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JÁ VIMOS A ALTA DE 2010, MAS NÃO A DO CICLO 10/11 Por Rodrigo Costa

 

postado em 26/09/2010 | Há 7 anos

JÁ VIMOS A ALTA DE 2010, MAS NÃO A DO CICLO 10/11

Foi declarado oficialmente que a recessão americana acabou em junho de 2009, depois de 18 meses de duração – a mais longa da era pós-guerra. Para 9.5% da população que não tem trabalho esta tecnicalidade não vale para nada, e muitos ainda crêem que o risco de uma nova recessão existe.

Na reunião do FOMC (equivalente ao COPOM brasileiro), as taxas de juros dos Estados Unidos foram mantidas entre 0 e 0.25% ao ano, e o comitê sinalizou que está preparado para prover mais estímulos caso seja necessário. Com isto o mercado entendeu que o governo pode imprimir mais dinheiro, e o dólar fechou a semana 3.46% mais fraco que o Euro. Como consequência os índices de ações e commodities subiram ao redor de 2%, com o ouro fazendo uma nova alta histórica.

O café entretanto acabou caindo no período, em função das chuvas que foram boas em várias regiões produtoras no Brasil. A queda só não foi maior por causa da desvalorização do dólar, mas mesmo assim Nova Iorque e São Paulo encerraram a semana perdendo US$ 11.51 por saca, enquanto Londres ficou de lado caindo apenas US$ 0.54 por saca.

As perdas deram oportunidade para as casas comerciais comprar o mercado, diminuindo, ainda que de forma modesta, a baixa cobertura de futuros. No mercado físico o volume negociado foi mais baixo já que os produtores não digeriram a baixa. No FOB o destaque fica por conta da Colômbia que ofereceu diferenciais US$ 15 centavos mais baixos apenas nesta semana, tentando encontrar interesse de compra, que corajosamente foi recuado. Em outras palavras, embora o livro de cafés-suaves dos torradores esteja magro, a maioria não está aceitando pagar o preço alto, que tem se mantido há bastante tempo, e como já aguentaram esperar até agora, resolveram esperar ainda mais para quando houver uma maior disponibilidade do produto.

De repente a estratégia funciona já que a colheita começou na Colômbia, Costa Rica, Guatemala e Honduras, e logo será generalizada. Os fazendeiros destas origens vão tentar aproveitar os maiores níveis do terminal em 12 anos, coisa que apenas o Brasil por enquanto pôde se beneficiar, e devem sim oferecer diferenciais mais baixos. Além disso não podemos deixar de considerar que com a confirmação de mais chuvas (agora cobrindo todo o “cinturão de café”) esperadas para o final de setembro e começo de outubro, aqueles que ainda estão receosos em vender o mercado vão perder o medo, e como os fundos tem uma posição de 30 mil lotes comprados, ainda há espaço para mais baixas no mercado futuro.

Vale notar que na queda recente de US$ 8.00 centavos os fundos liquidaram apenas 3 mil lotes, e embora eu não acredite que reduzirão muito a posição, eles facilmente podem liquidar ou vender outros 10 mil lotes, o que me faz acreditar que Nova Iorque ainda pode cair mais 10 ou 15 centavos.

Na BM&F acabou a entrega do contrato de setembro de 2010, e o total de canudos que desceram foi de 246 mil sacas de 60kg, perdendo apenas para a entrega de setembro de 2009 que foi de 455,700 sacas. Ainda impressiona o volume não ter sido maior, dado que se esta não foi a maior oportunidade recente de ganhar dinheiro no café que tivemos, ao menos foi uma das mais fáceis. Inclusive conversando com um ilustre colaborador (que tem muito mais anos de janela do que eu) nesta semana, ele me confidenciou que havia sim armazéns que tinham capacidade de processar o café para entrega, e ele também não entendeu porquê mais agentes não aproveitaram a oportunidade (falta de capital?).

O fechamento do “C” não foi de todo o ruim, pois conseguiu se manter acima de US$ 180.00 centavos por libra, e os altistas apontam a fraqueza do dólar e a distância de pelo menos duas semanas para que outras origens comecem a participar das vendas, como uma indicação de que a baixa acabou.

Sem dúvida estes fatores podem amortizar mais liquidações, mas como mencionei acima creio que ainda poderemos ver uma queda maior, e que a normalidade do clima pode nos indicar que a alta de 2010 já foi vista – muito embora eu acredite que para o atual ciclo (2010/11) ainda podemos ver o mercado próximo de US$ 220.00 centavos.

Nas opções o destaque foi a compra, por parte de um fundo, de mais de 2 mil lotes de calls (opção de compra) de março de 2011 com o preço de exercício de US$ 240 centavos, e outros 1 mil lotes de call de US$ 260 centavos – tem gente animada ainda.

Continuo negativo para o curto-prazo.

Uma ótima semana e muito bons negócios para todos.

*Rodrigo Corrêa da Costa escreve este relatório sobre café semanalmente como colaborador da Archer Consulting

 

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