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HISTÓRIA DO CAFÉ - Ataque italiano ao Brasil

 

postado em 29/07/2010 | Há 6 anos


29/07/2010 07:07:45 - O Estado do Maranhão

Elson de Azevedo Burity

O sucesso consiste em ir de derrota em derrota sem perder o entusiasmo.(Winston Churchill)Durante a Segunda Guerra Mundial, o Brasil foi atacado várias vezes por submarinos das Marinhas Alemã e Italiana, quando muitas vidas foram perdidas, enlutando seguidamente a nação brasileira. Um desses ataques ocorreu ao anoitecer do dia 18 de maio de 1942, às 18:50 horas, quando o navio mercante \"Comandante Lira\",de propriedade do Lloyd Brasileiro, ao sair no dia anterior do porto de Recife, navegando em zig-zag para maior segurança, carregado com 79.400 sacas de café e comandado pelo Capitão-de-Longo-Curso Severino Sotero de Oliveira, singrava as águas do Atlântico com destino a New Orleans, nas proximidades da posição de latitude 02º 59’ S e longitude 34º 17’ W, correspondendo a 180 milhas náuticas do arquipélago de Fernando de Noronha.

Os depoimentos colhidos na época registram que no dia anterior ao ataque, cruzaram em alto mar com um navio mercante argentino e outro espanhol, coincidentemente países alinhados politicamente com a Alemanha e Itália. Não teriam aqueles navios, num ato de espionagem, passado informações da posição do \"Comandante Lira\" para as forças inimigas? Este não seria um dos motivos para a permanente desavença que cultuamos, até os dias atuais, com os argentinos?Após ser alvo de um disparo torpédico na altura do porão nº 2 de boreste , receber o impacto de 19 tiros de canhão de 100 mm, disparos diversos de metralhadora 13,2 mm e atingido por bombas incendiárias no convés principal, foi tomado por denso incêndio, deixando-o impossibilitado de navegar.

O pouco armamento que o \"Comandante Lira\" transportava um canhão 75 mm e duas metralhadoras calibre 7 mm, não pôde ser utilizado pelo artilheiro para sua defesa e logo a seguir seus 52 tripulantes iniciaram o abandono do navio.No meio daquele desespero, o primeiro telegrafista José Henrique da Silva teve uma atuação heróica, pois, mesmo não estando no seu horário efetivo de serviço, correu à estação rádio, conseguiu transmitir o pedido de socorro e logo após embarcou no seu bote salva-vidas. Isto foi realizado no lugar de seu colega, também telegrafista de serviço naquele instante, Leopoldo Zytkuewisz, que inválido da mão esquerda, não tinha condições de salvar-se utilizando cabo (corda) para descida ou escada do tipo quebra peito, sendo então lhe dada a preferência de procurar abrigo na baleeira nº 4 e salvar-se.

Esta logo que caiu n’água afastou-se do navio e foi focada com um holofote pelo submarino agressor, que a seguir disparou sua metralhadora sem, entretanto, atingir a baleeira.Por sorte, naquele momento, aviões que atenderam o pedido de socorro emitido pelo telegrafista José Henrique sobrevoaram o local e o submarino evadiu-se. Isto garantiu um rápido resgate dos náufragos por navios da Marinha Americana que patrulhavam aquela área do Atlântico e na manhã seguinte chegavam ao local o cruzador \"Omaha\" , rebocador \"Thrush\", os destróieres ‘Moffett\", \"Milwauk\", \"Jouett\", \"Mac Dougal\" e o rebocador brasileiro \"Heitor Perdigão\".

Em decorrência do \"Comandante Lira\" ser dotado de uma excelente reserva de flutuação ao possuir duplo fundo em todo o sentido longitudinal, dois pique-tanques à proa e à ré e dois deep-tank nos porões, mesmo seriamente avariado e em chamas, teve a sua flutuabilidade mantida e com muito sacrifício e profissionalismo conseguiu ser rebocado, chegando em Fortaleza no dia 25 de maio.

Mais tarde, soube-se que o submarino agressor tratava-se do italiano \"Barbarigo\", então comandado pelo capitão Enzo Grossi, nascido no Brasil em 20/abr/1908 e que após o término da guerra domiciliou-se na Argentina, onde faleceu em 11/ago/1960. Lamentavelmente, este submarino não chegou a ser abatido por nossa Marinha e pouco depois passou a operar no Oceano Índico.

No final daquele trágico cenário o saldo contabilizado de vítimas foi de dois desaparecidos (o foguista José Maurício de Melo e o moço Silvério Silva) e o navio ainda pôde ser recuperado para outras missões, sendo desativado em 1959.Este foi o primeiro ataque perpetrado por forças inimigas no litoral brasileiro, sem que o Brasil ainda tivesse declarado guerra aos países do eixo, o que veio ocorrer em 31 de agosto de 1942. Engenheiro e militar aposentado
 

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