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Procafé: Cuidado com a recepa de cafeeiros Por José Braz Matielo

A adoção da poda em cafeeiros deve ser feita observando as condições da lavoura a ser podada, mas, no geral, deve-se ter em mente que recepar as plantas só em último caso, quando não houver outra alternativa.

 

postado em 20/09/2017 | Há 2 meses

A adoção da poda em cafeeiros deve ser feita observando as condições da lavoura a ser podada, mas, no geral, deve-se ter em mente que recepar as plantas  só em último caso, quando não houver outra alternativa.

A recepa é um tipo de poda drástica em cafeeiros, já que promove o corte baixo do tronco da planta, com isso sendo perdida toda a copa. Essa perda exige nutrientes e consome tempo pra ser recomposta, havendo perda total ou parcial da produção por, pelo menos, 2 safras. Além disso, ao se fazer a recepa é preciso, em seguida, tomar cuidados especiais na condução da área podada,  pois as brotações iniciais das plantas recepadas se comportam como se fossem plantas novas.

Assim, os tratos dos cafeeiros recepados são como um recomeço da lavoura. Deve-se manter um bom controle do mato, aumentado pela abertura da área, pois senão ele abafa as brotações. Como mais da metade das raízes finas morrem, após à recepa, as plantas passam a sentir mais a concorrência em nutrientes. O mato alto, ao encobrir as brotações novas, leva ao estiolamento das mesmas. No controle com herbicidas o cuidado é de usar produtos seletivos ou, aplicação bem protegida, pois a deriva leva a danos severos de fito-toxidez em brotações novas.

Outro cuidado é a desbrota, deixando um numero adequado de hastes, sendo que é uma operação trabalhosa, que deve ser feita, ao menos, 2 vezes no 1ºano e pelo menos uma no 2º ano.  Normal seria deixar os brotos que saem da parte mais baixa do tronco, porem, como os que nascem na parte alta, quase junto ao corte do tronco, crescem primeiro, estes são os que acabam sendo  selecionados, e  que acabam levando  à formação de uma saia mais alta.

A nutrição e a proteção contra pragas/doenças e vento devem também constituir tratos  especiais. A nutrição deverá ser procedida conforme se verificar o estado de desenvolvimento das brotações. No caso de plantas que vieram de safra alta ou recebiam mal-tratos, portanto, estressadas e fracas, as adubações devem ser retomadas tão logo retornem as brotações, pois, apesar de haver material orgânico sobre o solo, resíduos da recepa, no primeiro momento, a decomposição desse material, pelos micro-organismos, utiliza  nutrientes do próprio solo. No caso de pragas e doenças sobressaem aquelas ligadas a uma maior exposição das plantas, sendo comum um ataque mais grave de bicho mineiro, de Phoma/Ascochyta e Pseudomonas e, ainda, de cercosporiose, essa por eventual fraqueza das plantas, tudo isso levando a desfolhas e seca de ramos, num período em que as plantas precisam dessa folhagem, exatamente pra produzir reservas pra reforço do seu sistema radicular, prejudicado pela poda.

Finalmente, um cuidado, que pouca gente adota, é o de proceder replantas. Como dito anteriormente, por fraqueza de plantas e morte de raizes, um percentual delas acaba morrendo, observando-se, ultimamente, inclusive, por já estarem prejudicadas, parcialmente, por fusariose. Especialmente em lavouras com baixo stand de plantas por área, o replantio é necessário e deve ser feito, de preferência, com mudas maiores (mudões), para combinarem melhor com as brotações das plantas recepadas. Em áreas com nematoides usar materiais tolerantes.

Esta nota técnica tem o objetivo de alerta, aos técnicos que assistem e aos produtores, pois  temos visto, no campo, problemas e insucessos em lavouras recepadas, que demoram na sua recuperação e acabam ficando muito falhadas. Significa dizer que - não basta recepar, tem de cuidar.

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J.B. Matiello – Eng Agr Fundação Procafé

Fonte: Procafé
 

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