Comércio

Brasil e Vietnã devem continuar liderando mercado global de café, diz Sette

De acordo com Sette, na temporada 2016/17, a participação do Brasil na produção global foi de cerca de 35%. “Isso ficou em linha com a média de longo prazo, na medida em que o Brasil foi capaz de manter sua participação em um mercado crescente.”

 

postado em 05/01/2018 | Há 1 mese

Estadão Conteúdo

04.01.18 São Paulo, 4/1 – Mesmo após o recuo nas exportações brasileiras em duas safras, o País deve continuar na topo do ranking dos produtores mais importantes do mundo, disse em entrevista por e-mail ao Broadcast Agro (serviço de notícias em tempo real do Grupo Estado), o diretor executivo da Organização Internacional do Café (OIC), José Sette. A crise hídrica no Espírito Santo, que prejudicou o café do tipo conilon em 2016/17, e os preços menos competitivos do Brasil em 2017/18 pressionaram as exportações do País, que caíram de 37 milhões de sacas em 2015 (recorde), para 34 milhões em 2016 e, segundo estimativas da Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), para algo entre 30 milhões e 31 milhões de sacas em 2017.

De acordo com Sette, na temporada 2016/17, a participação do Brasil na produção global foi de cerca de 35%. “Isso ficou em linha com a média de longo prazo, na medida em que o Brasil foi capaz de manter sua participação em um mercado crescente.” Desde meados de 1990, a produção global cresceu mais de 50% de cerca de 100 milhões de sacas para 157,4 milhões de sacas estimadas em 2016/17, conforme a OIC. Para este ano, a estimativa de alguns analistas é de que a safra somente do Brasil alcance o recorde de 60 milhões de sacas, sustentada pela recuperação do conilon e pela bienalidade positiva do arábica, mais cultivado no País.

“No futuro, o Brasil e o Vietnã continuarão sendo os produtores mais importantes do mundo. A participação conjunta dos dois países na produção mundial tem sido consistentemente superior a 50% desde 2010/11 e pouco provavelmente isso mudará no futuro próximo”, disse Sette. Logo atrás no ranking de produção estão Colômbia (14,6 milhões de sacas em 2016/17) e Indonésia (11,5 milhões de sacas em 2016/17).

Para os próximos anos, o diretor executivo da OIC chamou a atenção para a produção de Honduras, que pode surpreender. Antes do surto de ferrugem dos cafezais no país, a safra hondurenha crescia em média 6,8% ao ano, atingindo 5,89 milhões de sacas na temporada 2011/12. Entretanto, a produção recuou 22,2% nas duas safras seguintes. “Esforços foram feitos para combater essa doença, como o replantio com variedades mais resistentes e o treinamento dos agricultores. Desde 2014/15, a produção de Honduras tem crescido 12,2% ao ano, alcançando um novo recorde de 7,43 milhões de sacas em 2016/17. Para a safra 2017/18, a perspectiva é de crescimento para 8,35 milhões de sacas”, disse.

Consumo

Na mesma direção, o consumo do café no mundo continua em constante crescimento e deve atingir, na temporada 2017/18, 157,6 milhões de sacas, alta de 1,6%, informou Sette. “Os ganhos acelerados são esperados para mercados em ascensão, como a China (3,1%)”, concluiu.

 

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