Comércio

Conselheiros de Trump estão receosos com onda de fusões no agronegócio global

O receio, tanto de funcionários do governo quanto de agricultores, é de que essas consolidações reduzam o poder de barganha dos produtores.

 

postado em 09/01/2017 | Há 7 meses

Nova York, 9/1 - Conselheiros do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, estão se posicionando contra a onda de fusões no setor de grãos e pesticidas. O receio, tanto de funcionários do governo quanto de agricultores, é de que essas consolidações reduzam o poder de barganha dos produtores.

Membros do comitê agrícola formado no ano passado para aconselhar Trump durante a campanha estão pedindo análises mais minuciosas dos negócios pendentes. As fusões remodelariam o mercado em um momento que os agricultores estão com margens reduzidas diante do recuo nos preços das commodities.

"Competição é saudável e acho que ela impulsiona a inovação", disse Sid Miller, um fazendeiro que foi nomeado para o comitê de consultoria agrícola de Trump em agosto e que é comissário de agricultura do Texas. "Eu gostaria de ver mais competição na indústria agrícola, não menos", ponderou.

O comitê, entretanto, não tomou uma posição formal contra as negociações. Muitos dos membros, inclusive, não são contra as fusões. Enquanto isso, Miller e outros disseram que não levaram suas preocupações diretamente ao presidente dos EUA. A equipe de Trump não respondeu à solicitação de entrevista da Dow Jones Newswires para comentar o assunto.

Nos últimos 13 meses, uma onda de negociações passou pelo setor agrícola global. A Dow Chemical anunciou a fusão com a DuPont. A ChemChina, estatal chinesa, aportou US$ 43 bilhões em um acordo para comprar a Syngenta, fornecedora suíça de cerca de 10% das sementes de soja nos Estados Unidos e 20% dos pesticidas do mundo. Além disso, em setembro, a alemã Bayer concordou em comprar a Monsanto, a maior empresa de sementes do mundo em vendas.

Autoridades antitruste nos EUA, Europa, Brasil e outros países estão revisando os acordos. Alguns grupos de fazendeiros estão fazendo pressão contra a concentração de produção e controle de preços nas mãos de poucos. Na contramão, as empresas têm alegado que as fusões vão reduzir os custos operacionais, ajudar a melhorar a qualidade dos suprimentos agrícolas disponíveis e acelerar a inovação do setor. Fonte: Dow Jones Newswires.

Fonte: Q10/Estadão Conteúdo

 

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