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Ministério da Agricultura da Alemanha cobra mais cooperação do Brasil

 

postado em 19/05/2011 | Há 6 anos

Jornal de Londrina

19/05/2011 
 
Para o Ministério da Agricultura alemão, setor produtivo brasileiro precisa observar restrições para, então, ampliar comércio com a Europa
 

Economia mais forte da União Europeia, a Alemanha decidiu colocar na mesa das negociações comerciais entre o Brasil e o bloco econômico a ampliação de suas exportações ao país sul-americano. Além disso, pede atenção a exigências europeias de padrão – que envolvem atenção ao ambiente e à segregação de grãos convencionais e transgênicos – para dar abertura maior aos produtos brasileiros. A posição de parceria e cobrança foi manifestada pela chefe do Departamento Internacional do Ministério da Agricultura, Nutrição e Proteção do Consumidor, Birgit Risch, em entrevista à Expedição Safra.

O Brasil tenta elevar as exportações para a Alemanha e negocia com a União Europeia em duas frentes. Numa delas, quer evitar sua exclusão do Sistema Geral de Preferências Tarifárias (SGP), que cobra menos imposto sobre mercadorias produzidas em países em desenvolvimento. Na outra, precisa defender seus interesses durante a revisão do acordo entre o bloco europeu e o Mercosul, que pode redefinir tarifas e exigências diante de cada produto.
Entrevista

Birgit Risch, chefe do Departamento Internacional do Ministério da Agricultura, Nutrição de Defesa do Consumidor do Alemanha.

A demanda por grãos na Alemanha está saturada ou ainda há espaço para o país importar mais grãos da América do Sul?

A produção de grãos da Alemanha e da União Europeia é significativa. Por isso é que as importações não são ainda maiores. Não temos área para ampliação, mas buscamos aumento de produtividade. Nossa demanda de importação é grande sobretudo na soja, para a alimentação animal e a produção de carne. E importamos do Brasil porque sabemos que grande parte da produção não é transgênica. Sei que no Paraná essa preocupação com a produção de soja convencional ainda é seguida.

Qual a política da Alemanha em relação à balança comercial diante do Brasil? Considerando todos os produtos, as exportações brasileiras são menores?

A balança comercial do agronegócio é claramente favorável ao Brasil. Nesse aspecto, o Brasil tem um superávit gigantesco. Exporta para a Alemanha produtos agrícolas no valor de cerca de 3 bilhões de euros anuais. Em contrapartida, a Alemanha exporta 100 milhões de euros, ou seja, 30 vezes menos. O Brasil é importante para a Alemanha. Hoje, 80% do comércio agrícola da Alemanha é feito com os parceiros da União Europeia, mas, em quinto lugar entre os importadores, consta o Brasil.

Sobre os produtos brasileiros...

Os alemães estão confrontados diariamente com produtos brasileiros: café, açúcar, soja, carne. Começa cedo, de manhã, quando a gente prepara um cafezinho. A carne do almoço pode ser brasileira. E à noite tomamos uma boa caipirinha com cachaça brasileira. Os produtos são bem recebidos aqui no mercado alemão, estão presentes em todo lugar.

A Alemanha quer ampliar as exportações para o Brasil?

No setor da agricultura, temos muito a oferecer. A Alemanha é muito forte no processamento dos produtos agrícolas. A cerveja e o vinho são exemplos. Gostaríamos que houvesse mais demanda no mercado brasileiro. Também nos produtos lácteos, oferecemos vasta gama de produtos processados que também poderíamos exportar. Alemanha e Brasil podem fazer valer seus pontos fortes, trocar aquilo que têm de melhor e cooperar nas relações comerciais.


“Os importadores europeus podem optar pela menor tarifa, entre o SGP ou acordo UE-Mercosul. Mas, na modificação de ambos, os produtos brasileiros correm risco de perder competitividade na Europa”, aponta a especialista em comércio exterior da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) Patrícia Medeiros.

“A balança comercial do agronegócio é claramente favorável ao Brasil”, argumenta a executiva do Ministério da Agricultura alemão. “O Brasil exporta para a Alemanha produtos agrícolas no valor de cerca de 3 bilhões de euros anuais. Em contrapartida, a Alemanha exporta 100 milhões de euros, ou seja, 30 vezes menos.”

Conforme o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) brasileiro, a diferença é menor. Em 2010, o Brasil exportou para a Alemanha US$ 2,8 bilhões e importou US$ 370 milhões, informa o mais recente relatório do Mapa. Ou seja, conforme o governo brasileiro, as exportações da Alemanha foram 7,6 vezes menores que as importações diante do Brasil no agronegócio. O país é o quarto principal destino dos produtos do setor (atrás de China, Estados Unidos e Rússia). Na comparação de 2010 com 2009, o Brasil importou 35% mais e exportou 0,4% menos para o mercado alemão.

Para a Alemanha, o potencial de exportação do Brasil não vem sendo 100% explorado. Birgit Rish cita que o país não consegue cumprir as exigências para exportar 10 mil quilos de carne bovina pela Cota Hilton. Outro ponto que a executiva do governo alemão apontou como decisivo para o potencial de exportação brasileiro é a produção de soja convencional longe de áreas de desmatamento. Confira abaixo trecho da entrevista e acompanhe as reportagens sobre o mercado europeu nas próximas edições do Caminhos do Campo.

Expedição chega a centro de decisões da União Europeia

A Expedição Safra percorre, nesta semana, o centro de decisões da União Europeia,Bruxelas, na Bélgica, e visita o país campeão do bloco em produção agrícola, a França. Com uma equipe da Gazeta do Povo e outra da TV Paranaense, o grupo de jornalistas produz reportagens sobre o mercado que mais impõe exigências para a importação de produtos brasileiros com o apoio de técnicos da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar) e da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB).

Nos últimos dias, foram entrevistados produtores de grãos, leite e carne, executivos dos portos de Hamburgo (Alemanha) e Roterdã (Holanda), além de empresários de companhias de importação de grãos e da indústria do café. Nesta semana, em Bruxelas, serão visitados representantes do Brasil na União Europeia que discutem as questões do agronegócio, bem como diretores do setor que atuam na mesa executiva do bloco econômico, que abrange 27 países. A equipe ouve, ainda na Bélgica, representantes das cooperativas europeias. Na França, o roteiro inclui o Ministério da Agricultura, o Porto de Montoir e fazendas de cereais.

A Expedição Safra 2010/11 começou em setembro do ano passado, percorrendo 12 estados brasileiros – uma vez no plantio e outra na colheita –, Estados Unidos, Argentina e Paraguai. Em sua quinta edição, é a primeira vez que o projeto é estendido à Europa, para abordar as questões que envolvem a ampliação dos negócios agropecuários do Brasil com o velho continente. Ao todo, estão sendo percorridos perto de 60 mil quilômetros de estradas. 

 

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