O consultor de Safras & Mercado, Gil Barabach, salienta que no momento estão no radar o clima no Brasil
Porto Alegre, 28 de março de 2025 – O mercado internacional de café teve um mês de março marcado pela tradicional volatilidade, com ampla oscilação de preços, e com atenções mantidas na safra brasileira de café de 2025. O mercado de clima esteve presente com toda força, com as chuvas inexistentes em alguns momentos e irregulares em outros mantendo preocupações sobre ainda maiores perdas no potencial produtivo brasileiro. O balanço mensal dos preços foi positivo tanto nas bolsas quanto no mercado nacional (tomando por base os valores até a quinta-feira, 27, no comparativo com o último dia de fevereiro).
O consultor de Safras & Mercado, Gil Barabach, salienta que no momento estão no radar o clima no Brasil, embora a preocupação com a falta de chuvas no Vietnã também tenha influenciado as oscilações nas bolsas.
“Após algumas semanas sem chuvas e com temperaturas muito altas, a umidade retornou às áreas produtoras de café do Brasil, inicialmente de forma irregular, mas com previsão de intensificação ao longo dos próximos dias”, comenta.
A perda no potencial produtivo do arábica brasileiro em 2025 é certa e muito significativa após a longa seca em 2024 e elevadas temperaturas. As condições para o conilon são melhores no país. Barabach observa que a previsão de chuvas mais abundantes em todas as regiões de Minas Gerais reduziu o estresse hídrico e estimulou o desmonte das proteções climáticas na bolsa. Na queda, destaca o consultor, o mercado se afastou da linha de 400 centavos, e a posição maio/25 voltou a operar abaixo de 380 centavos de dólar por libra-peso em Nova York.
Já a falta de chuvas no Vietnã também contribuiu para a volatilidade climática. As chuvas começaram a aparecer nos mapas, favorecendo o movimento corretivo tanto do robusta no terminal de Londres quanto influenciando o recuo em Nova York.
“O mercado deve continuar volátil por mais um tempo, com a agitação ganhando intensidade devido à baixa disponibilidade física de café”, analisa.
O contrato maio em NY atingiu patamar histórico de alta no dia 05 de março, atingindo no topo da sessão 409,95 centavos de dólar por libra-peso. Afora as questões envolvendo temores com a oferta global, as instabilidades financeiras mexeram muito com o mercado. As oscilações do dólar contra o real e outras moedas, altos e baixos nos mercados com as notícias de novas guerras tarifárias com o governo americano de Trump, contribuíram para a volatilidade.
No dia 14 de março, em processo de correção técnica e com indicações de chuvas benéficas no cinturão cafeeiro do Brasil, os preços para maio em NY tiveram a mínima do mês, batendo em 373,25 centavos de dólar por libra-peso.
No balanço mensal até esta quinta-feira, 27, o contrato maio em NY acumulou uma alta de 1,5%, tendo fechado a última sessão de fevereiro em 373,05 centavos e este dia 27 em 378,80 centavos. Em Londres, o contrato maio do robusta acumulou no período alta de apenas 0,4%.
Com pouco café disponível nesta entressafra, o mercado físico brasileiro teve um março arrastado na comercialização. Os vendedores aparecem apenas para negociações pontuais, enquanto os compradores procuram também a cautela à espera da entrada da safra nova, que se aproxima.
No balanço de março, o café arábica bebida boa no sul de Minas Gerais, com 15% de catação, subiu 3,6%, passando de R$ 2.470,00 para R$ 2.560,00 a saca na base de compra. Já o conilon tipo 7, em Vitória, Espírito Santo, em março, avançou 0,25%, passando de R$ 1.975,00 para R$ 1.980,00 a saca.
Lessandro Carvalho / Agência Safras News
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