Produção

Nova estratégia no Cerrado mineiro

 

postado em 20/04/2011 | Há 7 anos

Valor Economico

20/04/2011
 
Nova estratégia no Cerrado mineiro
 
 
De São Paulo
Criada em 1992, a marca Café do Cerrado entra em uma nova fase, que passa a valorizar acima de tudo a identificação de origem de sua produção. A primeira mudança é que o antigo Conselho de Associações de Cafeicultores & Cooperativas do Cerrado (Caccer) deixou de existir e deu lugar à Federação dos Cafeicultores do Cerrado (FCC). A entidade já reúne sob um único guarda-chuva sete associações e oito cooperativas de cafeicultores do Cerrado mineiro.

A estratégia da federação é reforçar junto às indústrias torrefadoras e redes de cafeterias a ideia da identificação de origem da produção do Cerrado e tentar apagar a imagem de que o café do Cerrado é uma marca concorrente. "O que queremos agora é buscar junto aos consumidores o reconhecimento da região do Cerrado mineiro como origem produtora de cafés éticos, produzidos em terroir singular e garantidos pela indicação geográfica", afirma Francisco Sérgio de Assis, presidente da FCC.

O primeiro passo foi a contratação da Be Consulting para assessorar a entidade nos planos de atuação. Já dentro do novo conceito a federação terá um departamento de estratégia de mercado, que mapeará as demandas das indústrias com objetivo de atender o mercado consumidor e desenvolverá projetos de parceria com a iniciativa privada.

Na prática, a federação pretende trabalhar em conjunto com as indústrias para que, junto às marcas das empresas, seja estampado nas embalagens o selo "Região do Cerrado Mineiro", como a nova denominação de origem do produto. "Queremos entender a forma de pensar das torrefações e ajudar a levar os melhores produtos aos clientes finais", diz José Augusto Rizental, superintendente da FCC.

Os cafeicultores do Cerrado mineiro foram os primeiros a conseguir a identificação geográfico do produto, em 2005. A expectativa da FCC é que ocorra uma revisão de alguns processos de produção excluindo alguns pontos e incluindo outros, como forma de adequar o sistema às novas demandas do mercado e atrair mais produtores.

Hoje, a região do Cerrado mineiro produz aproximadamente 5 milhões de sacas, das quais apenas 2,5 milhões passam pela federação. A ideia é trazer para entidade toda a oferta da região, que engloba 55 municípios e abriga 4,5 mil produtores, sendo que 3,5 mil já fazem parte da entidade. "Nossa expectativa é que o projeto como um todo esteja completamente estruturado nos próximos três anos, para atingir um grau de maturidade nos próximos dez anos", afirma Rizental.

Entre os planos do projeto que começa a ser colocado em prática está a proposta de incentivo a outras regiões a buscarem a identificação geográfica. Além disso, do ponto de vista mercadológico, o plano é marcar presença tanto no mercado interno - por meio da parceria com as indústrias - quanto no externo, para onde já vai 70% de todo o café produzido no cerrado mineiro. "A marca própria está nos planos, mas isso é algo para o futuro", afirma Assis. (AI)

 

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