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SINCAL pede agilidade das lideranças e Ministérios

 

postado em 25/02/2010 | Há 8 anos

SINCAL pede agilidade das lideranças e Ministérios
Terça, 23 Fevereiro 2010 15:59 |   

Como em 2009 as medidas para resolver os problemas da cafeicultura foram truncadas, lentas, morosas, pífias e não atenderam às solicitações do setor, atendendo somente os interesses dos demais elos da cadeia, a SINCAL solicita aos lideres, políticos e Ministérios, agilidade e liberação, em tempo hábil, das medidas propostas para a cafeicultura.


Enumeramos nove pontos de suma importância para os cafeicultores e esperamos das nossas lideranças, empenho e agilidade na liberação das mesmas.


Os nossos cafeicultores necessitam dessas liberações nas épocas propostas, pois, estamos nos aproximando de uma grande colheita e sem essas definições estaremos “doando” mais uma vez, os nossos cafés para o mercado internacional.


                                            

                                                       SINCAL

 

Segue propostas abaixo:

 

Medidas da SINCAL para a cafeicultura em 2010


A SINCAL reuniu-se, no dia 12/01/2010, no Sindicato Rural de Altinópolis/SP, para discutir diversos assuntos entre os quais as medidas para apoiar a nossa cafeicultura em 2010. Como a SINCAL é conhecedora das debilidades da cafeicultura, resolveu-se iniciar, o mais cedo possível, visando medidas, em tempo hábil, pois no ano passado ocoreram muitas embromações por parte do Ministério da Agricultura que nomeou um grupo de trabalho encabeçado pelo Sr. Manuel Vicente Bertone, que infelizmente caracterizou-se por um desfiladeiro semanal na expectativa para apontar soluções do endividamento e de medidas de apoio que terminaram num relatório pífio com medidas inócuas em detrimento aos produtores. Prova disso, que não existe um planejamento estratégico e, desconhecemos a realidade dos nossos estoques nas cooperativas e noutros setores comerciais tanto da parte qualitativa como quantitativa descaracterizando uma visibilidade e prejudicando os cafeicultores, beneficiando claramente o comércio e algumas cooperativas que não passam de meras exportadoras.


Somado aos aspectos mencionados, temos as previsões feitas pela CONAB e IBGE, que colocam números pouco confiáveis, pois, o próprio Presidente da CONAB colocou dúvidas nos números/levantamentos, trazendo um grande constrangimento junto aos exportadores. Isso ocorreu em 2009 e foi amplamente ventilado na imprensa. Portanto, colocar uma previsão de colheita de 2010/2011 “pura e crua” desconhecendo os estoques, como acabamos de citar, é um erro grosseiro, dando asas ao setor especulativo ajudando a matar a classe produtora e mostrando amadorismo.


Prova disso tudo é a continuidade das exportações de café pelo Brasil, entregando nossos cafés, “a preço de banana” expressão muito utilizada para caracterizar preços extremamente baixos. Enquanto nossos concorrentes vendem com ágio e muito acima da bolsa de Nova York como:

 

* Nova York Eletrônica – 1, 45 centavos de E.U $ / libra peso = E.U. $ 191,80 / saca x 1,75 = R$ 335,65 / saca fob.


* BM&F Brasil março de 2010 E.U. $ saca = E.U. $ 177,00 / saca 1,75 = R$ 309,75 / saca


* Café Colombiano (I.E)* NY E.U $ / libra peso = E.U. $ 2,0909 = E.U. $ 276,58 / saca x 1,75 = R$ 484,02 / saca fob.


* Café da América Central E.U. $ / libra peso = E.U $ 2.105 = $ 266,54 / saca x 1,75 = R$ 466,45 / saca fob.


* Café do Quênia E.U. $ / libra peso = E.U. $ 2,22 = $ 293,66 / saca x 1,75 = R$ 513,90 / saca fob.


                                                                                                                                                                   *Imediato Eletrônico

 


Portanto senhores, enquanto estamos vendendo nosso café arábica de qualidade excelente, senão melhor que os concorrentes, uma base de R$ 309,75 BM&F, a Colômbia está vendendo R$ 484,02, os Centrais estão vendendo a R$ 466,45 Quênia está vendendo a R$ 513,90 / saca. Portanto, não dá mais para aguentar tamanha injustiça. É muita deslealdade. Estamos sendo profundamente prejudicados econômicamente. Isso é só um exemplo do momento, sendo que nos últimos 13 anos perdemos R$ 100,00 / saca dentro da mesma sistemática apresentada. Exportamos nos ultimos 13 anos 280 milhões de sacas de café arabica perdendo portanto 28 bilhões de Reais saindo unicamente da receita do produtor.


O Brasil continua exportando recordes de quantidades e causando recordes de prejuízos aos cafeicultores. Em 2009 exportamos 30,3 milhões de sacas de café, segundo o CACAFÉ, e os cafeicultores estão perdendo R$ 200,00/saca em média em relação aos nossos concorerentes. Portanto senhores, vejam a incopetencia da nossa gestão de café, estorquindo dos cafeicultores, dos trabalhadores rurais e do nosso país que em decorrência a isso e outros fatores passamos a fazer parte do título vexaminoso de subdesenvolvido e terceiro mundista e, aqui quem provoca essa situação não são nossos negros e os pobres, mas sim os empresários e seus executivos e funcionários públicos graduados que vivem do erário público entre outros sugando o sangue de quem produz.

 


Nesses últimos meses estamos com mais de 50% de markte share (participação de mercado) na exportação de café arábica e incrivelmente continuados a praticamente “doar nossos cafés para o mundo rico”. Onde está o Ministério da Agricultura, da Fazenda e outros setores governamentais e nossas lideranças? Propositalmente estão cegos, incompetêntes ou ambos. Isso é um descalabro, vender muito mais barato que nossos concorrentes num mercado já claramente caracterizado por falta de café. Países concorrentes ao Brasil deixaram de vender café por escassez de produto. Um absurdo. Nossos cafeicultores estão sendo frontalmente prejudicados.


Baseados no exposto a SINCAL traçou pontos que deverão ser aprovados, o mais rápido possível, para darmos entrada na safra vindoura com as decisões claras e praticáveis como:


1         – Preço Mínimo – Reajustar o preço mínimo de R$ 261,69/saca, que por um erro grosseiro do governo fixou abaixo do custo de produção. Sabemos que pelos próprios dados da CONAB o custo de produção ficava acima de R$ 320,00/saca, reconhecido verbalmente, em agosto de 2009, pelo Ministro da Agricultura.


2         – Pré-Comercialização – Realizar as pré-comercializações a partir de maio de 2010, na entrada da safra, com 80% do preço mínimo corrigido e os vencimentos das mesmas a partir de 12 meses após a contratação o que não interferirá na safra de 2011, pois, sabemos que será uma safra baixa em decorrência a própria bienalidade e falta de tratos culturais.


3         – Opções de Venda – Como o próprio governo já manifestou a estratégia de retirar Dez milhões de sacas do mercado para estocagem, faz-se necessário que as opções de venda ocorram a partir de agosto, para não acarretar excesso de oferta e não deixar os preços caírem. Sendo assim distribuídas dentro de 2010:


Em Agosto       - 1.250.000 sacas;


Em Setembro    - 1.250.000 sacas;


Em Outubro      - 1.250.000 sacas;


Em Novembro   - 1.250.000 sacas;         Totalizando cinco milhões de sacas


O preço das opções deverá ser reajustado acompanhando o mesmo raciocínio do preço mínimo. Os demais itens que norteiam essa modalidade de negócio deverão acompanhar as portarias já aprovadas dentro de 2009.


4         – AGF (Aquisição do Governo Federal) – Aquisição de dois milhões de sacas de cafés mais fracos como os de bebida RIO e RIADO, seguindo as portarias já existentes acrescentando o carrego financeiro, sacaria e frete.


5         – Custeio de Colheita – Liberação das verbas a partir de março e abril de 2010 com o início da arruação e compra de materiais de colheita, revisão dos veículos para transporte dos trabalhadores entre outras. O pagamento do custeio da colheita só se dará com o atingimento do preço mínimo e poderá optar para pagar em café colocando nos estoques da CONAB.


6         – Custeio para Tratos Culturais – Liberação das verbas a partir de agosto de 2010 para as aquisições de calcário, adubos e defensivos. Com isso evitaremos as trocas físicas, famigeradas, realizadas pelas multinacionais que além ganhar suas ricas margens ainda, ganham em cima do café da troca. O cafeicultor com o dinheiro na mão irá adquirir seus insumos com melhores preços diminuindo o custo de produção dando maior competitividade a nossa cafeicultura perante o mercado internacional.


7         – Levantamento dos Estoques – Fazer levantamento de estoques com verbas do FUNCAFÉ, contratando empresas de credibilidade internacional para evitar as especulações. Empresas como a Control Union e SGS. Esses estoques deverão ser levantados quantitativamente e qualitativamente, nas cooperativas e no comércio em geral.


8         – Erradicação dos cafezais – Promover a erradicação de lavouras de baixa produtividade com remuneração ao cafeicultor para abater de suas dívidas perante o FUNCAFÉ. Esse plano de erradicação será sugerido pela SINCAL nas próximas semanas, mas, a princípio pensamos em erradicar 15 a 20% das lavouras consideradas de baixa produtividade.


9         – Endividamento – Com relação ao endividamento dos cafeicultores, consideramos que o ideal é o que está preconizado na Carta de Varginha de 16/03/2009 oriunda do Movimento SOS Café, sem a qual os cafeicultores não serão beneficiados com uma implantação das medidas acima propostas.


Aguardamos um posicionamento.


Atenciosamente, SINCAL


Associação Nacional dos Sindicatos Rurais


das Regiões Produtoras de Café e Leite

 

                                                                   

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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