Tecnologias

Cinco etapas da boa adubação

Coleta e análise de solos, definição de classe de fertilidade, aplicação de calcário e gesso são passos fundamentais

 

postado em 28/05/2010 | Há 7 anos

Portal Dia de Campo

Nos últimos tempos, muitas pesquisas estão questionando a necessidade de usar as doses atuais de adubação. Muitos produtores adubam o solo de forma aleatória, sem saber das reais necessidades, e com isso não só desperdiçam elementos importantes da natureza como têm gastos desnecessários. O pesquisador em solos e nutrição de plantas André Guarçoni, do Incaper (Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural), diz que para aproveitar a adubação da melhor forma possível é preciso cumprir quatro passos antes da etapa final, que é a adubação em si. Ele diz que não existe boa adubação da tangerina sem coleta e análise de solo, definição de classe de fertilidade e recomendação de dose, além da calagem e gessagem, se as análises de solo comprovarem a necessidade das aplicações de cálcio e gesso.

Os produtores e até alguns agrônomos falam apenas da adubação em si, mas antes da adubação existem fatores ou características a serem levadas em consideração para que a adubação seja bem aproveitada, ou seja, mais econômica e com produtividade adequada. Não existe adubação correta sem coleta e análise de solo porque a adubação é a quantidade exigida de nutrientes pela cultura menos a quantidade de nutrientes existente no solo. Se eu não sei a quantidade de nutriente que o  solo pode suprir eu não sei quanto que eu tenho que adubar. Com as análises de solo na mão, eu determino as doses recomendadas de fertilizante para aquele solo. Só depois de todos esses passos é que vem a adubação — explica Guarçoni.

O pesquisador do Incaper deu uma palestra nesta quinta-feira, 27, sobre a nutrição equilibrada da tangerina durante o Dia de Campo da Tangerina Ponkan, no Espírito Santo. Ele diz que a calagem é fundamental para a nutrição da tangerineira porque o cálcio é o nutriente mais importante para o desenvolvimento da planta. Além da calagem, ele diz que a gessagem também é necessária porque ele se aprofunda no solo permitindo maior crescimento das raízes. O gesso oferece cálcio e enxofre em profundidade e a raiz da planta cresce em busca de cálcio, com isso a raiz se aprofunda mais, explora mais o volume de solo, aproveitando melhor os nutrientes que estão nele e sofre menos com secas e veranicos. Além disso, o gesso também reduz a toxidez de alumínio em profundidade.

Após estes quatro passos o produtor deve aplicar os nutrientes necessários ao solo. Os principais macronutrientes da tangerina são o cálcio, o nitrogênio e o potássio e os micronutrientes mais importantes são o ferro, o boro e o zinco. Eles podem ser aplicados via solo ou via foliar em quantidades que um engenheiro agrônomo vai determinar, a partir dos resultados da análise de solo. Segundo Guarçoni, o ferro é um elemento que geralmente já é encontrado em quantidade suficiente nos solos brasileiros e não precisaria ser aplicado na maioria dos casos.

A calagem deve ser feita na cova também, mas ela precisa ser muito bem calculada para o volume da cova. Vemos coisas que deixa a gente até arrepiado, o profissional calcula a necessidade de calagem para o hectare inteiro, divide pelo número de covas daquele hectare. Com isso, o volume de calcário que vai pra cova é muito alto. Isso reduz os teores de micronutrientes, há uma lavagem do potássio que estaria presente. Uma cova de 60 centímetros por 60 cm tem 216 dcm³ de solo, se eu calculo a necessidade de calagem para o hectare e isso dá 5 toneladas por hectare isso me dá apenas 540 gramas de calcário por cova e a gente vê muito produtor aplicar 1,5 kg de calcário numa cova desse tamanho. Vai ter problemas com fósforo que está sendo aplicado também. Além da calagem, a gente aplica também matéria orgânica na cova como esterco curtido e composto orgânico, isso é fundamental para o crescimento inicial da tangerina — diz o pesquisador.

Guarçoni diz que o produtor precisa tomar muito cuidado com a aplicação do cloreto de potássio por causa do teor de salinidade. Ele recomenda que a dose de fósforo deve se no máximo 70 gramas por cova, caso o teor de fósforo seja muito baixo. Já para o potássio, a dose máxima recomendada de cova é de 20g, o que dá cerca de 350g de superfosfato simples e 34g por cova de cloreto de potássio. Ele diz que o adubo nitrogenado deve ser colocado depois de 1 mês de plantio, quando a planta já começou a crescer.

Uma boa adubação de produção também é importante. As doses aplicadas são baseadas na produtividade esperada da cultura para o hectare e pela análise de solo. Deve ser realizado no mínimo 3 parcelamentos para o adubo nitrogenado e o adubo potássio no período chuvoso. No primeiro parcelamento eu aplico 40% da dose recomendada, no segundo e terceiro parcelamento aplico 30% em cada. A importância de se parcelar é reduzir as perdas de nitrogênio por volatização ou lixiviação. O local de aplicação de adubação para produção deve ser em baixo da copa da planta porque 90% das raízes absorventes de nutrientes estão em baixo da copa da planta. É o mesmo local onde deve ser feita a análise de solo — ensina Guarçoni.

 

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