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Consumo de café no Brasil cresce 3,11% em 2011

Vendas no setor chegaram a R$ 7 bilhões, de acordo com a Abic

 

postado em 25/01/2012 | Há 5 anos

25/01/2012 
  
O consumo brasileiro de café cresceu 3,11% em 2011. No total, foram 19,72 milhões de sacas de 60 quilos do grão, ante 19,13 milhões de sacas em 2010, de acordo com dados divulgados nesta terça, dia 24, pela Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic). As vendas do setor alcançaram R$ 7 bilhões no período. Apesar do crescimento, a Abic esperava uma alta maior.

De acordo com a entidade, a meta para 2012 é atingir o consumo de 20,41 milhões de sacas de 60 quilos (aumento de 3,5% ante 2011) e vendas de R$ 7,2 bilhões (crescimento de 2,85%).

O consumo per capita do produto no Brasil ficou em 6,1 quilos de grão cru em 2011 – o equivalente a 4,88 quilos de café torrado e moído. Esses números representam 82 litros da bebida por habitante, por ano, um crescimento de 1,45% ante 2010.

Essa relação supera o recorde 1965, de 4,72 kg/habitante/ano, e é maior que o consumo da Itália, França e Estados Unidos. A demanda do brasileiro, contudo, ainda está longe dos primeiros colocados no ranking, como Noruega, Finlândia e Dinamarca – países onde se consome quase 13 quilos de torrado e moído/habitante/ano.

Com relação às exportações, os embarques dos produtos industrializados ainda são pequenos. Dados do Conselho dos Exportadores do Brasil (Cecafé), mostram que em 2011 foram vendidas cerca de 3,3 milhões de sacas de 60 kg. Já as exportações de café verde ultrapassam as 30 milhões de sacas.

Produtos concorrentes frustram aumento do consumo

O aumento do consumo de produtos concorrentes no café da manhã pode ser uma das justificativas para o desempenho aquém do esperado, segundo a Abic. Para a entidade, a bebida tem forte presença no consumo doméstico, com penetração de 95%, mas esse índice se manteve estável no ano passado.

Outros produtos, porém, cresceram acima de 20%, como foi o caso do suco pronto (24%) e das bebidas à base de soja (29%). O presidente da Abic, Américo Sato, considera que o café pode manter e até elevar presença por meio da qualidade, produtos diferenciados e certificados.

– O consumidor começa a constatar que existem cafés de diferentes qualidades, com atributos próprios. Também é preciso educar o consumidor sobre os benefícios do café, que é uma bebida saudável –, afirmou Sato, durante entrevista para divulgar os resultados do setor em 2011.

Ele afastou a hipótese de desaceleração do crescimento do consumo provocado pelo aumento dos preços do produto. De acordo com Sato, o café ainda é bebida relativamente barata para a população. Para o vice-presidente da Abic e também presidente da Melitta do Brasil, Bernardo Wolfson, o jovem com menos de 18 anos ainda consome pouco café no Brasil e é um público a ser cativado.

Com relação ao reajuste de preço ao consumidor para acompanhar o aumento da cotação do grão no mercado internacional, o presidente da Abic afirmou que não deve haver aumento considerável, já que a safra 2012 está estimada em recorde entre 48,97 milhões e 52,27 milhões de sacas.

Apesar disso, outros países produtores, principalmente da América Central e a Colômbia, têm enfrentado problemas climáticos, como excesso de chuvas. A redução de estoques somada ao aumento do consumo mundial pode pressionar os preços da matéria-prima no cenário internacional, que nos últimos cinco anos já subiu 70%.

 

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