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Países da América Central temem que clima afete setor cafeeiro

 

postado em 22/06/2010 | Há 7 anos


Agnocafé / CNC
22/06/2010

Os produtores de café da América Central estão temerosos em ter um clima mais úmido, depois da passagem de uma tormenta tropical, o que poderia implicar em mais prejuízos para suas safras, diminuindo ainda mais a oferta global do produto.
 
A Guatemala, o principal produtor de café da região, foi afetada no final do mês passado pela tormenta tropical Agatha, que deixou um saldo de 160 mortos e destruiu estradas e pontes. Os produtores e exportadores de café dizem que o se o prognóstico deste ano, de uma temporada de furacões bastante ativa, se concretizar, o excesso de chuvas e a maior umidade poderiam gerar fungos que colocariam em risco a produção.
 
A temporada de chuvas apenas está começando e isso apenas foi o primeiro desastre, sendo que se outro fosse verificado seria muito sério, apontou o presidente da Anacafé (Associação Nacional de Café da Guatemala), Ricardo Villanueva.
 
Nesta semana, os preços futuros do café arábica em Nova Iorque chegaram a bater na máxima de 27 semanas, por precaução quanto à diminuição dos estoques do grão. A Anacafé disse que, em um balanço geral, a maior parte da safra local sobreviveu intacta ao Agatha, que ocasionou uma perda de cerca de 60 mil sacas, uma pequena fração perto da projeção de produção de 3,76 milhões de sacas para o período.
 
Segundo sustentou a analista independente Judith Ganes-Chase, baseada em Nova Iorque, não há uma margem de ação suficiente no mercado para ter impacto com perdas pequenas como essa. \"O mercado está muito balanceado entre a oferta e a demanda, assim qualquer transtorno, qualquer perda nos países produtores poderia impactar os preços\", assinalou, por outro lado, Rodrigo Costa, vice-presidente de vendas institucional da Newedge USA.
 
Os cafeicultores da Guatemala, que ainda se recuperam do impacto direto da tormenta na infra-estrutura do país, temem que a prolongada umidade poderia gerar novas enfermidades nas lavouras. \"O problema dos fungos, mais ou menos, pode chegar a afetar de 10% a 20% do café do país\", disse Tomás Nottebohm, presidente da Associação dos Exportadores de Café da Guatemala.
 
Assim, os produtores de grãos de alta qualidade em regiões próximas da cidade colonial de Antigua já se preparam para mais chuvas, ao passo que empresas especializadas em meteorologia dos Estados Unidos fazem prognóstico de 23 novas tormentas tropicais presentes no Oceano Atlântico neste ano, sendo que sete delas podem alcançar a categoria de furacão.
 
“Estamos utilizando fungicidas e estamos fazendo tudo o que podemos, porém se as tormentas forem fortes não há nada o que possamos utilizar”, disse Carlos Garcia, diretor de uma fazenda produtora de café especial em San Miguel Dueñas, que teve uma perda de 10% da produção com a passagem do Agatha.
 
As perdas na América Central poderiam agravar os já reduzidos estoques de café arábica, que atualmente estão 40% abaixo de seu nível no ano passado, principalmente por conta da escassez de grãos na Colômbia.
 
Por sua vez, as lavouras de café em El Salvador, na sua maioria, saíram livres do Agatha, mas os produtores estão atentos para a chegada de novas chuvas. \"O que nos preocupa mais é que a terra está satura, as raízes não recebem oxigênio e a planta começará a perder seus grãos\", apontou Sergio Gil, diretor do Procafé (Fundação Salvadorenha para Pesquisa do Café).
 
Em Honduras, os produtores estão buscando o apoio do governo para reconstruir estradas destruídas, buscando, principalmente, a realização de aplicação de fertilizantes nas lavouras, com vistas para o início da safra, em outubro.

 

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