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Café e Turismo - algumas lições do Café da Colômbia

 

postado em 11/07/2012 | Há 5 anos

 

Por Paulo Henrique Leme
O potencial turístico brasileiro, por suas belezas naturais, já é por si só gigantesco. Se somarmos aos dons naturais a nossa cultura e a culinária brasileira, teremos à nossa frente um maravilhoso mosaico de possibilidades, capaz de entreter o mais exigente dos turistas. O agronegócio brasileiro se aproveita muito pouco desta vocação turística. Temos paisagens maravilhosas no Brasil, onde o cultivo da terra, o respeito à natureza, a cultura e a gastronomia convivem de forma harmoniosa. Poucas pessoas conhecem, pouquíssimas desfrutam.

Em nossas regiões cafeeiras, o turismo deveria ser a segunda força econômica. Não existe bebida mais apaixonante que o café, que pode envolver o consumidor em todas as etapas de produção, da lavoura à xícara. Pude ter uma amostra deste potencial em visita ao eixo cafeeiro na Colômbia (“eje catero”), à convite da empresa Agroceres em seu seminário “Transformando Café em Ouro”.

A história de sucesso do marketing do Café da Colômbia – motivo de minha viagem – tem relação direta com a frutífera indústria do turismo que se desenvolveu no eixo cafeeiro colombiano. O sucesso de Juan Valdez e da marca “Café de Colombia” geraram a curiosidade em consumidores no mundo todo, e alguns deles, ousaram fazer as malas e procurar o simpático personagem do café nas montanhas colombianas.

Na Colômbia, o turismo cafeeiro ocorre principalmente nos departamentos (estados) de Caldas, Quindío, Risaralda e Valle del Cauca no centro do país e cortados pela Cordilheira Central, que juntos formam a “Paisagem cultural cafeeira”, patrimônio mundial reconhecido pela UNESCO. Na região existem muitas fazendas preparadas para receber e hospedar turistas, onde eles podem não apenas passear pela propriedade como conhecer a história do café na região, a história do cultivo, o porque de o café colombiano ter a fama de ser tão superior aos outros cafés do mundo, mas também se envolver na colheita e com os trabalhadores e lógico, depois do passeio, provar e comprar os cafés.

Também foi criado o Parque Nacional do Café, um parque temático, com material sobre a cultura do café, pequeno museu, centro de degustação de café, com atrações e teleféricos no departamento de Quindío. Existem também hotéis fazenda e pousadas. Nada grandioso ou cinematográfico, porém, o que mais me chamou a atenção foram a cordialidade dos colombianos e qualidade da prestação de serviços em todos os locais que estivemos. E é aqui que mora a grande diferença com o Brasil a meu ver.

A maior parte de nossas regiões cafeeiras possui a beleza natural, a cordialidade, a gastronomia e a simpatia de nossos produtores, mas não possui uma estrutura de serviços capaz de dar o conforto e as orientações que todo turista precisa. Não existe entrosamento entre cafeicultores, hotéis, restaurantes e agentes de turismo. Cada um pensa no seu bolso e o turista que encontre seus próprios caminhos.

Falta consenso estratégico, ou seja, falta saber aonde queremos chegar e quais caminhos cada um deve seguir para que todo o arranjo produtivo, cluster ou a região se beneficiem mutuamente.

O sucesso dos colombianos deve servir de inspiração. Desde o início de sua história, acreditavam que tinham o melhor café do mundo, e o queriam vender desta forma. Este é o objetivo central, a obsessão que levou o “Café de Colombia” ao status que possui hoje. No turismo, acreditam que possuem a mais bela região cafeeira do mundo, e fazem de tudo para que realmente seja.


 

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