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ESPECIAL 35 ANOS DA GEADA DE 1975 - Geada Negra de 1975 Por Roberto Bondarik

A "Geada Negra de 1975", responsavel pela erradicação total da cafeicultura paranaense naquele ano e com conseqüências profundas nos campos social, politico e econômico do Norte do Paraná ainda hoje.

 

postado em 17/07/2010 | Há 7 anos

A Geada Negra de 1975

Por Roberto Bondarik*

Geada Negra de 1975 que atingiu o ParanáEm 18 de Julho de 1975, há trinta e cinco anos, ocorria a Geada Negra, que erradicou a cafeicultura no Estado do Paraná. Naquela ocasião muitos não tiveram discernimento da amplitude dos problemas causados e das conseqüências que seriam geradas por esta geada, talvez ainda hoje muitos ainda não tenham essa compreensão.

Revistas e jornais daqueles dias mostram o frio europeu que atingiu o sul do Brasil. Em Curitiba ainda se relembra e comemora a neve daquela ocasião. No norte, onde o café era a principal atividade econômica, o frio intenso assumiu ares de tragédia, não sobrou espaço lembranças alegres. Haviam ocorrido geadas fortes em 1963, 1964 e 1966, prenúncios da maior de todas. No dia seguinte, a Folha afirmava que os cafeicultores estavam de luto, mas os órfãos, a história mostra isso, eram a população do Norte, em especial os colonos, os pequenos proprietários, os comerciantes, as cidades, todos aqueles que se relacionavam direta ou indiretamente com a cafeicultura. Foram todos atingidos em seu modo e no seu estilo de vida, tivemos de reaprender a viver.

Com as lavouras destruídas era preciso recuperar os prejuízos. As terras eram caras, precisavam continuar lucrativas, plantou-se soja, trigo e milho, principalmente. A mão-de-obra necessária era a mínima possível para as novas atividades. As colônias das fazendas começaram a se desfazer, os não proprietários passaram a se fixar nas cidades da região, muitos viraram bóias-frias. Londrina era sempre a melhor opção, surgiram bairros imensos, grandes conjuntos habitacionais como o “Cincão”. Outros foram para Curitiba e São Paulo. Próximo a Campinas, existem bairros inteiros habitados por gente que se orgulha e chora de saudade, por ser do Paraná. Para aqueles que já eram proprietários, optaram em vender o que possuíam e comprar novas terras em regiões livres do frio, assim hordas de paranaenses rumaram a Mato Grosso, Rondônia e Acre. Rapidamente Rondônia virou um Estado. Mato Grosso virou dois, no do norte estão muitos dos nossos antigos vizinhos.

Dizem que foi o maior fluxo migratório em tempos de paz, o êxodo rural norte-paranaense retirou do Estado quase 2,5 milhões de pessoas na década de setenta e 1,6 milhão na década de 1980, segundo dados do IBGE. Não é surpresa, cidades da região perderem lugar no ranking das mais populosas da região Sul.

Talvez tenha sido a Geada Negra de 1975, o maior golpe da história na economia e na sociedade do Paraná, um acontecimento que precisa ser estudado, explicadas as suas conseqüências. Buscamos, tateando, ainda hoje uma nova identidade econômica. Pessoalmente acredito que a solução de nossa economia e a construção de nossa riqueza se encontra na terra, em novas culturas e atividades, com a industrialização derivando, também, dessas atividades.

Prof. Roberto Bondarik  de Cornélio Procópio, Paraná, Brazil, que é Professor de História e pesquisador da Universidade Tecnológica Federal do Paraná, Campus Cornélio Procópio (bondarik@utfpr.edu.br)

Texto de Roberto Bondarik publicado na FOLHA DE LONDRINA em 2005 e republicado no blog http://robertobondarik.blogspot.com/2008/07/geada-negra-de-1975-erradicao-da.html


Comentário

Fábio Garcia Ribeiro
fabgarib@hotmail.com

Prezado Professor. Lembro-me muito bem daquela manhã. Tinha 10 anos e passava as férias de julho numa das fazendas da família em Siqueira Campos, no Norte Pioneiro. Dormimos os quator primos de 7, 8 e 10 anos de idade. Todos juntos numa mesma cama para nos aquecer. A tarde voltei para Fartura (SP), onde morava, no fuscão "Fafá" de meu primo, então estudante de Agronomia na Esalq em Piracicaba. Por onde passamos, só viamos os cafezais negros, como se houvesse atirado fogo.

Só sobraram as cinzas: Siqueira Campos, Quatiguá, Joaquim Távora e Carlópolis. Qual não foi a nossa surpresa, ao chegar na Fazenda Passo dos Leite, também de meu pai e tios, e verificarmos que apenas os cafeeiros nas baixadas estavam sapecados. O restante das árvores estavam intactas. Tempo depois, viemos a saber que o nosso cafezal não foi afetado devido a proximidade com a Represa de Xavantes (na época, da CESP), que criou um micro clima, protegendo a lavoura. Grande abraço.

 

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