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Café arábica sobe mais de 100 pts em NY nesta 2ª com mercado preocupado com qualidade da safra no Brasil

"Há certa preocupação sobre possíveis problemas climáticos e preocupações sobre a qualidade da colheita do Brasil"


 

postado em 31/07/2017 | Há 3 semanas

As cotações futuras do café arábica na Bolsa de Nova York (ICE Futures US) fecharam a sessão desta segunda-feira (31) com alta de mais de 100 pontos. Os operadores no terminal externo seguem repercutindo as preocupações com a qualidade da safra 2017/18 do Brasil, que está em plena colheita. Os principais vencimentos já estão próximos de US$ 1,40 por libra-peso. Patamar mais alto desde 20 de abril.

O contrato setembro/17 fechou a sessão cotado a 139,25 cents/lb com alta de 140 pontos, o dezembro/17, referência de mercado, registrou 142,75 cents/lb com avanço de 135 pontos. Já o vencimento dezembro/17 encerrou o dia com 146,30 cents/lb e valorização de 135 pontos e o março/18, mais distante, também subiu 135 pontos, fechando a 148,55 cents/lb.

"Há certa preocupação sobre possíveis problemas climáticos e preocupações sobre a qualidade da colheita do Brasil", disse à agência de notícias Reuters a analista de mercado e presidente da J. Ganes Consulting, Judith Ganes-Chase. Esses temores do mercado com a safra já repercutem desde a semana passada, com relatos de casos de broca em importantes regiões produtoras.

De acordo com o analista de mercado do Escritório Carvalhaes, Eduardo Carvalhaes, exportadores do grão estão bastante assustados com a situação. "Temos relatos de incidência de broca em quase todas as regiões. Exportadores têm relatado porcentagem de até 30% de grãos brocados, quando o índice de 5% a 10% já seria considerado alto para o Brasil", diz.

Para Carvalhaes, os preços do café não têm estimulado os produtores nos cuidados com as lavouras.

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Conforme a colheita avança no Brasil, a consultoria Safras & Mercado aponta que os trabalhos estavam em 73% até o dia 25 de julho, os problemas começam a aparecer e repercutir no mercado. Além dos relatos de broca, também há informações de quebra e questões que envolvem a granação nesta temporada.

"A safra deixou a desejar, com bastante café miúdo, rendimento ruim e uma quebra de 10% a 20%, além da incidência elevada de broca", afirma o presidente do CCCMG (Centro do Comércio de Café do Estado de Minas Gerais), Archimedes Coli Neto.

O câmbio também segue impactando o mercado, uma vez que influencia as exportações da commodity. O dólar comercial recuou 0,52% nesta sexta, a R$ 3,1183 na venda, repercutindo um cenário político mais calmo. Esse é o menor patamar desde 16 de maio. A moeda estrangeira mais baixa tende a desencorajar os embarques do grão pelo Brasil, por isso tende a dar suporte aos preços externos.

Mercado interno

Os negócios com café seguem lentos nas praças de comercialização do Brasil. O Cepea (Centro de Estados Avançados em Economia Aplicada, da Esalq/USP) informou na semana passada que a retração de compradores e vendedores mantém liquidez baixa no mercado.

"O clima mais frio tem atrasado o beneficiamento dos grãos, principalmente a secagem, limitando a oferta no mercado físico. Além disso, muitos produtores estão concentrados nas entregas futuras, em detrimento das negociações no spot, cenário que também tem travado as negociações do arábica", disse o Centro.

O café tipo cereja descascado registrou maior valor de negociação em Guaxupé (MG) com saca a R$ 515,00 – estável. A maior oscilação dentre as praças no dia ocorreu em Poços de Caldas (MG) que teve alta de 1,04% e saca a R$ 486,00.

O tipo 4/5 registrou maior valor de negociação em Franca (SP) com saca a R$ 500,00 – estável. A maior oscilação no dia dentre as praças ocorreu em Poços de Caldas (MG) com alta de 1,06% e saca a R$ 475,00.

O tipo 6 duro anotou maior valor de negociação em Varginha (SP) com R$ 478,00 a saca e alta de 0,63%. A maior oscilação no dia dentre as praças verificadas ocorreu em Espírito Santo do Pinhal (SP) com queda de 2,17% e saca a R$ 450,00.

Na sexta-feira (28), o Indicador CEPEA/ESALQ do arábica tipo 6, bebida dura para melhor, teve a saca de 60 kg cotada a R$ 464,11 e alta de 1,15%.

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Por: Jhonatas Simião
Fonte: Notícias Agrícolas
 

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