a subir na bolsa para termos sustentaçao nos preços atuais, e ate quando isso sera possivel?

Um grnade abraço e parabens pelo artigo.

Resposta

ARMANDO MATIELLI
armando@matielli.com

CARÍSSIMO RODRIGO GUINA,

NA MINHA OPINIÃO O MERCADO ESTÁ SOFRENDO UMA FORTE CONTURBAÇÃO ECONÔMICA INTERNACIONAL QUE MASCARA QUALQUER FUNDAMENTO MAS, O GRANDE IMPACTO DISSO TUDO PASSARÁ POIS, A POPULAÇÃO MUNDIAL NÃO DEIXARÁ DE COMER E BEBER. É SABIDO QUE AS GRANDES CRISES NÃO INIBIRAM O CONSUMO DE CAFÉ POIS, TRATA-SE DE UMA BEBIDA ESTIMULANTE E SAUDÁVEL PARA AS SITUAÇÕES DE NERVOSISMO.
 POR OUTRO LADO A FLORADA SERÁ MAGNIFICA POIS, O CAFÉ QUANDO DESFOLHADO , NO INSTINTO DE SOBREVIVÊNCIA E O DESFOLAMENTO PROCOCA UM CENÁRIO DE UM VERDADEIRO LENÇOL BRANCO COBRINDO NOSSOS CAFEZAIS. COM ISSO O MERCADO DESCONHECEDOR DO LADO TÉCNICO OU MESMO INTENCIONAL PROVOCARÁ MAIS QUEDAS NOS PREÇOS. PASSANDO ESSA FLORADA MAGNÍFICA TEREMOS UM PEGAMENTO DECEPCIONANTE , TALVEZ UM DOS PIORES JÁ VISTOS. A SAFRA CAIRÁ DRÁSTICAMENTE COMO ESCREVEMOS NO ARTIGO EMBASADO EM DADOS TÉCNICOS. DENTRO DO EXPOSTO PENSO QUE À PARTIR DE NOVEMBRO E DEZEMBRO QUANDO REALMENTE CONSTATARMOS A GRANDE QUEBRA DA SAFRA DE 2012/2013 OS PREÇOS DISPARARÃO A NÍVEIS ESTRATOSFÉRICOS POIS, OS FATORES FUNDAMENTAIS IRÃO SOBREPOR A CRISE FINANCEIRA.
 
 UM GRANDE ABRAÇO,
 
 A.MATIELLI

Comentários

Zeus
sr.zeus100@gmail.com
a hora é essa : o sincal acaba de fazer uma análise precisa sobre a situação da cafeicultura , só que governo , ibge, analistas , e principalmente conab, ficam calados, e se omitindo, a divulgar dados reais , do fracasso da safra atual e das futuras ,que fatalmente estão comprometidas,com prejuízos eminentes aos produtores. E diante de secas , geadas ,etc, a conab, me parece , só se interessar em divulgar dados falsos e otimistas , bom só para a industria e especuladores. O momento é critico para o produtor , onde são precisos decisões e capitalização de recursos , para a nova safra, e o jogo politico e financeiro , de um mercado de papeis e gráficos ,esta brincando e levando o mundo a um destino obscuro , onde milhões de pessoas passarão fome.

CARÍSSIMO COLEGA AGUINALDO,
 
ONTEM, ATRAVESSEI 350 KM PELO SUDOESTE MINEIRO, SUL DE MINAS E BAIXA MOGIANA DE SÃO PAULO, PRATICAMENTE A PRINCIPAL ÁREA DO NOSSO PARQUE CAFEEIRO E, PAREI NO MÍNIMO EM 10 PROPRIEDASES PARA CONSTATAR O VINGAMENTO DA FLORADA EXUBERANTE QUE OCORRERAM NAS LAVOURAS CAFEEIRAS. COM EXCEÇÃO DAS LAVOURAS IRRIGADAS, ESQUELETADAS E ALGUMAS LAVOURAS NOVAS( NESSES TRÊS SEGMENTOS POR VOLTA DE 20% DA ÁREA) POSSO AFIRMAR QUE TIVEMOS UM VINGAMENTO DECEPCIONANTE NAS DEMAIS LAVOURAS COM UMA QUEBRA DE NO MÍNIMO 50% NA PRODUÇÃO. FALEI COM COLEGAS DA ZONA DA MATA E ALTA MOGIANA DE SÃO PAULO E NESSAS REGIÕES O CENÁRIO É SEMELHANTE. PORTANTO, BASEADO NO EXPOSTO PRÁTICO RELATADO E NO ARTIGO `` PANE NA PRODUÇÃO`` TEREMOS UMA SAFRA NO MÁXIMO DE 35- 38 MILHÕES DE SACAS PARA 2012. 90% DO PARQUE CAFEEIRO FOI ASSOLADO VIOLENTAMENTE PELA SECA. SOMANDO OS 35 A 38 MILHÕES DE SACAS PARA 2012 E, NO MÁXIMO 43( CONAB)  MILHÕES NA SAFRA RECÉM COLHIDA, CHEGAREMOS AO REDOR DE  78-80 MILHÕES DE SACAS NESSE BIÊNIO CONTRA UMA DEMANDA DE 105 MILHÕES DE SACAS NO MESMO PERÍODO. PORTANTO, OCORRERÁ UMA ESCASSEZ AO REDOR 25  MILHÕES DE SACAS DE CAFÉ E, CULMINANDO COM OS ESTOQUES BAIXÍSSIMOS OS PREÇOS EXPLODIRÃO.
 
UM GRANDE ABRAÇO,
 
A.MATIELLI

 

Comentario de noticia: Gil Barabach, prevê safra de café brasileira gigantesca, entre 50 e 55 milhões de sacas

Odayr Flávio Teixeira

Então Sr. Gil Barabach, 50 milhões de sacas!!
 O Sr. perdeu uma ótima oportunidade de ter ficado calado.
 Por esse motivo recomendo à todos os Cafeicultores que não acreditem em seus prognósticos (totalmente dirigidos à especulações de exportadores), o mesmo ocorre também com o analista Sr.Rodrigo Corrêia da Costa da Archer Consulting.
 
 Nós fazendeiros devemos estar atentos às recomendações da SINCAL (www.sincal.org.br) - Armando Mathielle, pois até o momento não errou nenhum prognóstico.

 

 

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