Consumo

Rivais tentam aproveitar a fonte de lucros da Nespresso

28/04/10

 

postado em 28/04/2010 | Há 7 anos

Valor Econômico

Christina Passariello, The Wall Street Journal, de Paris As elegantes máquinas de café da Nespresso invadiram milhões de cozinhas europeias sofisticadas na última década e mudaram a maneira como as pessoas fazem café, tornando-se um negócio de US$ 2,6 bilhões. Mas surgiram recentemente alguns problemas para a Nespresso, uma marca da gigante suíça dos alimentos Nestlé SA. Outra máquinas parecidas começaram a se popularizar. E, mais importante, duas novas cápsulas de café ameaçam desfazer o domínio da Nespresso sobre o mercado, descarrilando um modelo de negócios altamente lucrativo, que se baseia em cápsulas especialmente preparadas para fornecer uma porção após serem colocadas na máquina. Até este mês, os 8 milhões de clientes da Nestlé Nespresso SA podiam usar apenas as caras cápsulas da empresa nas máquinas, um sistema protegido por 1.700 patentes. Mas agora dois concorrentes - a fabricante americana de alimentos Sara Lee Corp. e a novata suíça Ethical Coffee Co. - alegam ter encontrado uma fissura na muralha de patentes da Nespresso. As empresas afirmam ter explorado isso e criado cápsulas compatíveis com as máquinas da Nespresso sem infringir as patentes da empresa suíça. As novas cápsulas são mais baratas e mais fáceis de encontrar que as da Nespresso. \"A Nespresso foi uma verdadeira inovação, mas ainda é só café\", diz o fundador da Ethical Coffee Co., Jean-Paul Gaillard, que comandou a Nespresso até 1997. \"As pessoas querem o sabor certo a um preço bom.\" O diretor-presidente da Nespresso, Richard Girardot, disse que mandou especialistas em patentes examinar as cápsulas da Sara Lee e fará o mesmo quando as da Ethical Coffee chegarem às lojas, em maio. Ele disse ao Wall Street Journal que se as cápsulas da Sara Lee e da Ethical infringirem as patentes da Nespresso - sejam as cápsulas ou a \"unidade de preparação\" - a Nestlé está preparada para buscar a via judicial. Girardot disse que as máquinas da Nespresso evoluíram bastante nos últimos 15 anos, e por isso ele não teme que os segredos industriais da Nestlé estejam sob risco pelo fato de Gaillard ter trabalhado lá até 1995. Gaillard, da Ethical Coffee, diz que tomou cuidado para não infringir as patentes da Nespresso. A Nespresso cultivou sua marca com o elegante design das máquinas - cujas superfícies têm partes de cromo e preto brilhante. A empresa abriu mais de 200 butiques em cidades cosmopolitas como Paris e São Paulo, onde potenciais clientes podem beber um expresso de graça. As cápsulas de café da Nespresso são vendidas apenas nas lojas, em seu site ou por telefone. As máquinas podem ser compradas de outros varejistas. Outro aspecto importante é que a Nespresso mantém os clientes cativos vendendo as únicas cápsulas compatíveis com as máquinas - a partir de 33 centavos de euro a dose. A Nespresso vendeu 5,5 bilhões de cápsulas no ano passado. A Nespresso não divulga os lucros, mas analistas dizem que a maior parte dos ganhos vem das cápsulas. As vendas da Nespresso subiram 30% ano passado e mais que dobraram desde 2006. A França é seu maior mercado e a Europa Ocidental respondeu por 80% das vendas no ano passado. A marca também cresce rápido nos Estados Unidos e no Brasil. Embora a Nespresso tenha lançado a primeira máquina de expresso para cápsulas com porção única em 1986, existem agora 31 sistemas concorrentes e compatíveis com cápsulas específicas, diz Girardot. As máquinas concorrentes custam cerca de metade do preço de uma Nespresso. Entre as rivais estão a Tassimo, da Kraft Foods Inc., a Senseo, marca da Sara Lee, e a Flavia, da Mars Inc. As vendas de cápsulas de café subiram 22% na França no ano passado, segundo a firma de pesquisa de mercado Euromonitor. A Senseo ultrapassou a Nespresso anos atrás e se tornou a máquina de café mais vendida, atualmente na casa de 26 milhões de unidades. Mas a Sara Lee queria roubar os consumidores de luxo da Nespresso - que gastam mais que os donos da Senseo. Assim, dois anos atrás, começou a desenvolver cápsulas de café compatíveis com as máquinas da Nespresso. A Ethical Coffee iniciou um projeto parecido na mesma época. Usando sua marca francesa de café, a linha LOr da Maison du Café, a Sara Lee projetou um cilindro de plástico curto e grosso que lembra o formato das cápsulas de alumínio da Nespresso. Mas as cápsulas da LOr são perfuradas no topo e no fundo, permitindo que a água quente e o vapor perpassem o café, como num filtro comum; as cápsulas da Nespresso se rompem quando sob pressão do vapor dágua. A Sara Lee lançou a LOr no início do mês e ela já está nas prateleiras de 2.000 supermercados franceses. Custando 30 centavos de euro a dose, as cápsulas são bem mais caras que as da Senseo, vendidas na faixa de 13 centavos de euro. Mas são 10% mais baratas que as versões mais vendidas da Nespresso. Gaillard fechou um acordo de exclusividade com a rede francesa de supermercados Casino Guichard-Perrachon SA, a sócia do Pão de Açúcar, para vender as cápsulas da Ethical Coffee como uma marca própria das redes Casino e Monoprix. Como produtos de marca própria, serão mais baratos que os da Nespresso, mas ainda lucrativos, diz ele.
 

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