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Mobilização dos cafeicultores brasileiros contra importação foi possível através das novas tecnologias

Descobriram que podem usar a mesma ferramenta para defender seus interesses e expor suas idéias.

 

postado em 24/02/2017 | Há 4 meses

24/02/2017 18:06

Na última terça-feira, dia 21, em Brasília, deputados capixabas e mineiros “invadiram” o gabinete de Antonio Imbassahy, secretário de Governo, para barrar a importação de café verde pelo Brasil. O secretário prometeu aos deputados recomendar ao Presidente Michel Temer a suspensão do processo.

No dia seguinte, 22, a Frente Parlamentar do Café, presidida pelo deputado Carlos Melles, distribuiu Nota Oficial informando que o Presidente Michel Temer, após reunir-se com os ministros Antônio Imbassahy da secretaria de Governo e Marcos Pereira do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio, decidiu suspender a medida que autorizava a importação de café verde pelo Brasil.

Ontem, dia 23, a agência Estado informou que: “no Ministério da Agricultura a avaliação é de que não há nada mais a fazer sobre a proposta, derrotada politicamente por parlamentares ligados ao setor cafeeiro. A pressão política de quase 200 deputados, senadores e governadores ligados aos setores rural e cafeeiro deu resultado e o governo praticamente sepultou nesta quarta-feira, dia 22, a proposta de importação de café conilon”. Em nossa opinião, os cafeicultores e suas lideranças deveriam permanecer atentos e mobilizados.

A forte mobilização dos cafeicultores brasileiros foi possível através das novas tecnologias de comunicação. Usaram a comunicação em rede e reuniram rapidamente milhares de técnicos e produtores de café das principais regiões produtoras do País em grupos no “WhatsApp”. Trocavam opiniões, idéias e organizavam protestos com uma rapidez incrível, pressionando lideranças tradicionais e impulsionando novas como o deputado capixaba Evair de Melo, que se mostrou o maior porta voz do movimento.

Cafeicultores e agrônomos brasileiros já vinham utilizando intensamente a comunicação em rede para troca de conhecimento e experiências na produção, colheita e benefício de café. Descobriram que podem usar a mesma ferramenta para defender seus interesses e expor suas idéias.

Agora poderão utilizar o mesmo processo para desenharem uma nova política para o café brasileiro, levando suas posições e ideias para as lideranças debaterem com os demais segmentos da cadeia produtiva do café.

Como já lembramos em nosso último Boletim Semanal, 2018 será ano de safra cheia e hora de começar a refazer o estoque governamental de café para ser usado em anos de escassez ou quebra na produção brasileira.

Os contratos de café na ICE Futures US oscilaram pouco no decorrer desta semana. Hoje, uma alta de quase dois por cento na cotação do dólar frente ao real, derrubou com força as cotações. O mercado físico brasileiro permaneceu calmo, com volume pequeno de negócios realizados. As cotações em Nova Iorque não refletem o delicado equilíbrio entre produção e consumo mundial.

Até dia 24, os embarques de fevereiro estavam em 1.696.988 sacas de café arábica, 8.380 sacas de café conilon, mais 143.775 sacas de café solúvel, totalizando 1.849.143 sacas embarcadas, contra 1.401,356 sacas no mesmo dia de janeiro. Até o mesmo dia 24, os pedidos de emissão de certificados de origem para embarque em fevereiro totalizavam 2.521.326 sacas, contra 1.962.992 sacas no mesmo dia do mês anterior.

A bolsa de Nova Iorque – ICE, do fechamento do dia 17, sexta-feira, até o fechamento de hoje, sexta-feira, dia 24, caiu nos contratos para entrega em maio próximo 330 pontos ou US$ 4,36 (R$ 13,57) por saca. Em reais, as cotações para entrega em maio próximo na ICE fecharam no dia 17 a R$ 611,67 por saca, e hoje dia 24, a R$ 601,66 por saca. Hoje, sexta-feira, nos contratos para entrega em maio a bolsa de Nova Iorque fechou com baixa de 370 pontos.

Fonte: Escritório Carvalhaes

 

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