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FUNDOS VENDEM 25% DOS SEUS CONTRATOS COMPRADOS Por Rodrigo Costa

Na Europa a certeza de que LePen não leva o segundo turno da eleição devolveu otimismo ajudou a puxar os mercados acionários, em geral.

 

postado em 01/05/2017 | Há 4 semanas

MERCADO DE CAFÉ – COMENTÁRIO SEMANAL – DE 24 A 28 DE ABRIL DE 2017*

O NASDAQ fez novas altas históricas na semana empurrado pelos resultados positivos de empresas importantes que compõem o índice. O S&P500 e o DowJones também fecharam em alta após uma nova rodada de aposta em crescimento dos Estados Unidos com o anúncio pelo governo das medidas que reformarão os impostos no país.

Na Europa a certeza de que LePen não leva o segundo turno da eleição devolveu otimismo ajudou a puxar os mercados acionários, em geral.

Os três principais índices das commodities afundaram até quinta-feira, recuperando na sexta-feira, mas longe de apagar a pobre performance do mês de abril. Nos últimos cinco dias, dentre as matérias-primas que formam o CRB, o gás natural, o trigo e o suíno-magro subiram 6.75%, 6.26% e 4%, respectivamente. As perdedoras foram a gasolina com baixa de 4.82%, seguida pela queda de 4.19% da prata e 3.85% do contrato de boi.

O café em Nova Iorque continuou a trajetória negativa pressionado pela liquidação de 25% do bruto da posição comprada dos fundos e novas vendas que somaram 5,824 lotes entre os dias 19 e 25 de abril, período que o terminal perdeu US$ 13.15 centavos por libra.

A queda dos preços ajudou os comerciais a comprarem 3,593,646 sacas, ou 12,676 contratos, e os vendidos liquidarem 7,356 lotes. Com o aumento do número de contratos em aberto na quarta e quinta-feira e considerando o movimento de sexta-feira podemos imaginar que provavelmente os especuladores venderam pelo menos outros 3,000 lotes, uma reversão grande de posição que com a alta do último dia útil da semana pode desencadear ganhos de pelo menos outros US$ 10,00 centavos por libra, no curto-prazo.

A sustentação de uma alta vai depender do volume de vendas que aparecerão de café nos mercados locais das origens. Curiosamente foi percebido um comportamento de “jogar a tolha” nas baixas recentes por parte de alguns detentores de café, dada a performance negativa da bolsa que derrubou o preço da saca de café e uma eventual necessidade de caixa.

A diferença grande entre o que os participantes acreditam haver de café que será levado para a próxima safra, o chamado carry-over, será determinante para levar o “C” para cima de US$ 160.00 centavos por libra, considerando um estoque de passagem virtualmente zerado, ou para próximo de US$ 100.00 centavos por libra, para aqueles que acreditam que 12 milhões de sacas se juntarão a próxima safra (o último dado foi novidade para mim, compartilhada por um leitor-amigo).

No destino não transpirou uma apreciação dos diferenciais brasileiros, seja por uma necessidade de venda dos exportadores em colocar vendas novas nos livros, ou a urgência de alguns que continuam carregando café da safra atual e querem se desfazer do estoque antes que perca valor com a chegada de café novo.

Londres escorregando tão forte como vimos atraiu compra de corajosos que recebem café e não fazem o hedge, ou compradores de flat-price via físico, segundo o relatório de uma respeitada trading internacional. Se imaginarmos que o momento negativo atual tem menos a ver com café e mais com uma falta de interesse em commodities agrícolas a aposta pode dar certo.

É importante não esquecermos da influência que a desvalorização do Real Brasileiro tem para commodities que o Brasil lidera a produção, como o café e o açúcar. Fundos que tem algoritmos prontos para vender café quando o Real escorrega ou comprar o produto quando o Real firma contribuem para as oscilações diárias e dependendo da manutenção dos movimentos definem uma tendência técnica.

As exportações brasileiras de abril, a serem divulgadas no quinto dia útil do mês, parece que virão abaixo de 2 milhões de sacas, número que pode ajudar a bolsa a recuperar. Resta saber se esta expectativa não será frustrada depois de tantos meses seguidos de embarques bem acima do esperado.

Um relatório indicando geada em Santa Catarina serviu para lembrar alguns investidores que o inverno no hemisfério sul está chegando. Muito embora estatisticamente as chances de perdas de café com geada diminuíram muito ao longo dos anos, muitos traders leram ou ouviram histórias de operadores de café sobre o evento climático, e psicologicamente tem uma influência na tomada de posição.

O dia do trabalho amanhã em grande parte da Europa atrasará a abertura de Nova Iorque.

Um fechamento do contrato de Julho17 acima de US$ 138.00 centavos por libra deve estimular uma cobertura de alguns novos vendidos e um fechamento semanal acima de US$ 136.40 centavos por libra afugentará alguns baixistas de plantão.

Uma ótima semana e bom negócio a todos,

*Rodrigo Corrêa da Costa escreve este relatório sobre café semanalmente como colaborador da Archer Consulting

 

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