fonte: Cepea

Café tomba em NY e volta a trabalhar abaixo de US$ 4 lb

O robusta em Londres também recuou, mas bem menos, enquanto no Brasil as cotações também cederam em linha com as perdas externas

21 de fevereiro de 2025 | Sem comentários Mercado

A semana foi de fortes quedas para o arábica na Bolsa de Nova York, que baliza a comercialização internacional do café.

O robusta em Londres também recuou, mas bem menos, enquanto no Brasil as cotações também cederam em linha com as perdas externas e com a desvalorização também do dólar.

Segundo o consultor de Safras & Mercado, Gil Barabach, em NY o mercado fraquejou diante da resistência de 420 centavos nos movimentos de alta, e na queda acabou perdendo a importante referência de 400 centavos de dólar por libra-peso para a posição maio/25, acentuando a baixa.

“Os sinais de mercado sobrecomprado e a dificuldade em dar sequência ao movimento de alta abriam espaço para correções e o aparecimento de mais vendedores no mercado.

A redução de carteira comprada por parte dos fundos já esboçava timidamente essa mudança de comportamento”, comentou. Para Barabach, o mercado estava esticado demais, vulnerável, por isso, a correções. Mesmo assim, ele aponta que ainda se percebe uma cautela entre os operadores, o que ainda pode provocar novas volatilidades.

“Os recentes rallies de alta acabaram machucando muita gente, o que justifica a cautela. Porém, a confirmação da perda da linha de 400 centavos de dólar por libra-peso tende a dar sequência ao movimento corretivo, buscando reaproximar a referência de bolsa do mercado físico, o que ajudaria a devolver a dinâmica às negociações”, avalia.

No lado fundamental, salienta o consultor, o mercado olha para as safras do Brasil, Vietnã e Indonésia, esperando por novos sinais produtivos. Operadores aguardam indicativos do tamanho da safra de Brasil e Indonésia e o potencial da safra do Vietnã. No Brasil, Barabach indica que a expectativa para a safra de canéfora (conilon + robusta) é bastante positiva, com indicações de um aumento significativo em relação ao ano anterior.

“A confirmação desse cenário pode gerar pressão negativa contra os preços. Em seguida, o avanço da safra de arábica brasileira, que deverá ser menor que a colhida em 2024, mas melhor do que o projetado no pós-florada. Apareceu mais café no pé do que o esperado, além de condições climáticas favoráveis à granação nesse início de 2025. O aumento da oferta, mesmo com uma safra menor, pode favorecer algum movimento corretivo”, analisa.

Apesar desses sinais de melhora na oferta com a chegada da safra brasileira, o comprador deve continuar agressivo, o que pode aliviar, pelo menos no início da safra, os efeitos da pressão sazonal, coloca o consultor.

“Além disso, o produtor também deve apostar no inverno, o que pode influenciar o ritmo das vendas. O próprio preço elevado do café pode ajudar a aliviar a pressão vendedora, uma vez que o produtor precisará de menos sacas para cobrir suas despesas com a colheita e outros custos”, aponta.

Isso pode resultar em uma transição mais tranquila no início do novo ciclo produtivo, atenuando o efeito da chegada de café novo no mercado sobre os preços. No balanço dos últimos sete dias em NY (entre as quintas-feiras 13 e 20 de fevereiro), o contrato maio caiu 8,3%, de 425,10 para 389,90 centavos de dólar por libra-peso.

Em Londres, o robusta para maio caiu no mesmo intervalo 2,3%. No mercado físico brasileiro de café, os preços também caíram acompanhando as perdas externas, mas ainda permanecem muito valorizado.

“Um destaque é a agressividade de algumas indústrias de torrado e moído, que, mesmo com a bolsa em baixa, mantiveram preços elevados para atrair vendedores”, destaca Barabach.

A ideia de arábica bebida boa no Sul de Minas gira em torno de R$ 2.560, com poucos vendedores pedindo R$ 2.600 a saca de 60 kg. Algumas indústrias chegaram a pagar R$ 2.630 por esse café. Se comparado ao preço no início de 2024, quando era negociado a R$ 1.025 a saca, o café ainda mantém uma valorização expressiva, entre 150% e 154%.

O conilon tipo 7/8 em Colatina no Espírito Santo gira em torno de R$ 2.040 e R$ 2.050 a saca, o que representa uma valorização de 144% em comparação ao mesmo período de 2024, quando trocava de mãos a R$ 835 a saca. “O conilon tem perdido força em relação ao arábica, o que tem levado a indústria a alterar seus blends, aumentando a participação do canéfora.

Esse interesse deve movimentar o mercado no início da safra, garantindo uma boa presença da indústria doméstica e aliviando a pressão negativa contra os preços”, comenta o consultor.

Para o consultor, em linhas gerais, o produtor continua confortável, com a cotação da bebida ainda muito elevada.

“Uma correção mais expressiva nos preços pode estimular um aumento no interesse de venda por parte dos produtores. Mesmo assim, a tendência é que a comercialização siga de forma cadenciada, com o produtor apostando, entre outras coisas, com o inverno brasileiro”, conclui.

Lessandro Carvalho / Agência Safras News

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