Tecnologias

CNC - Ato do Mapa autoriza uso do Etiprole para combate à broca do café

Essa publicação é resultado das ações realizadas pelo Conselho Nacional do Café, durante os últimos dois anos, à provação do I.A.

 

postado em 20/01/2017 | Há 3 meses

BALANÇO SEMANAL — 16 a 20/01/2017
 
COMBATE À BROCA DO CAFÉ — Foi publicado, no Diário Oficial da União de 13 de janeiro, o Ato nº 4 do Departamento de Fiscalização de Insumos Agrícolas, da Secretaria de Defesa Agropecuária, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (DFIA/SDA/Mapa), que, entre outras disposições, informa que foram aprovadas alterações nas recomendações de uso do produto Curbix 200 SC, da Bayer, com a inclusão da cultura do café.
 
Essa publicação é resultado das ações realizadas pelo Conselho Nacional do Café, durante os últimos dois anos, à provação do I.A. Etiprole para o controle da broca do café (Hypothenemus hampei). Recordamos, ainda, que o Curbix 200 SC estava na lista de produtos prioritários para registro encaminhada pelo CNC ao Mapa, em 2015, e, com a aprovação, passa a ser mais um inseticida disponível para combater uma das principais pragas do cafeeiro.
 
Recordamos, ainda, que o Etiprole é ingrediente ativo pertencente a um grupo químico distinto dos dois produtos atualmente registados para o controle da broca do café (Ciantraniliprole e Chlorantraniliprole + Abamectina), fato importante porque permitirá o aprimoramento do manejo da resistência de insetos na atividade cafeeira.
 
PRÉ-CUSTEIO — Na quinta-feira, 19 de janeiro, o presidente da República, Michel Temer, acompanhado do ministro interino da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Eumar Novacki, e do presidente do Banco do Brasil, Paulo Caffarelli, anunciou a liberação de R$ 12 bilhões para o pré-custeio da safra agrícola 2017/2018, em Ribeirão Preto (SP), no Instituto Agronômico de Campinas (IAC).
 
As culturas que poderão receber os recursos para o financiamento de custeio são café e as da safra de verão, como soja, milho e arroz. O CNC entende que a liberação antecipada desse capital possibilita melhores condições aos produtores no planejamento de suas compras junto aos fornecedores e amplia a comercialização das vendas de defensivos e fertilizantes. Além disso, atende aos nossos anseios para que sejam disponibilizados, ao setor, capital de outras fontes além do Funcafé, proporcionando maior rentabilidade aos empreendimentos e trazendo reflexos positivos em toda a cadeia produtiva.
 
Os recursos ofertados pelo BB podem ser tomados por médios produtores através do Programa Nacional de Apoio aos Médios Produtores Rurais (Pronamp), com taxas de 8,5% ao ano e limite máximo de até R$ 780 mil por beneficiário. Para os demais agricultores, os encargos são de 9,5% ao ano e o teto individual de até R$ 3 milhões, descontados os valores de recursos controlados já contratados no semestre anterior.
 
SAFRA 2017 — Na terça-feira, 17 de janeiro, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) divulgou sua primeira estimativa para a safra 2017 de café no Brasil, apontando uma quebra entre 7,5% e 15% em relação ao recorde de 51,37 milhões de sacas de 60 kg colhidas em 2016.
 
O CNC entende que haverá redução na colheita desta temporada, em que pese a recuperação dos cafezais de conilon na Bahia e em Rondônia, por exemplo, isso porque este ano é de ciclo de baixa dentro da bienalidade no cultivo da variedade arábica, que responde por 80% da produção nacional.
 
Por outro lado, ainda é cedo para cravarmos uma estimativa mais real do tamanho da safra 2017, fato que será possível por volta de maio, com a confirmação do vingamento e do desenvolvimento dos frutos e já com o início dos trabalhos de colheita.
 
ABASTECIMENTO — Desde a semana passada, o CNC participou de duas reuniões no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), com o diretor do Departamento de Café, Cana de Açúcar e Agroenergia, Silvio Farnese, o secretário de Política Agrícola, Neri Geller, e com as demais lideranças da cafeicultura para tratar do abastecimento do mercado no Brasil.
 
Frente ao impasse entre as lideranças e a contestação dos números dos estoques de café conilon levantados pela Conab, o secretário Neri Geller informou que conduzirá o assunto junto ao ministro Blairo Maggi e que caberá ao Governo Federal uma decisão sobre o ingresso ou não de café verde de outras origens, conforme solicitado pelas indústrias nacionais.
 
Ainda sobre abastecimento de mercado, o Diário Oficial da União de quinta-feira trouxe publicada a Resolução nº 1, assinada pelos ministros da Agricultura, Blairo Maggi, da Casa Civil, Eliseu Padilha, e da Fazenda, Henrique Meirelles, que aprovou a proposta dos representantes da Câmara Técnica do Conselho Interministerial de Estoques Públicos de Alimentos – CIEP, os quais, em reunião virtual de 27 de outubro de 2016, deliberaram sobre a venda de até 43.200 toneladas (720 mil sacas) de café dos estoques públicos pela Conab. A previsão é que o primeiro pregão seja realizado no dia 25 de janeiro, com a oferta de 95 mil sacas, e o volume restante deverá ser comercializado até o fim de março deste ano.
 
MERCADO — Em semana mais curta devido ao feriado de Martin Luther King nos Estados Unidos, os contratos futuros do café arábica registraram leves ganhos, sustentados pelo aperto na oferta, em especial do robusta, pelo enfraquecimento do dólar e pela atuação dos fundos de investimento. Na ICE Futures Europe, os vencimentos futuros do conilon registraram ganhos mais expressivos, puxados exatamente pela escassez do produto no cenário atual.
 
Na terça-feira, a Conab mencionou, em levantamento de safra para o Brasil, que, no Espírito Santo, maior produtor nacional de robusta, persistem os problemas provocados pela falta de chuvas. Segundo a estatal, “com o baixo índice pluviométrico nos últimos três anos, houve diminuição da área em produção por causa do esgotamento das barragens, rios e córregos e a proibição do uso da irrigação, resultando em estresse severo das plantas, que, em quantidade anormal, foram recepadas ou arrancadas".
 
Entre a sexta-feira passada e o fechamento de ontem, o dólar comercial recuou 0,66% ante o real, em uma semana marcada pela expectativa em torno da posse do presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, e pelo aumento da oferta de swap tradicional (equivalente à venda futura de dólares) para 15 mil contratos por parte do Banco Central do Brasil, que sinaliza, assim, que pretende rolar o estoque total com vencimento em fevereiro, correspondendo a US$ 6,431 bilhões.
 
Os investidores mantêm uma preocupação generalizada sobre a possibilidade da política econômica a ser adotada por Trump elevar a inflação e impulsionar o aumento das taxas de juros por parte do FED (Banco Central dos EUA). Isso porque os juros norte-americanos mais altos podem fazer com que recursos aplicados em outras nações retornem aos Estados Unidos, gerando uma tendência de alta do dólar nos outros países.
 
Na ICE Futures US, o vencimento março do contrato “C” encerrou o pregão de ontem a US$ 1,5075 por libra-peso, registrando valorização de 145 pontos em relação ao desempenho da sexta-feira passada. Na ICE Futures Europe, o contrato com vencimento em março acumulou ganhos de US$ 59 na semana, sendo cotado a US$ 2.261 por tonelada.
 
O mercado brasileiro acompanhou o movimento internacional e, em meio a dúvidas sobre o tamanho da safra 2017 nacional e à baixa liquidez, apresentou altas moderadas. Os indicadores calculados pelo Cepea para as variedades arábica e conilon foram cotados, ontem, a R$ 521,97/saca e a R$ 507,04/saca, respectivamente, com variações de 1,05% e 0,5% na comparação com o fechamento da semana anterior.
 

Veja tambÉm: