Tecnologias

Cafeicultor produz 212 scs/ha de conilon em Rondônia

Irrigação por gotejamento e nutrirrigação potencializa produção de café no estado

 

postado em 21/09/2017 | Há 2 meses

Cafeicultor produz 212 scs/ha de conilon em Rondônia

 
Mesmo nas regiões com regime de chuvas regular, os resultados de produtividade têm mostrado que bons projetos de irrigação por gotejamento garantiram aumento na produção se comparado a áreas de sequeiro. Na fazenda do produtor rural, Reginaldo Timpurim, em Rondônia, logo na primeira safra cheia foi possível produzir 212 sacas por hectare, utilizando irrigação inteligente. Na média do estado, porém, dados da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), revelam rendimento de aproximadamente 20 sacas/ha na safra 2017/18.

A área total do produtor Timpurim é irrigada por gotejamento inteligente da israelense Netafim. O projeto foi implantado na safra 2014/15, acompanhando todo desenvolvimento do cafezal. Além de realizar irrigação através do gotejador Dripnet, toda adubação da fazenda é feita por meio de fertirrigação convencional.

Rondônia possui média de pluviosidade anual de 3000 a 3200mm. O clima predominante é o tropical úmido, com altos índices de chuvas, forte radiação solar durante o ano, temperaturas elevadas e umidade superior a 80% de média anual. Mas, embora essas condições sejam favoráveis ao desenvolvimento do robusta, a diferença de produtividade média nas áreas de sequeiro evidencia a contribuição da irrigação na produção final.

“Esses resultados quebram o paradigma de que regiões com bons volumes de chuvas não precisam de irrigação por gotejamento para conquistar produtividade elevada”, destaca Igor Nogueira Lapa, coordenador agronômico da Netafim.  O período de seca no estado ocorre exatamente quando o café está em uma de suas mais importantes fases fenológicas: a floração. É nesse momento que a irrigação por gotejamento é crucial para fornecer água e nutrientes e garantir uma boa florada e pegamento.

Outro ponto primordial para os resultados de produtividade no cafezal foi a utilização da fertirrigação mesmo durante a estação chuvosa. “Todo o programa de parcelamento de adubação foi executado mesmo com a ocorrência de chuvas, ao contrário de muitas propriedades onde a adubação é suspensa durante períodos de precipitação”, conta o coordenador agronômico.

Em tempos de chuva há quem acredite que os sistemas de irrigação ficam sem utilidade. O fato da cultura estar com água não significa que ela esteja 100% sadia, pois muitas vezes falta nutrientes e a planta pode estar com algum déficit. Por conta do alto volume de água, ocorre a lixiviação (perda dos nutrientes pela água), principalmente em solos mais arenosos. Normalmente o produtor coloca grande parte do adubo no momento do plantio ou no começo da safra e esses nutrientes se perdem ao decorrer de fortes chuvas, prejudicando a produtividade da lavoura. Realizar a fertirrigação nesse período garante que as plantas expressem todo seu potencial produtivo.

E é também pensando em ganho de produtividade, que os produtores de Rondônia aumentaram a participação de cafés clonais - já são amplamente utilizados nas lavouras do Espírito Santo. Contudo, esses clones são mais exigentes na nutrição e consumo de água, é nesse momento que a irrigação entra para contribuir fornecendo um ambiente completamente favorável para esse tipo de material genético.

Tanto a irrigação por gotejamento, quando o investimento em genética, tem contribuído com os consecutivos aumentos de produção em Rondônia. Com recorde na produção de café nesta safra, chegando próximo a dois milhões de sacas, o estado desponta entre os grandes produtores de conilon do país, registrando desempenho na produção/produtividade de mais de 22% de aumento em relação à safra passada, na mesma área plantada (87.657,0 hectares).

Mas, todo esse desenvolvimento tecnológico ainda é muito recente aos produtores de Rondônia. O fato é que o estado possui as condições ideais para o desenvolvimento da cultura, e as tecnologias, como a irrigação inteligente, vem para contribuir com o crescimento da produção de robusta no estado, e em todo o país.
 

 

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