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Carvalhaes - Na semana fundamentos acabaram se impondo e os preços do café na ICE Futures US fecharam todos os dias em alta

 

postado em 22/08/2011 | Há 6 anos

Boletim semanal - ano 78 - n° 33

Santos, sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Escritório Carvalhaes

Ontem, quinta-feira, os mercados voltaram a cair fortemente e as bolsas de valores ao redor do mundo encerraram o dia com pesadas baixas, arrastando junto o preço de muitas commodities. A preocupação com a capacidade de países europeus honrarem suas dívidas e a previsão de uma queda ainda maior do crescimento mundial voltou a dominar o mercado financeiro, levando os investidores a procurarem proteção nos títulos do governo americano. Em meio à turbulência, as cotações do ouro e do café se apresentaram como um Oasis.

Os fundamentos acabaram se impondo e os preços do café na ICE Futures US fecharam todos os dias em alta, sendo que no dia 17, quarta-feira, os contratos com vencimento em dezembro próximo encerraram o pregão com ganhos de 1180 pontos.

Um levantamento feito pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (CEPEA/ESALQ), a pedido do jornal Valor Econômico (veja a matéria no “clipping” de nosso site), mostra que a desvalorização do dólar praticamente anulou a alta das commodities agrícolas no mercado internacional ao longo da última década. Nesse período o real acumulou uma valorização de 54%. Ganhos de volume, produtividade e eficiência do agronegócio brasileiro evitaram um desastre, levando a um cenário favorável aos produtores. Este levantamento joga por terra o “mantra” sobre estarem os preços do café “historicamente” altos.

Outro assunto interessante que circulou esta semana foram os quarenta anos do fim do padrão ouro para o dólar, sistema que vigorou até 15 de agosto de 1971. Para se ter uma idéia do que aconteceu nestes quarenta anos, basta lembrar que em 1971 a onça-troy do ouro valia US$ 35 e hoje é negociada perto de US$ 1800 (matéria da Agência Estado).

Quando vigorava o padrão ouro para o dólar, era comum analistas do mercado de café se referirem às cotações em Nova Iorque como o preço-ouro do café, como é fácil de constatar nos boletins do Escritório Carvalhaes anteriores a 15 de agosto de 1971 (nosso boletim circula desde 1933).

O fim dos estoques nos países produtores e os baixos estoques nos consumidores; o equilíbrio precário entre produção e consumo mundial; o agravamento das mudanças climáticas; o crescimento econômico da China e dos países emergentes, levando a um contínuo aumento no consumo de café; a crise econômica e o excesso de dólares em circulação, que instigam o investidor a procurar alternativas e ativos reais, são variáveis que embaralham as análises e dificultam o desenho de um quadro mais claro para as cotações do café nos próximos meses e anos. Em nossa opinião, com este conjunto de variáveis é difícil apostar em um cenário de baixa para as cotações do café.

A "Green Coffee Association" divulgou que os estoques americanos de café verde totalizaram 4.811.817 em 31 de julho de 2011. Uma alta de 252.022 sacas em relação às 4.559.795 sacas existentes em 30 de junho de 2011.

Até o dia 18, os embarques de agosto estavam em 1.086.192 sacas de café arábica, 191.339 sacas de café conillon, somando 1.277.531 sacas de café verde, mais 135.051 sacas de solúvel, contra 980.640 sacas no mesmo dia de julho. Até o dia 18, os pedidos de emissão de certificados de origem para embarque em agosto totalizavam 1.682.021 sacas, contra 1.383.682 sacas no mesmo dia do mês anterior.

A bolsa de Nova Iorque – ICE, do fechamento do dia 12, sexta-feira, até o fechamento de hoje, sexta-feira, dia 19, subiu nos contratos para entrega em setembro próximo, 2580 pontos ou US$ 34,12 (R$ 54,55) por saca. Em reais por saca, as cotações para entrega em setembro próximo na ICE fecharam no dia 12 a R$ 512,83/saca e hoje, dia 19, a R$ 563,30/saca. Hoje, sexta-feira, nos contratos para entrega em setembro, a bolsa de Nova Iorque fechou com alta de 135 pontos.

 

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