Mercado

Com pouca venda, Nova York sobe fácil e deve buscar 300 cents

 

postado em 20/04/2011 | Há 6 anos

AGENCIA ESTADO

20/04/11 - A tensão observada no pregão de segunda-feira do mercado futuro de café arábica na Bolsa de Nova York (ICE Futures US) se dissipou ontem. O ambiente macroeconômico menos pessimista favoreceu as commodities, em geral. A aproximação do fim de semana prolongado nos Estados Unidos (Good Friday) e no Brasil (Tiradentes e Sexta-Feira da Paixão) sinaliza inclinação de nova alta para o café, diante da possibilidade de ausência de venda de origem.

De acordo com corretor da Newedge Group, os futuros de café se mostraram bastante resistentes à inclinação negativa. "O comportamento de ontem sugeriu dificuldade de correção para baixo, com uma boa recuperação", informa. Como o fim de semana será prolongado no Brasil e nos Estados Unidos, o mercado pode encontrar facilidades para subir, diante da ausência de venda de origem.

As análises sobre a reafirmação do rating AAA dos EUA pela Standard & Poors (S&P), cuja perspectiva de classificação foi reduzida de estável para negativa na segunda-feira, ganharam novos contornos ontem. De acordo com analistas, a nova perspectiva foi considerada apenas um aviso aos EUA, já que o triplo A dificilmente será rebaixado.

Ontem o mercado de café avançou com alguma participação de fundos de investimento. O torrador teria comprado mais cedo. O contrato para julho encerrou em alta de 2,38% (685 pontos), a 294,25 cents. A máxima chegou a marcar 294,65 cents (mais 725 pontos). A mínima foi de 286 cents (menos 140 pontos).

Graficamente, os contratos podem testar a máxima de 9 de março a 296,65 cents, mirando o nível psicológico de 300 cents. Apesar dos sinais positivos, "está difícil vislumbrar uma direção para os contratos", diz o corretor. "Os indicadores macroeconômicos continuam influenciando muito o comportamento das commodities", diz a fonte. Nesta quarta-feira começa o período de aviso de entrega do contrato maio em Nova York. Há pouco, julho já rompia a resistência a 296,65 cents, subindo 1,01% (300 pontos), a 297,25 cents.

Os contratos futuros de arábica na BM&FBovespa fecharam em alta ontem. O vencimento setembro/11, o mais líquido com 11.394 lotes em aberto, subiu US$ 8,40, a US$ 366,70 a saca. A estrutura dos contratos continua invertida, com o vencimento maio e julho mais valorizados em relação aos meses mais distantes. O mercado brasileiro não vai operar amanhã e na sexta-feira, por causa de feriado de Dia de Tiradentes e Sexta-feira Santa.

Os contratos futuros de café robusta na Bolsa de Londres (Liffe) fecharam em alta ontem. O vencimento maio teve valorização de US$ 24 ou 0,99%, para US$ 2.452/t. Há pouco, maio subia 0,74% (18 dólares), a 2.446 dólares/t.

Clima

A Somar Meteorologia informa que o padrão climático não se altera na Região Sudeste nos próximos 5 dias. Assim, as áreas produtoras de café terão tempo aberto, ensolarado e com temperaturas oscilando de 13 a 16 graus. "Somente no início da próxima semana a chegada de um frente fria deixará o tempo nublado sobre São Paulo, sul e zona da mata mineira e no Espírito Santo, com grande possibilidade de ocorrência de chuvas", informa o agrônomo da Somar, Marco Antonio dos Santos.

Na região norte do Espírito Santo, principal produtora de café conillon, a colheita segue em ritmo lento, pois ainda são observadas chuvas em todas as localidades produtoras, o que vêm atrapalhando as atividades de colheita e de secagem dos grãos. Até o momento, porém, não foram observados prejuízos que possam reduzir a safra robusta, avalia a agrônomo. No sul do Estado, as lavouras de café arábica seguem apresentando bom desenvolvimento.

No Paraná e em São Paulo os cafezais também estão em perfeito estado vegetativo, com os grãos em fase inicial de amadurecimento, sinalizando que a colheita deve começar no fim de maio.

Conforme a Somar, uma forte chuva de granizo atingiu a região de Nova Rezende, no sul de Minas, na semana passada. Calcula-se que 2.400 hectares foram destruídos e que, desse total, em pelo menos 60% a perda foi total. Além disso, algumas lavouras só irão produzir novamente daqui a dois anos, pois as plantas danificadas pelo granizo não conseguirão dar florada este ano.

As lavouras da região sul de Minas Gerais que não foram atingidas pelo granizo encontram-se em bom estado vegetativo, apresentando um ou outro problema pontual, como coração negro (apodrecimento dos grãos). Isso não irá prejudicar a produção do Estado nesta safra. No restante do Estado de Minas Gerais, as condições também são boas. Mesmo com a diminuição das chuvas na semana passada, o nível de água no solo ainda está elevado, dando suporte à demanda hídrica das plantas, apesar do forte calor observado durante o período.

Mercado físico

As vendas de café no mercado físico foram bem fracas ontem. A forte recuperação dos contratos futuros na Bolsa de Nova York afastou compradores. "O vendedor pedia alto e o comprador não quis pagar", diz um corretor de Santos (SP).

O comentário na praça de Santos é que café tipo 6, com 15% de catação, do sul de Minas, tinha pedido de comprador entre R$ 555/R$ 560 a saca. As ofertas pelo produto a R$ 540/R$ 550 seriam mais assimiláveis pelo comprador, mas não foram reportados negócios.

Os pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) informam que os preços do café arábica subiram com força ontem na Bolsa de Nova York (ICE Futures) por causa da maior demanda mundial e também pela continuidade das chuvas na Colômbia - a umidade pode influenciar o surgimento de doenças fúngicas nos cafezais.

O indicador Cepea/Esalq do arábica tipo 6 bebida dura para melhor fechou a R$ 538,22/sc de 60 kg, posto São Paulo, aumento de 1,38% sobre a média da segunda-feira, ou de quase R$ 8,00/sc a mais em relação ao dia anterior. Mesmo com a alta nos preços, as vendas de café arábica seguiram em ritmo calmo. Segundo apurou o Cepea, a queda do dólar limitou os avanços na liquidez. A moeda norte-americana encerrou o dia a R$ 1,576, queda de 0,88% sobre o dia anterior. De modo geral, houve maior procura pelo grão, mas poucos foram os vendedores dispostos a comercializar. A preferência para as negociações era para os cafés finos, mas estes tipos estão escassos no mercado, informa o Cepea. O mercado de robusta esteve ainda mais calmo em relação ao de arábica. Muitos agentes aguardam a safra nova para comercializar. A colheita da nova temporada, no entanto, está atrasada, por causa das constantes chuvas no Espírito Santo, que impedem uma maturação mais rápida. Ontem praticamente não houve mudanças nos preços do robusta. O indicador Cepea/Esalq do robusta tipo 6, peneira 13 acima, fechou a R$ 221,28/sc de 60 kg, a retirar no Espírito Santo. Para o tipo 7/8 bica corrida, o indicador Cepea/Esalq encerrou na média de R$ 212,71/sc de 60 kg, também a retirar na origem. Levantamento preliminar do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) mostra que os embarques de grãos verdes em abril, até ontem, alcançavam 1.279.797 sacas, representando aumento de 3,1%, em relação ao observado no mesmo período do mês anterior. Em março passado foram embarcadas 2.693.722 sacas. Este mês, até ontem, foram emitidos certificados de origem de 1.783.349 sacas, resultado 3,1% maior em comparação com o mesmo período do mês passado. EVOLUÇÃO DOS PREÇOS NO MERCADO FÍSICO E NA BM&F MERCADO INTERNO (em R$ por saca de 60 kg) ARABICA TIPO 6 DURO 12-abr 13-abr 14-abr 15-abr 18-abr 19-abr Noroeste PR 488,10 497,50 498,36 505,82 500,29 507,50 Mogiana 513,40 521,46 522,90 530,00 525,25 536,11 Sul MG 509,44 518,50 520,20 526,67 525,28 533,25 Zona/Mata 501,63 508,33 509,67 514,63 511,00 513,14 Cerrado 516,36 524,00 526,00 534,57 529,13 535,46 CONILLON TIPO 6 Espírito Santo 219,17 219,33 220,58 220,83 220,23 222,44 INDICADOR ESALQ/BM&F (em sacas de 60 kg) 12-abr 13-abr 14-abr 15-abr 18-abr 19-abr À Vista R$ 513,05 521,46 523,35 530,17 527,19 534,49 À Vista US$ 322,07 327,76 331,23 335,97 331,57 339,14 A Prazo R$ 516,63 525,10 526,96 533,83 530,87 538,22 FUTUROS NA BM&F (em US$ por saca de 60 kg) 12-abr 13-abr 14-abr 15-abr 18-abr 19-abr Mai/11 357,50 367,05 370,00 375,90 374,90 383,20 Jul/11 350,65 359,90 362,45 368,60 366,55 374,95 Set/11 343,10 351,50 354,25 361,40 358,30 366,70 Dez/11 342,25 352,00 355,00 361,00 358,00 365,55 Set/12 332,55 341,00 343,85 347,90 344,00 349,25 Fontes: Cepea-Esalq/BM&F e Agência Estado Att. Senhores Assinantes: Em virtude dos feriados de Tiradentes amanhã (21) e da Sexta-Feira da Paixão (22), não haverá Cenário de Café na segunda-feira (25). As informações sobre a commodity nesta quarta-feira seguirão no próprio noticiário ao longo dia.

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