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Drawback preocupa produtores de café

O Mdic autorizou a importação de 353,6 toneladas ou 5.893 sacas de 60 quilos de café conilon do Vietnã.

 

postado em 15/05/2017 | Há 1 semana


11/05/2017  A aprovação do uso do drawback para importação de café verde, anunciada na última terça-feira pelo Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (Mdic), desagradou o setor produtivo do grão, que teme o ingresso do produto no mercado brasileiro durante a colheita, quando a oferta de café é elevada e os preços caem. Caso a importação seja concretizada, o risco é que os preços do café recuem ainda mais, comprometendo a atividade e a capacidade de investimento.

O Mdic autorizou a importação de 353,6 toneladas ou 5.893 sacas de 60 quilos de café conilon do Vietnã. Foram aprovados, até o momento, quatro pedidos de ato concessório de drawback visando à importação do café verde a ser utilizado na produção de café solúvel para exportação. O drawback isenta o pagamento de tarifas com a importação, desde que o volume seja exportado posteriormente. Apesar de autorizado, ainda não houve importação de café verde no Brasil.

Em nota, o Mdic explica que recebeu pedidos de importação de café conilon produzido no Vietnã, por meio de drawback, devido ao não aparecimento de interessados em vender o produto nos dois leilões privados realizados pela Conab no dia 22 de março.

Em plena colheita do café arábica e conilon no Brasil, a decisão do Mdic surpreendeu os produtores de café, que repudiaram a medida.

“Já começamos a colher o café, principalmente, o conilon que a indústria alega não existir. Não tem sentido, em plena colheita, liberar café para importação mesmo que em regime de drawback a não ser que exista um movimento para baixar, ainda mais, os preços. Os valores pagos pelo grão já estão em queda e, caso esse café chegue ao Brasil, cairá ainda mais. Nesta situação perdem os produtores e o governo, são dólares que deixam de ser gerados com a exportação deste café”, explicou o diretor da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg) e presidente das Comissões de Cafeicultura da Faemg e da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Breno Mesquita.

De acordo com o Mdic, as empresas de café solúvel que optem pela importação poderão fazer o pedido de no máximo 500 mil sacas, volume que responde por menos de 5% da produção nacional.

Mesquita explica que, há alguns meses, houve uma discussão ampla sobre a questão da importação, uma vez que a indústria argumentava que não existia matéria-prima e o setor produtivo garantiu que existia oferta suficiente para suprir a indústria de torrado e moído e solúvel.

“Isso aconteceu em um período de entressafra, quando ainda faltavam de dois a três meses para o início safra. Agora, em plena colheita, recebemos uma notícia explosiva dessa. A pergunta que se faz é: a quem interessa a importação? Porque para o setor de produção é sem sentido prático e sem sentido comercial. A partir do momento em que se tem análise de risco de praga e aprovação para importar, o mercado está aberto. Isso nos surpreende muito e negativamente. Mais uma vez, o setor vai tentar discutir e buscar segurar a importação. Isso é um crime que estão tentando cometer contra a produção de café”, disse.

Em relação à safra 2017 do café, Mesquita explica que a colheita já foi iniciada nas áreas de conilon e arábica e que o café da nova safra já está chegando ao mercado.

Preços – Como avanço da colheita, os preços do café estão em queda. No caso do arábica, a saca de 60 quilos que no final de março e início de abril era negociada em torno de R$ 470, hoje é vendida a R$ 450, retração de 5%.

No caso do conilon, o valor da saca caiu de R$ 440, no início de abril, para R$ 407, nos primeiros dias de maio, desvalorização de 7,5%.

“O abastecimento do mercado interno e externo está garantido e não tem justificativa para se importar o café. Entendemos que uma medida dessa, no momento da colheita, vai acarretar em prejuízo muito grande para aqueles que a vida inteira amargaram prejuízos e tiveram pouca ajuda, que são os cafeicultores brasileiros, independente do estado”, disse Mesquita.

Fonte: Diário do Comércio (Por Michelle Valverde)

 

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