Tecnologias

Ensino da fitopatologia no Brasil Por José Otavio Menten

O método utilizado envolve aulas teóricas e práticas, leituras e estágios. Há a necessidade de aprimorar os métodos de ensino utilizando procedimentos inovadores.

 

postado em 17/02/2017 | Há 10 meses

A fitopatologia é uma das áreas de conhecimento profissionalizante dos engenheiros agrônomo e florestal. Existem diversos dispositivos legais (Dec. Fed. 23.196/33, Resolução CONFEA 218/73 e Resolução MEC 01/2006) que destacam a fitopatologia como atribuição profissional (competência/campo de atuação) do engenheiro agrônomo.

Trata-se de uma entre as 87 áreas de conhecimento destes profissionais. Essa área é constituída dos conteúdos: história da fitopatologia, importância das doenças de plantas, conceito de doença, agentes causais da doença de plantas (fungos, bactérias, vírus/viróides, fitoplasmas/espiroplasmas e nematóides), diagnose de doenças infecciosas e não infecciosas, sintomas, quantificação de doenças e danos, ciclo de relação patógeno-hospedeiro, fisiologia do parasitismo (mecanismos de ataque e defesa), epidemiologia/progresso da doença, ambiente e doenças, princípios gerais de controle, métodos de controle (legislativo/patógenos quarentenários, genético/variabilidade dos patógenos/resistência das plantas e químico/fungicidas/receita agronômica, cultural, biológico e físico), manejo integrado de doenças, previsão de doenças de plantas, classificações de doenças, principais doenças de planta de importância econômica e seu manejo.

Para abordar esse conteúdo são oferecidas uma ou duas disciplinas com carga horária de 60 a 120 horas/aula. O método utilizado envolve aulas teóricas e práticas, leituras e estágios. Há a necessidade de aprimorar os métodos de ensino utilizando procedimentos inovadores. Como os cursos de Engenharia Agronômica dispõem de carga horária de 3600 a 4300 horas, dedica-se a fitopatologia de 1,4% a 7,3% da carga total.

Dados do MEC de 2012 mostram que existiam, no Brasil, 262 cursos de Engenharia Agronômica, oferecendo mais de 20.000 vagas e formando cerca de 10.000 engenheiros agrônomos por ano. Atualmente, são mais de 300 cursos.

Está sendo elaborado um Diretório de Professores de Fitopatologia do Brasil pelos professores Sami Michereff e Riccely Ávila, que já conta com 326 professores de 163 cursos cadastrados. Muitos cursos contam com apenas um professor da área. Quatro dos cursos já catalogados contam com 10 ou mais professores da área: Universidade Federal de Viçosa (UFV), Universidade Federal de Lavras (UFLA), Universidade de São Paulo (USP), Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) e Universidade de Brasília (UnB). Existem estados com apenas um curso de Engenharia Agronômica ou Florestal e estados com 10 ou mais cursos: Minas Gerais, Goiás, Paraná, São Paulo e Rio Grande do Sul. Alguns estados têm apenas um professor de fitopatologia e outros tem mais de 30 (Minas Gerais, Goiás, Pernambuco e São Paulo). É importante que todos os professores de fitopatologia colaborem para que o Diretório represente a realidade atual do ensino. Informações dever se encaminhadas aos organizadores (smichereff@gmail.com e riccelyavila@yahoo.com.br).

Já está sendo realizada uma pesquisa para traçar o perfil do ensino no Brasil, abordando aspectos do conteúdo, métodos de ensino e materiais didáticos disponíveis. Através deste Diretório será possível intensificar a troca de informações entre professores, possibilitando a utilização de métodos pedagógicos inovadores, contribuindo para o aprimoramento da formação dos profissionais egressos. Com os avanços nos meios de comunicação e a disponibilização dos contatos de todos os professores, deverá facilitar bastante o intercâmbio e aperfeiçoamento dos profissionais do ensino.

* Diretor Financeiro do Conselho Científico Agro Sustentável (CCAS), Vice-Presidente da Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior (ABEAS), Eng. Agrônomo, Mestre e Doutor em Agronomia, Pós-Doutorados em Manejo de Pragas e Biotecnologia, Professor Associado da ESALQ/USP.

 

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