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Como já era esperado, o mercado físico brasileiro foi pouco ativo nesta penúltima semana de 2010, diz Carvalhaes

 

postado em 26/12/2010 | Há 7 anos

Boletim semanal - ano 77 - n° 51

Santos, quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Como já era esperado, o mercado físico brasileiro foi pouco ativo nesta penúltima semana de 2010. Um reduzido número de lotes foi oferecido no mercado e nem as altas na bolsa de Nova Iorque (ICE Futures US) animaram os produtores a colocar seus cafés no mercado. O que resta de arábica de boa qualidade está em mãos de cafeicultores mais capitalizados, que sabem o que se pode esperar da próxima safra, e assim não pretendem vender o final de sua produção deste ano sem esperar um desenvolvimento maior dos preços.

Os lotes de café arábica medianos e os fracos subiram pouco em 2010 e enfrentam um deságio enorme em relação aos de boa qualidade. Seus proprietários aguardam uma diminuição no diferencial para vendê-los, o que, em nossa opinião, deverá ocorrer a partir do início do próximo ano, com a escassez dos de melhor qualidade.

Esse diferencial de preços, atípico no mercado físico brasileiro, se deve à grande procura do mercado internacional pelos arábicas brasileiros de boa qualidade. Este interesse, que vem crescendo ano após ano, acontece por uma série de razões.

A primeira é o forte aumento da produção brasileira de arábicas preparados por via úmida (os CDs). Nos últimos vinte anos, foi grande o investimento na adequação e mecanização de lavouras, na compra de novos equipamentos para benefício e no treinamento de mão de obra para a produção de café de qualidade. Foi um salto tecnológico que mudou a imagem de nossos cafés junto aos grandes compradores. Aliado a esta crescente oferta de bons cafés no Brasil, outro fato que contribuiu para a grande aceitação de nossos cafés pelos compradores de qualidade, foram as seguidas quebras de safra (e qualidade) nos produtores tradicionais desses grãos. A pouca disponibilidade em seus fornecedores habituais e os baixos estoques de café em todo o mundo, forçaram muitos compradores a olhar com mais atenção para os CDs brasileiros, que já vinham conquistando indústrias de café gourmet ao redor do mundo. O mais interessante é que compraram e gostaram. Existem relatos de indústrias que nos últimos três anos praticamente dobraram suas compras de cafés de qualidade no Brasil.

Além de qualidade, o Brasil oferece quantidade, variedade, confiabilidade, segurança, infra-estrutura logística muito superior a seus concorrentes (em outubro último embarcamos 3,4 milhões de sacas!) e um mercado interno que é o segundo do mundo.

Como a alta atual só beneficiou os arábicas de qualidade, não se nota uma corrida para plantar café. Alguns cafeicultores estão aproveitando o ambiente favorável para se desfazer de suas propriedades.

O assunto mais comentado pelo mercado esta semana foi a possibilidade de compra da SARA LEE CORP. pela produtora brasileira de carnes JBS.Notícias que circularam na imprensa informam que as duas empresas tem mantido conversações há meses, mas ainda não conseguiram chegar a um acordo.

Até hoje, dia 23, os embarques de dezembro estavam em 1.799.334 sacas de arábica e 55.830 sacas de conillon, somando 1.855.164 sacas de café verde, mais 144.293 sacas de solúvel, contra 1.850.309 sacas no mesmo dia do mês anterior. Até hoje, dia 23, os pedidos de emissão de certificados de origem para embarque em dezembro totalizavam 2.627.795 sacas, contra 2.382.174 sacas no mesmo dia do mês anterior.

A bolsa de Nova Iorque – ICE, do fechamento do dia 17, sexta-feira, até o fechamento de hoje, quinta-feira, dia 23, subiu nos contratos para entrega em março próximo, 1.060 pontos ou US$ 14,02 (R$ 23,74) por saca. Em reais por saca, as cotações para entrega em março próximo na ICE fecharam no dia 17, a R$ 512,14/saca e hoje, dia 23, a R$ 528,61/saca. Hoje, quinta-feira, nos contratos para entrega em março, a bolsa de Nova Iorque fechou com alta de 570 pontos.

Escritório Carvalhaes

 

 

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