Produção

Cafés especiais na Bahia se destacam no cenário internacional

 

postado em 23/02/2010 | Há 7 anos

Tribuna da bahia

Alessandra Nascimento

Com uma previsão de safra de 2,45 milhões de sacas para este ano, perfazendo a quinta produção do país segundo dados da Agricafé, sendo 50% da produção destinada a exportação e a outra metade ao mercado interno, o café produzido na Bahia é considerado atualmente como o melhor no quesito qualidade, desbancando a tradição do estado Minas Gerais no assunto.

Este ano, no leilão Cup of Excellence, da Associação Brasileira de Cafés Especiais, o café da cidade de Piatã, na Chapada Diamantina, teve a cotação mais alta, sendo comercializado a R$ 5.630 por saca. Países como a Coréia do Sul, Taiwan, japoneses, europeus, canadenses e norte-americanos aparecem na lista dos compradores do café Premium baiano.

Segundo Silvio Leite, da Agricafé e coordenador técnico do concurso, faz menção aos cafés provenientes dos concursos que são os mais valorizados independente do Estado produtor.

“Este ano como o lote vencedor e também outros lotes que ficaram bem classificados foram produzidos na Bahia, em Piatã, os cafés daquela região estão mais valorizados. No ano passado, tivemos poucos lotes finalistas no concurso e a grande maioria foi produzida em Minas Gerais, na região de Carmo de Minas, sendo o café daquela região o mais valorizado”, informa. Leite destaca a existência de um prêmio para o café especial.

“Este prêmio pode variar de 5 a 10% do valor de mercado ou para os cafés de concurso como o da BSCA e Cup of Excellence pode até quintuplicar o valor, como foi o caso deste ano onde o preço médio do leilão foi em torno de R$ 1.550,00 por saca”, menciona.

Não valoriza o café – Apesar dos cafés premium serem considerados diferenciados, no Brasil ainda não existe uma política de diferenciação do produto final. Ou seja, em países europeus e norte-americanos o consumidor desembolsaria US$ 7 na xícara do café Premium, no Brasil ele desembolsa R$ 3.

Para Silvio Leite a situação é um caso a parte. “São contextos diferentes com economias muito distintas. Existem cafés especiais a R$ 3, mas também existem cafés especiais a R$ 7,00 aqui mesmo no Brasil, portanto, o importante mesmo é o consumidor encontrar um produto que valha a pena comprar para saborear com o máximo de prazer, afinal é por isto que tomamos café. Na minha opinião, o prazer de tomar um café ainda é muito barato para nós”, explica.

Leite considera que nos últimos anos o consumidor brasileiro começou a diferenciar os cafés Premium/especiais. “O mercado tem crescido, mas podemos notar facilmente o volume de cafeterias, hotéis e restaurantes que estão buscando qualidade ao servir uma xícara de café. A Associação Brasileira da Indústria de Café, ABIC, tem feito um ótimo trabalho neste âmbito e dentre as suas classificações por qualidade estão o tradicional, superior e gourmet”, frisa.

Consumidores adormecidos

Ele ainda acredita na mudança da visão do consumidor de cafés no Brasil que segundo ele aos poucos está mudando seus padrões e valorizando mais o sabor diferenciado de cada café. “Acredito que seja uma evolução do consumidor que está acompanhando uma tendência mundial de consumo “especial” dos vinhos, azeites, queijos, embutidos, etc. Nos cafés, ele buscou e tem encontrado sabores que jamais imaginou e tem curtido muito esta experiência. O consumidor não tem isto ainda materializado na mente, mas está descobrindo aos poucos, pois este não é um mercado de volume, mas de descobertas”, avalia.

Sobre o que caracteriza um café Premium, Leite destaca um mix de situações que envolvem clima, relevo, tipo de solo, dentre outros aspectos. “Muitas regiões têm todas as características para a produção de cafés especiais, depois depende muito do perfil do produtor, dos cuidados com a lavoura com a colheita, que deve ser no ponto máximo de maturação dos grãos de café para garantir todo o sabor e doçura contida no grão, depois disto vem o processo de secagem, descanso, torração.

Em poucas palavras, lotes de cafés especiais não permitem erros operacionais em nenhum momento desde a colheita até o preparo seja ele em espresso, filtro, moka ou “french-press”. Costumo dizer que o importante é o produtor conhecer o potencial máximo de qualidade que pode ser obtido na sua fazenda, isto permitirá manusear as safras e obter o melhor resultado qualitativo e econômico do seu negócio”, cita.

Em relação a certificação Leite menciona a existência de várias delas no Brasil. As principais certificações segundo ele são a BSCA – Brazil Specialty Coffee Association; Fair Trade; Rain Forest Alliance; Utz Certified; 4C e ISO. “No caso dos concursos podem participar todos os produtores brasileiros, com ou sem certificações. Importante é ter qualidade excepcional”, esclarece.

No tocante a certificação de cafés Premium e os benefícios ao consumidor, Silvio Leite revela a adoção de uma política especifica. “A Agricafé tem uma política comercial muito transparente com os produtores e compradores.

Somos uma empresa pequena completamente focada em atender o mercado de alta qualidade de cafés especiais – todos os compradores dos Estados Unidos, Europa, Japão e também nossos compradores aqui do Brasil que vem nos visitar e conhecer os produtores que trabalham o ano todo para ter estes lotes especiais. Os prêmios pagos por estes lotes são merecidamente direcionados para estes produtores”.

 

Veja tambÉm: