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CAFÉ DESPENCA NA BOLSA DE NY, MAS DÓLAR SUSTENTA PREÇOS NO BRASIL

 

postado em 23/09/2011 | Há 6 anos

O café seguiu a turbulência dos mercados financeiros e de commodities pelo mundo na semana e apresentou fortes baixas nas bolsas de futuros. As preocupações com a economia americana, com as dívidas na zona do euro e com a contaminação destes problemas pelo mundo determinaram uma subida do dólar contra outras moedas e quedas nos preços de papéis em bolsas de valores e nas commodities. Aqui no Brasil, o mercado físico teve cotações sustentadas em real devido a alta acentuada do dólar.     

Continua a apreensão em torno da crise nos Estados Unidos. O plano do Federal Reserve, banco central norte-americano, aprovado em reunião do seu Conselho Monetário durante a semana foi mal recebido pelo mercado. Acreditou-se que as medidas são insuficientes para fazer o país voltar ao caminho do crescimento econômico.     

Esse ceticismo levou a baixas nas bolsas de valores pelo mundo e as commodities caíram nos mercados futuros, com o dólar subindo em relação a outras moedas. Houve movimentos comuns de fuga de capitais, com a ?manada? de investidores, fundos e especuladores saindo de mercados ditos de maior risco (como as commodities nas bolsas de futuros), buscando abrigo em rendimentos mais seguros. Foi uma semana de perdas generalizadas para os principais produtos agrícolas.     

Com o café, não foi diferente. E nem mesmo os sólidos fundamentos de oferta ajusta à demanda desta vez foram suficientes para evitar que o arábica na Bolsa de Mercadorias de Nova York (ICE Futures), que baliza as cotações internacionais, registrasse os preços mais baixos desde o final de janeiro de 2011, no pregão desta sexta-feira (23/09).    

A expectativa agora é para quando o mercado retomará seu ritmo normal, saindo dessa turbulência, para ver qual será o novo patamar de preço a ser trabalhado, de acordo com os fundamentos. A oferta é sim apertada em relação à demanda, mas nos últimos meses começam a entrar as safras novas de cafés arábica suaves/lavados da Colômbia e da América Central, justamente os grãos de alta qualidade que tem a disponibilidade mais curta no momento. E ainda há o início da colheita de uma safra maior de robusta no Vietnã. Ou seja, o cenário é de menor preocupação, ao menos por um tempo, quanto à oferta. Entretanto, os olhos do mercado também se voltam para as floradas no Brasil, formadoras da safra 2012 no Brasil (safra maior dentro do ciclo bienal da cultura após uma colheita modesta em 2011). Se continuar faltando um regime de chuvas para a floração e após isso de regularidade de umidade para a manutenção das floradas, a apreensão vai crescer em relação ao próximo ano e ao quadro justo de oferta e demanda. Mas toda essa questão fundamental passa pelos aspectos macroeconômicos, com esse cenário de crise econômica americana, européia e, portanto, global deixando os mercados em suspense.     

No balanço da semana, na Bolsa de NY, o contrato dezembro do arábica fechou a quinta-feira 22/09 a 239,25 centavos de dólar por libra-peso, tendo queda de 8,1% contra a sexta-feira (16/09), quando o mercado fechara a 260,40 cents.     

Mas, no mercado físico brasileiro de café, as cotações se sustentaram em reais, graças justamente à elevação do dólar, que rapidamente se deslocou nesse período de crise rumo aos R$ 2,00. Da sexta-feira (16/09) à quinta-feira (22/09), o dólar subiu de R$ 1,733 para R$ 1,895, com elevação de 9,3% no período. Assim, atenuou-se o efeito das perdas na bolsa de NY para o café. O mercado interno praticamente parou, com vendedores e compradores se afastando das negociações e aguardando para ver onde as cotações internacionais vão parar.     

No balanço semanal no mercado físico brasileiro, o café arábica bebida boa no sul de Minas Gerais até mesmo subiu, de R$ 518,00/523,00 a saca da sexta-feira passada para R$ 525,00/530,00, nominalmente, diante da ?paradeira? geral, e escorado basicamente na elevação da moeda americana.

 

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