Produção

Produtores de Chapada dos Guimarães e Castanheiras investem na produção de alimentos orgânicos

 

postado em 25/01/2010 | Há 7 anos

25/01/2010 17:01:15 - Circuito On Line

Produzir alimentos mais saudáveis, uma agricultura socialmente justa, economicamente viável e ecologicamente sustentável é o novo jeito do homem se relacionar com a natureza. Esse modelo de produção conhecido por agroecologia tem como proposta proteger a vida e uma forma diferente de se relacionar com o meio ambiente. O técnico agrícola da Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer), Antônio Claret Fialho fala que no município de Chapada dos Guimarães (67 km ao Norte de Cuiabá), os agricultores familiares estão produzindo alimentos livres de agrotóxicos. Um exemplo é com sistemas agroflorestais na criação de florestas e outro é na produção de condimentos, banana e cana-de-açúcar.

Em busca da qualidade de vida, o analista técnico de controle de qualidade de veículos, Eloir Bernardon, mudou há 24 anos, do Vale do Paraíba, no Estado de São Paulo, e aportou com a família em Chapada, no Vale do Jamacá, Nessas duas décadas e meia, Eloir cultivou legumes e hortaliças com esforço em produzir uma agricultura abrangente com ética ecológica. No ano de 2003, participou de um curso sobre agrofloresta, em Piraí do Norte, no Estado da Bahia, com o agricultor e pesquisador, Ernest Gotsch, que nasceu na Suíça e percorreu várias partes do mundo implantando reflorestamentos. Desde então, vem conhecendo novas técnicas de produção sustentável.

Instalou no ano passado em sua propriedade um canteiro de 20 metros de comprimento por um metro de largura com diversas plantas frutíferas e de madeira. Nesse sistema agroflorestal o espaço entre as plantas é pequeno e a diversificação é grande. Num só canteiro, por exemplo, foram plantados as culturas de abacaxi, pupunha, tamarindo, leucena, aroeira, copaíba, algodão, uvaia, inhame, mandioca, cará e outras. “A intenção é fazer um berço de várias sementes, com 20 tipos diferentes de árvores para consumo ou comercialização. Daqui a um ano, estarei consumindo mandioca, inhame e muito mais”, esclarece Eloir.

Todo plantio não utiliza agrotóxico e nenhum tipo de adubação. Conforme o produtor, na lateral do canteiro são cultivadas gramíneas e outras sementes que servem para proteger e adubar o canteiro. Ele fala que os números são surpreendentes, e cita que o cará, um tubérculo rico em vitamina B, nesse sistema produz 10 toneladas por hectares. “No futuro, isso será uma floresta produtiva. Acredito que o sistema agroflorestal é a solução para a agricultura familiar mais limpa e sustentável que já vi em minha vida”, finaliza Eloir.

Em processo de recuperação do bioma original, o produtor rural e secretário de Agricultura municipal de Chapada dos Guimarães, Marco Antônio Sguarezi, proprietário do sítio Monjolinho, localizado no Vale da Bênção, escolheu as áreas para a atividade de desenvolvimento sustentável, após analise topográfica do relevo. Numa área total de 44 hectares, com ocupação de 38% da área, produz condimentos, especiarias para temperos e frutíferas como banana nanica e cana-de-açúcar.

Há mais de três anos, produz diversas pimentas de oito países diferentes (origem asiática, oriental, mediterrâneo etc.), condimentos como alecrim, manjericão, manjerona, cerefolio, aneto, zatar e outros. Conforme Sguarezi, no início da comercialização vendiam apenas cinco bandejas por semana, hoje vendem aproximadamente 400 bandejas. Com a certificação dos produtos, o produtor se orgulha de produzir de forma orgânica e oferecer um produto ao consumidor livre de adubos químicos.

O produtor plantou 1 hectare de banana nanica das variedades IAC 2001 e Tropical e todo sistema é orgânico. Utiliza-se farinha de rocha e adubação verde e orgânica. Marcos ressalta que não utiliza nitrato para maturação da banana, tudo é feito de forma orgânica e sem produtos químicos, apresentando um produto com valor nutricional mais elevado que os demais encontrados no mercado.

O plantio de cana-de-açúcar é para produção de açúcar mascavo integral e melado. Considerado um adoçante natural, o açúcar mascavo não passa pelo processo de refinamento, mantendo as vitaminas e minerais naturais da cana como: cálcio, ferro e potássio. A intenção do produtor é montar uma agroindústria em sua propriedade totalmente sustentável, ou seja, aproveitar o bagaço para queima na caldeira e até a fumaça como fonte de matéria prima (ácido pirolenhoso) para a agricultura orgânica como repelente natural.

AGROECOLOGIA

Foi realizado em 2009 pela Empaer o primeiro curso de agroecologia com aulas práticas e teóricas. O objetivo do curso foi a capacitação de técnicos em sistemas agroecológicos, incentivando o desenvolvimento de práticas agrossilvipastoris. A geógrafa da Empaer, Begair Filipaldi, comenta que algumas atividades já estão sendo desenvolvidas explorando o sistema agroecológico de produção como o pastoreio Voisin para bovinocultura de leite e corte, uso de defensivos alternativos para aplicação nas olerícolas e animais, uso do Neem Indiano (Zadirachta-indica) para combate de pragas e doenças.

O extensionista da Empaer, Juraci Miranda, do município de Castanheira (779 km a Noroeste da Capital) fala que na região o avanço tem ocorrido na pecuária principalmente no manejo com o pasto, o sistema pastoreio Voisin é o mais adotado. Na pecuária o uso de produtos naturais como o Neem e o fertilizante e repelente mais usado a base de urina de vaca, calda de fumo, inseticidada de sabão, cinzas além de consórcios com leguminosas para fixação de nitrogênio e cobertura do solo.

Miranda fala da experiência do cafeicultor Averaldo Alencar que sempre utilizou agrotóxicos para combater as plantas invasoras. Preocupado com o meio ambiente, o agricultor começou a fazer podas de formação dos pés de café e adquiriu com a Empaer semente de leguminosa para plantar. Ele fala também do sucesso do feijão Caupi (BRS Guariba) que está sendo cultivado sem agrotóxico e a variedade é resistente ao ataque de pragas e doenças.     

 

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