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Luiz Paulo foca em empreendedorismo jovem p/ cafés especiais

 

postado em 26/04/2011 | Há 6 anos

CaféPoint

25/04/2011

Luiz Paulo Dias Pereira Filho (foto: arquivo pessoal), 30 anos, formado em Administração de Empresas pela Faculdade Santa Marta, de São Lourenço (MG). Com 17 anos, ingressou e se apaixonou pela cafeicultura ao acompanhar seus pais nos trabalhos realizados na Fazenda Serrado e nas fazendas do Grupo Sertão. Aos 22, tornou-se Diretor de Administração da Cooperativa dos Agricultores do Vale do Rio Verde (COCARIVE), em Carmo de Minas. Dois anos mais tarde, em 2004, afastou-se do cargo para fundar a Carmo Coffees, da qual é sócio-proprietário até hoje.
 
No ano de 2007, Luiz Paulo se filiou à Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA, na sigla em inglês). Já em 2009 tornou-se vice-presidente da entidade, a qual passou a presidir em janeiro de 2011.
 
A BSCA tem trabalhado ativamente para promoção dos cafés especiais brasileiros. Os principais objetivos da Associação são congregar produtores de cafés especiais, difundir a produção de cafés especiais brasileiros e estimular o constante aprimoramento técnico e a maior eficiência nos serviços referentes à comercialização destes cafés. Podem ser associadas todas as pessoas físicas ou jurídicas interessadas diretamente na produção e desenvolvimento de cafés especiais brasileiros.
 
"Estou no café porque gosto e por incentivo de minha família. Tenho o objetivo de mostrar essa cara nova dos cafés especiais, trazer mais jovens à BSCA, demonstrando a eles que a cafeicultura é gostosa, algo prazeroso, o verdadeiro reflexo de um empreendedorismo jovem e crescente, e que permite que as pessoas envolvidas com ele cresçam em conjunto", comenta Luiz Paulo.
 
1.Como avalia a atual situação do mercado de cafés especiais no mundo? E no Brasil?
A safra de café especial no mundo é crescente e a expectativa é que a produção de café especial esteja crescendo em torno de 15% ao ano no mundo. No Brasil estamos tendo uma abertura muito grande no número de cafeterias e novas ideias. O mercado de café jovem está com muita força já faz uns 5 - 6 anos, isso tem aumentado muito o consumo de cafés especiais, não só pela qualidade do café, mas pela entrada e entendimento dos jovens de que café é uma bebida para todos.
 
2.Qual a perspectiva para o mercado de cafés especiais ainda em 2011?
Estávamos apostando todas as fichas no mercado de cafés especiais para 2011, porém com essa situação do Japão, que é um país consumidor de cafés finos brasileiros, ainda não temos condição de fazer uma análise. Contudo, em relação aos outros países da Europa e EUA, que consomem um bom volume de cafés especiais, o mercado deve continuar crescente.
 
Na produção, o Brasil vai ter uma safra muito boa. pois as floradas foram muito uniformes. As coisas estão muito favoráveis para a produção de cafés especiais, salvo que ainda dependeremos do clima na época da colheita.
 
3.Que ações são primordiais para que os cafés especiais tenham maior participação de mercado?
A BSCA vem participando de muitas feiras promovendo os cafés do Brasil, mostrando que nosso país tem condições de produzir os melhores cafés do mundo. O Brasil não é um país que produz um café só, muito pelo contrário, ele tem condições de produzir inúmeros tipos de cafés. É como dizemos: somos um país com muitos sabores.
 
O Brasil precisa de mais ações para promover os cafés especiais, porém o apoio das cafeterias, os concursos de baristas, a nova instrução normativa do governo, devem fazer com que o consumidor tenha acesso e comece realmente a despertar o interesse do consumidor para esse tipo de café.
 
4. O que deve ser feito por produtores, indústrias, associações e cafeterias para contribuir com a promoção dos cafés especiais?
O Trabalho de degustação de cafés especiais. Temos que mostrar ao consumidor o sabor e o prazer de tomar um bom café.
 
5.Qual tem sido a maior dificuldade dos produtores, para produção e comercialização de cafés especiais, percebida pela BSCA? Como auxiliam nessas questões?
A venda é um fator problemático ainda. A BSCA vem trabalhando para ajudar o produtor a se encontrar com clientes que realmente valorizam um bom café.
 
6.O que tem motivado os produtores ultimamente?
Os produtores que estão nesse mercado têm conseguido bastante sucesso. Seja exportando seu café diretamente ou fazendo parcerias com cafeterias.
 
Quando a cafeteria vende esse tipo de café, ela adiciona em seu rótulo a informação da fazenda de onde o café é destinado. Essa fazenda tem uma corresponsabilidade da sustentabilidade do produto ao consumidor final.
 
O consumidor já tem valorizado cafés por sua rastreabilidade e acredito que, cada vez mais, essas consciência e valorização vão aumentar.
 
7.Quais diferenciais acredita que sejam responsáveis também por agregar valor ao produto café, além da qualidade?
Acho que é a responsabilidade do produtor em produzir um café sustentável. Não adianta só olhar para preço e vender o café uma vez só no mercado. O produtor tem que ter a responsabilidade de manter seu café na gôndola do supermercado o tempo todo, de ter uma constância e uma regularidade no fornecimento do seu café, pois o consumidor quer ter o produto.
 
Além da constância de fornecimento, é necessário que o produtor saiba qual é o tipo de consumidor que consome seu produto e o quê busca em seu café.
 
8.Que ações vem sendo desenvolvidas para promoção dos cafés especiais brasileiros?
Participações nas maiores feiras de cafés especiais, promovendo a demonstração e a degustação dos nossos cafés; e em projetos vendedores, trazendo compradores ao Brasil no intuito de divulgar os cafés.
 
Além disso, tem os concursos de qualidade, tanto estaduais como o nacional "Cup of Excellence". Os concursos incentivam os produtores a produzirem os melhores cafés. Nesse caso, automaticamente esses melhores cafés são fornecidos e oferecidos às cafeterias, que levam esse produto ao consumidor. Essas cafeterias fazem uma promoção através de selos de origem, colocando as informações do local e modo de produção desse café para o cliente final, o qual acaba pagando mais pela qualidade desse produto. Nessa cadeia, todos conseguem agregar valor com a qualidade.
 
9.De que forma acredita que os cafés especiais atingirão mais facilmente as classes média e baixa?
Essa nova normativa do governo vai garantir o acesso de todas as classes aos bons cafés, a cafés de melhor qualidade.
 
10.O consumo de café no Brasil tem crescido mais que em todo mundo. Os preços nos últimos meses subiram significativamente, sendo necessário que a alta fosse repassada ao consumidor. Acredita que o café possa perder mercado para outras bebidas?
Acho que o café tem seu espaço. O valor que está sendo repassado ao consumidor, em relação à saca de café cru, é muito pequeno. Acredito que o consumo ainda tem condição de crescer e os preços atuais não devem afetar o consumo da bebida.
 
11.O Brasil será país-tema da maio feira de cafés especiais do mundo, a SCAA. Qual a importância dessa feira e como o Brasil pode se beneficiar dela?
Essa exposição será um marco histórico para o Brasil, principalmente em função do aceite da negociação e comercialização do café brasileiro na bolsa de Nova York. Isso já um grande reconhecimento de que o café brasileiro é um dos melhores cafés do mundo.
 
Além disso, cerca de 400 produtores brasileiros estarão participando do maior evento de cafés especiais do mundo, mostrando seus cafés ao mercado mundial. Todos os participantes presentes terão oportunidade de saber o que é o mercado de cafés especiais e até mesmo de ter acesso aos grandes compradores de cafés especiais do mundo.

 

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