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Economia e consciência no Dia Mundial da Água Por Coriolano Xavier


22 de março, data especial para a consciência do homem e do agro. Dia Mundial da Água no calendário das mobilizações pró-sustentabilidade da Organização das Nações Unidas (ONU). Portanto, um dia para reflexões conservacionistas desse recurso vital para

 

postado em 22/03/2017 | Há 8 meses


22 de março, data especial para a consciência do homem e do agro. Dia Mundial da Água no calendário das mobilizações pró-sustentabilidade da Organização das Nações Unidas (ONU). Portanto, um dia para reflexões conservacionistas desse recurso vital para nosso planeta e para a produção de alimentos.

Água e sustentabilidade. Um compromisso que podemos construir com medidas simples e bem focadas, que trazem o potencial de reduzir o desperdício e promover uma racionalização exponencial no uso desse recurso. Afinal, a prática diária da responsabilidade ambiental mostra que a sustentabilidade está na maioria das vezes nos detalhes.

Por exemplo: recomendações técnicas indicam o uso de 500 ml (meio litro) de água/leitão/dia para limpeza de granjas. Uma quantidade suficiente para limpar as instalações e tornar mais eficiente o transporte dos dejetos, reduzindo seu volume final após o tratamento e facilitando o seu uso como fertilizante líquido.
Ou seja: na tarefa corrente de se limpar uma granja, o simples detalhe do respeito ao volume adequado de água por animal alojado pode ser um fator importante para se obter menor despesa de transporte dos dejetos, menor despesa de sua distribuição na lavoura e menor consumo de energia nas bombas para captação da água utilizada na limpeza. Além de racionalidade no uso da água, é claro.

Outro exemplo: pesquisa da Embrapa/SC¹ revela uma disparidade no fornecimento de água para consumo dos leitões, que vai de 4,5 a 11 litros/animal/dia, frente ao volume recomendado na faixa de 8,5 litros/animal/dia. Tem gente fornecendo água de menos, tem gente dando água demais e a racionalidade começa ao se saber qual o fornecimento ideal para cada sistema de produção e qual o fornecimento real que acontece no dia a dia da granja. Simples assim.

Outro fator eficaz para a racionalização de uso da água é a evolução das tecnologias de produção. A cana de açúcar traz um bom exemplo, conforme estudos da Embrapa que mostram, por exemplo, o seguinte: a limpeza a seco da cana, para queima da palha em caldeiras de alta pressão, diminui o uso de água entre 11 e 13%, relativamente à lavagem úmida².

A evolução da refrigeração por aspersão para torre de resfriamento pode representar redução de até 5% no consumo de água, no balanço hídrico da usina. E outras ferramentas racionalizam ainda mais o consumo: tratamento para reuso de efluentes; biodigestão da vinhaça; e equipamentos para aumentar a eficiência térmica de caldeiras, entre outros recursos tecnológicos.

De novo, chega-se à receita essencial: medir com precisão o consumo atual, traçar metas de redução, identificar pontos de intervenção para racionalizar o uso e pontos para desenvolver práticas de reuso. Lembrando sempre: a redução do uso de água nunca anda sozinha e junto com ela vem uma maior eficiência nos processos produtivos.

Tanto é que hoje o progresso na racionalização do uso de água é concreto dentro do agro. Há 30 anos, por exemplo, a captação de água na indústria sucroalcooleira era de 15 a 20 m³ por tonelada de cana. Com a modernização produtiva, legislação ambiental e precificação dos recursos hídricos utilizados, esse índice caiu para cerca de 5 m³, em média, segundo pesquisa do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), em 1997.

Cinco anos depois, em 2012, segundo a Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo, o volume havia caído ainda mais, para 1,26 m³ por tonelada de cana, ilustrando tendência na produção do agro: um caminhar para soluções sustentáveis no uso da água, com dividendos socioeconômicos e ambientais para o produtor e a sociedade.

* Vice-Presidente de Comunicação do Conselho Científico Agro Sustentável (CCAS), Professor do Núcleo de Estudos do Agronegócio da ESPM.


  (1)     Embrapa/SC, Projeto Gestão da Água na Suinocultura Catarinense, consulta em 21/03/17, em suinoculturaindustrial.com.br/imprensa/embrapa-propoe-reducao-de-50-do-consumo-de-agua-na-suinocultura/20160425-085212-B263

(2)     Embrapa.br/informatica-agropecuaria/busca-de-noticias/-/noticia/2482285/estudo-mostra-como-usinas-de-cana-podem-reduzir-consumo-de-agua

 

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