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Cafeteria curitibana vende o café mais caro do mundo, produzido em Patrocínio

Com aroma de frutas amarelas e papaya, café do Cerrado Mineiro foi arrematado em leilão por R$ 55,5 mil a saca

 

postado em 17/12/2017 | Há 2 meses

por Flávia Schiochet Gazeta do Povo

Cafeteria curitibana vende o café mais caro do mundo, produzido em Patrocínio

À esquerda, o café da variedade Gesha, colhido por Geórgia e Camila Franco, do Lucca Cafés Especiais, no Cerrado Mineiro. A variedade é única no Brasil e foram produzidos apenas 26 quilos de café. À direita, o café mais bem pago do mundo, vendido exclusivamente pelo Lucca Café no Brasil.

 

O café mais bem pago do mundo é do Cerrado Mineiro e parte do lote está à venda em apenas uma cafeteria do Brasil. O Lucca Cafés Especiais, em Curitiba, comprou sete sacas do café da Fazenda Bom Jardim, um bourbon amarelo descascado produzido pela Nunes Coffee com pontuação de 91,5. “O aroma tem frutas amarelas e papaya, notas de açúcar mascavo e acidez leve cítrica”, descreve Geórgia Franco, mestre de torra do Lucca.

O café está sendo vendido em embalagens de 250 g por R$ 60 na loja on-line e também na cafeteria do Lucca Cafés Especiais em Curitiba. Os clientes que forem à cafeteria poderão prová-lo em oito métodos diferentes (espresso, Syphon, Chemex, Hario V60, Kallita Wave, Aeropress, French press, Clever).

A saca do café Bom Jardim ficou em primeiro lugar no Cup of Excellence Brazil 2017 em outubro e, no mês seguinte, foi arrematado em leilão por R$ 55,5 mil a saca (60 quilos) por importadores que levarão os grãos para o Japão e Austrália. A cifra alta é fruto da nota de papaya, dificilmente encontrada.

Por ter comprado o lote antes do concurso, Georgia conseguiu um preço abaixo do pago em leilão e por isso o café é vendido na mesma faixa de preço das demais bebidas da casa.

“É um café exótico que remete a uma bebida mais cremosa. É rara de encontrar em cafés de todos os países. Quando provamos sabíamos que tinha potencial”, explicou Geórgia. A proeza é de Gabriel e Osmar Nunes, pai e filho, respectivamente, que tocam juntos 390 hectares de cafezal. O lote de bourbon amarelo passa concorreu na categoria descascado e atingiu a pontuação de 92,3.

À esquerda, o café da variedade Gesha, colhido por Geórgia e Camila Franco, do Lucca Cafés Especiais, no Cerrado Mineiro. A variedade é única no Brasil e foram produzidos apenas 26 quilos de café. À direita, o café mais bem pago do mundo, vendido exclusivamente pelo Lucca Café no Brasil. Foto: Orlando Adriane/Divulgação

Osmar é cafeicultor há 33 anos e a partir de 2013, quando Gabriel se formou em Agronomia, começaram a investir em cafés especiais. O resultado veio em poucas safras: em poucos anos a Nunes Coffee passou a produzir 30% de cafés especiais. O valor recebido por saca no Cup of Excellence Brazil 2017 quebrou um recorde mundial: o maior preço pago por uma saca de café foi de R$ 18.900 em 2016. Na categoria natural do mesmo concurso, o café da Fazenda Camocim, também do Cerrado Mineiro, teve pontuação mais alta (93,6) e foi vendido por R$ 38 mil a saca. A título de comparação, uma saca de café commodity produzido na mesma região no mesmo período custou R$ 460.

A Nunes Coffee e Lucca Cafés Especiais lançam na sexta (15) a primeira colheita do café Gesha, da variedade de mesmo nome. Os frutos foram colhidos à mão por Geórgia Franco, mestre de torra do Lucca Café, Camila Franco, barista do Lucca Café e por Gabriel Nunes, agrônomo da Nunes Coffee.

As plantas têm três anos de idade e o microlote de 400 pés rendeu 26 quilos de café, que serão comercializados em embalagens especiais com 100 gramas de café em grão (o cliente pode moer na loja antes de levar para casa). São 250 latas numeradas e cada uma sai por R$ 40.

“O café é suave, adocicado, apresenta um sabor levemente frutado e notas de pêssego branco. A acidez é leve e a doçura remete a caramelo. A tendência dessa variedade é desenvolver aromas florais”, descreve Geórgia.

Leia a íntegra no Gazeta do Povo

 

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