fonte: Cepea

Tarifaço de Trump deve deixar mais caro o café do Brasil nos Estados Unidos

Custo para os exportadores também deve subir. Produto é um dos principais da pauta de exportações brasileiras para o mercado americano

Por Globo Rural

O governo Donald Trump confirmou novas tarifas recíprocas a diversos países. Para o Brasil, o presidente dos Estados Unidos anunciou uma taxa de 10%, o mínimo que o governo americano estabeleceu para seus parceiros comerciais. Entre os setores que devem sofrer impacto no comércio bilateral é o café.

Os Estados Unidos são os maiores importadores do grão brasileiro, atrás apenas da União Europeia. Levantamento do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) mostra que os americanos foram o destino de 16,1% do volume embarcado do produto no ano passado. As remessas cresceram 34% em comparação com 2023.

Considerando a pauta total de exportações do agro brasileiro para o país, o café, como segmento, representou 5% do volume embarcado. Como produto, individualmente, o verde (em grão) é o líder do ranking das exportações do agro do Brasil para os Estados Unidos, superando a celulose, o suco de laranja e a carne bovina in natura.

Com 70% dos adultos americanos consumindo café toda semana, a bebida há décadas entra nos EUA sem tarifas, mas, depois do discurso do presidente americano na Casa Branca, a situação deve mudar. Além do Brasil, os EUA vão impor tarifas para Vietnã e Indonésia, segundo e terceiro maior produtor de café do mundo, respectivamente.

Exportações do agro do Brasil para os EUA – por segmento/2024

SETORVALOR (US$)VOLUME (em mil t)PART. VALOR (%)PART. VOLUME (%)
PRODUTOS FLORESTAIS3.733.521.6964.907,0030,8852,02
CAFÉ2.074.860.637471,5317,165,00
CARNES1.409.071.627248,511,652,63
SUCOS1.193.158.1211.326,009,8714,06
COMPLEXO SUCROALCOOLEIRO794.284.4411.382,006,5714,65
TOTAIS12.091.819.7709.433,00100100

Fonte: Agrostat/Mapa (ranking baseado na receita das exportações)

De acordo com um estudo conduzido pela consultoria Technomic, em nome da Associação Nacional do Café dos Estados Unidos (NCA, sigla em inglês), o fato de o país não produzir o grão torna a imposição de tarifas uma medida política “custosa e incomum”.

O diretor-executivo do Cecafé, Marcos Matos, afirma que a cadeia de café do Brasil está alinhada com a NCA de encontrar pontos em comum e equilibrados para não prejudicar a parceria comercial de décadas. Matos explica que tem se reunido com o presidente da entidade americana, Bill Murray, para tratar da relação bilateral e das exportações de café brasileiro para o mercado americano.

Segundo o executivo brasileiro, as reuniões têm sido feitas mesmo antes do primeiro anúncio de tarifas pela Casa Branca, já que os dois executivos previam uma onda de protecionismo que poderia prejudicar as exportações de alimentos do Brasil e de outras origens.

“Isso vem sendo possível graças ao trabalho que temos feito com o presidente da NCA, Bill Murray, com quem estamos conversando há tempos e com quem temos um consenso de que as negociações precisam ter um tom conciliativo”, disse ele ao Valor. A conciliação que o diretor se refere é de encontrar pontos de equilíbrio nas negociações de café entre Brasil e Estados Unidos.

Nos Estados Unidos, o café representou mais de 8% do valor total da indústria de serviços alimentícios em 2022, segundo o levantamento da NCA. No período, os consumidores gastaram quase US$ 110 bilhões em café e produtos relacionados. “Para cada dólar gasto com importações de café [nos EUA], o setor gera US$ 43 em valor para a economia dos EUA”, quantificou o levantamento.

O mercado global movido pela indústria de café é avaliado em US$ 460 bilhões, mas enfrenta um futuro incerto à medida que políticas comerciais protecionistas que ameaçam cadeias de suprimentos, preços e hábitos de consumo, apurou a NCA.

Agenda controversa

Outro site de inteligência de mercado de café, o americano Coffee Inteligence, apontou que há uma controvérsia na agressiva agenda comercial de Trump, pois as consequências para importadores e consumidores podem ser “severas”.

“Os importadores dos EUA poderão enfrentar taxas entre 0% e 45% sobre o café, dependendo da origem”, especulou Peter Bay Kirkegaard, principal assessor sênior da Confederação da Indústria Dinamarquesa, citado no relatório da Coffee Inteligence.

Nas previsões, seriam entre 10% e 15% para a Colômbia, 10% a 15% para Honduras, Guatemala e Nicarágua, e até 45% para o México. Embora a guerra comercial no café tenha alcance global, o relatório destaca que as primeiras vítimas seriam México e Canadá.

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