Consumo

Venda de cafeteira expressa cresce 37%

 

postado em 30/12/2009 | Há 8 anos

30/12/2009 - Aos poucos, o brasileiro está deixando de encarar o cafezinho como mero encerramento das refeições. As cafeteiras expressas, mais sofisticadas que as de filtro - e que custam nove vezes mais, em média -, vêm ganhando espaço, com a oferta de blends variados e apresentações da bebida que fogem ao tradicional café puro.

Segundo levantamento da consultoria GFK para o Valor, no acumulado de janeiro a novembro deste ano, enquanto o mercado total de cafeteiras ficou praticamente estável em relação ao mesmo período de 2008 (ligeira alta de 1%, para 1,62 milhão de unidades), as vendas do modelo expresso cresceram 37% em volume. As expressas, que preparam o café a partir de grãos ou cápsulas e exibem um design capaz de impressionar qualquer visita, ainda são minoria nesse mercado - 7,5% do volume total, sem levar em conta a venda direta das fabricantes, entre elas, as italianas DeLonghi e Saeco e a suíça Nestlé Nespresso.

Mas, de acordo com a GFK, isso é quase o dobro do que as expressas representavam há um ano (4%). Segundo Gisela Pougy, diretora da GFK, o preço médio do produto, que é importado, vem diminuindo, o que contribui para o aumento das vendas. "Enquanto no acumulado de janeiro a novembro deste ano o preço médio das expressas foi de R$ 782, este valor caiu para R$ 670 considerando só o mês de novembro", diz.

Já as cafeteiras de filtro custavam em média R$ 74, contra R$ 77 no acumulado dos onze primeiros meses do ano. Bom motivo para fazer das expressas o agrado predileto neste Natal. O produto foi a opção de presente mais escolhida na Doural, varejista de utilidades domésticas, cama, mesa e banho da região da 25 de Março, no centro de São Paulo. "A cafeteira expressa ficou em primeiro lugar neste Natal, à frente das taças e dos jogos de panela", diz Eliane Matias, gerente de setor de presentes da Doural.

Fundada em 1905, a varejista começou a vender cafeteiras expressas há quatro anos e observa o interesse crescente pelo item. "A Nespresso, da Nestlé, chegou há um mês, mas o modelo que mais saiu foi o básico da DeLonghi, por R$ 399, um preço 18% inferior à média de mercado", afirma Eliane, que tem como top de linha um modelo de R$ 7 mil da Saeco.

O sucesso das cafeteiras já está fazendo a DeLonghi pensar em criar uma linha de montagem no Brasil (ver texto ao lado). "O produto é o nosso carro-chefe, responsável por 45% da receita este ano", diz João Zangrandi, presidente da filial brasileira da DeLonghi. Instalada desde março no país (antes a marca era importada por distribuidores), a DeLonghi superou as suas previsões para 2009. "Crescemos 40% acima do previsto e atingimos R$ 50 milhões de receita este ano", diz Zangrandi.

Para Neusa Pontes, diretora comercial da DeLonghi, é essencial que o produto esteja na mídia para manter a demanda aquecida. "Pretendemos fazer ações de merchandising em uma novela da TV Globo em 2010, para mostrar como é fácil preparar o expresso", diz Neusa.

O produto foi um dos campeões de vendas neste Natal do site Amercantil, especializado em eletroeletrônicos e eletroportáteis. Foram 120 unidades vendidas nas três primeiras semanas do mês, contra uma média de 30 na mesma época do ano passado. "O recuo do dólar fez aumentar o interesse das pessoas de ter em casa o melhor café da padaria", diz Márcio Albino, sócio da Amercantil. Um dos modelos mais vendidos do site é a Nescafé Dolce Gusto, fabricada pela Arno para a Nestlé. Só no último trimestre, as vendas da Saeco no varejo cresceram 15%, para pouco mais de 1,5 mil unidades, segundo o presidente da empresa no Brasil, Alberto Paesani. "Devemos fechar o ano com vendas de 10 mil máquinas para o varejo, 10% acima de 2008", diz.
Especializada em máquinas de café, a Saeco tem metade da sua receita, de R$ 35 milhões este ano, referente à venda para o varejo (ou consumidor final) e os outros 50% vêm de modelos profissionais e de vending machines. Estes últimos registraram altas ainda mais expressivas este ano - 30%, diz Paesani. "Em meio aos 18 países em que a Saeco atua, o Brasil se tornou este ano o nosso principal mercado em vending machines", afirma.

Nesse segmento, as 40 lojas exclusivas da Saeco no país alugam as máquinas, que oferecem bebidas como chocolate, chá, cappuccino, além do próprio café. "Embora seja uma bebida muito popular no Brasil, o consumidor está em busca de algo mais sofisticado", diz ele. Segundo a GFK, o mercado de cafeteiras como um todo é o quinto dentro de eletroportáteis. Perde para preparadores de alimentos (batedeiras, liquidificadores etc.), ferro de passar, secadores e modeladores de cabelos. Só estes últimos (as "chapinhas"), venderam nada menos que 4 milhões de unidades entre janeiro e novembro.

DEPOIS DO VAPORETTO, DEDICAÇÃO AO CAFEZINHO

As empresas italianas estão no caminho do empresário João Zangrandi, 45 anos. Nascido em Treviso, norte da Itália, ele foi criado no Brasil, mas voltou à terra natal no fim dos anos 80 e início dos anos 90. Foi lá que percebeu o sucesso do Vaporetto, um aspirador-limpador a vapor, fabricado pela Polti, sem concorrentes semelhantes no Brasil. "Eu tinha apenas 28 anos e fiquei entusiasmado com a possibilidade de ser sócio de uma multinacional italiana no Brasil", recorda o empresário.

Zangrandi ficou com 40% da nova filial brasileira da Polti, mas a história não terminou bem. "Depois de o Brasil se tornar o maior mercado do mundo para o Vaporetto, os italianos quiseram me tirar do negócio", lembra. A briga foi parar na Justiça, a Polti enfrentou problemas e acabou saindo do país, enquanto que a fábrica do Vaporetto em Araras (SP) foi parar nas mãos de Zangrandi. É lá que o empresário, hoje presidente da filial brasileira da DeLonghi, pretende instalar a linha de montagem da italiana no país.

No mundo, a empresa divide com a suíça Oegsteur a fabricação das máquinas da Nespresso para a Nestlé. Aqui, além das cafeteiras, a DeLonghi vende ar condicionado portátil, ferro de passar, forno elétrico e aquecedor. "Estamos estudando essa possibilidade, já que o mercado respondeu muito bem ao primeiro ano da empresa no Brasil", diz Zangrandi, que trocou a presidência da Saeco pela da DeLonghi. Diferentemente da Polti, porém, a Saeco deixou boas recordações. "É uma grande empresa", elogia Zangrandi. Em todas as italianas, ele sempre fez questão da sua fatia de 40% do controle. As informações são do Valor Econômico.
 

Veja tambÉm: