Produção

Caçadores de café, vão a campo em busca do grão perfeito‏

 

postado em 20/11/2010 | Há 7 anos

Globo Rural

Curso explora conceitos sobre o grão, amplia o conhecimento de profissionais e estreita o relacionamento entre produtor e comprador

por Hanny Guimarães | Fotos: Ernesto de Souza
 
Ensei Neto, especialista em cafés especiais, usa tecnologia para explicar a seus alunos as especificidades do grãoEles usam GPS, sensor de temperatura, computadores e câmeras. Os caçadores de café, como vêm sendo chamados os participantes do curso homônimo, aprendem no campo as características do grão e como escolher o melhor fruto.

O projeto, idealizado por Ensei Neto, especialista em cafés especiais, é uma imersão no mundo cafeeiro. Na primeira etapa, são sete dias visitando plantações brasileiras predefinidas e observando condições geográficas e químicas que podem interferir no resultado da bebida. Em laboratório, na segunda etapa, são mais quatro dias, torrando e provando amostras colhidas nos cafezais.

Alunos do curso ouvem atentamente as lições de Neto sobre os processos de produção que interferem nas propriedades do caféSegundo Neto, a iniciativa surgiu a pedido dos próprios alunos. “Eu mantenho cursos avançados na área sensorial e de torra, e algumas pessoas que já tinham participado desses eventos me pediram para fazer algo diferente, voltado para a vivência no campo”, afirma. O intuito do orientador é manter dois encontros por ano e reunir um número limite de quatro alunos por projeto. Até o momento, torrefadores, baristas, proprietários de fazendas e de cafeterias são os que mais têm procurado o treinamento - mas qualquer pessoa pode participar, contato que saiba princípios básicos do tema.

Cafés especiais

A exigência de um mercado consumidor cada vez mais atento às qualidades do grão reflete o novo perfil destes profissionais do café. Os equipamentos utilizados ajudam a compreender, exatamente, os processos que interferem nas propriedades do fruto. Na aventura rumo ao cafezal, os alunos medem a incidência de luz solar na planta e a hora e o lado que o pé recebe tal insolação. Até o tipo de material utilizado no terreiro de secagem influencia o produto. Informações como essas são preciosas para os caçadores que, na prova sensorial, conseguem perceber os impactos das escolhas feitas pelo agricultor.

A etapa de laboratório é decisiva, segundo Flavia Pogliani, consultora em cafés e também aluna no curso. Ela explica que cada participante tem a oportunidade de torrar um lote de café colhido, enquanto os outros acompanham e auxiliam, anotando dados de tempo e temperatura. “A troca de informações é importante. Dessa forma também aprendemos”, diz. Na fase de aprendizado, não existe torra perfeita, cada exemplo é avaliado a fim de entender como o passo realçou ou escondeu as características dos diferentes cafés.

Os jovens produtores Adauto Neto e Thiago Marson Casavechia participaram do segundo projeto Caçadores de Café e acreditam que o pensamento sobre o grão evoluiu. Adauto e Casavechia cuidam dos negócios de suas famílias, respectivamente na Bahia e em Minas Gerais, e resolveram fazer o curso para aperfeiçoar os produtos que oferecem. “Saí do curso com outra visão sobre grãos especiais”, comenta Adauto. 

O agricultor Flávio de Moraes Campos, durante o preparo dos grãos escolhidos no campo: busca por cafés mais ricos em saborHá 10 anos torrando café, sem nunca ter feito curso algum, e há 41 como cafeicultor em Lusitânia, PR, Flávio de Moraes Campos, é um exemplo. Interessado, ele procurou Ensei Neto com o desejo de ampliar seus conhecimentos sobre torra. “Aprendi com meu pai o que sei, mas hoje existe uma demanda mais especializada, que pede cafés mais ricos em sabor, por isso resolvi fazer o curso”, explica o agricultor. “Quando você vê o resultado na xícara, percebe o que pode melhorar no cafezal”, completa.

Para Neto, o amadurecimento profissional é um dos ganhos do projeto. O professor vê a mudança de mentalidade e o progresso dos alunos a cada etapa. Outro benefício alcançado pelos caçadores de café é poder negociar diretamente com o produtor. Quando em campo, os alunos estreitam relacionamento, conhecem o trabalho dos cafeicultores e tem a oportunidade de comprar cafés de qualidade sem um atravessador, pagando melhor para o agricultor. No final da cadeia produtiva, o consumidor também ganha, podendo desfrutar de cafés cada vez melhores.

Serviço
Caçadores de Café
Contato: bureaucoffee@uol.com.br
Site: www.coffeetraveler.net

 

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