Produção

Chuva inunda as pastagens, mas beneficia lavouras de café no ES

Produtores rurais do Espírito Santo enfrentaram ano com pouca chuva.
Mas para alguns produtores, a volta da chuva é sinônimo de preocupação.

 

postado em 27/12/2016 | Há 9 meses

GLOBO RURAL / Mônica Camolesi Rio Novo do Sul, ES

Edição do dia 25/12/2016

Agricultores do Espírito Santo enfrentaram um ano de pouca chuva. A situação começou a mudar nos dois últimos meses e, para muitos, a volta da chuva é um alívio, mas para outros, é sinônimo de preocupação.

Em vez de pasto, hoje o produtor só vê água; é assim que está parte do sul do Espírito Santo depois das fortes chuvas. O Vale do Orobó mais parece um pantanal.

Por dia, o criador José Mário de Freitas, tirava 150 litros de leite. Depois da chuva caiu para 90 litros e a tendência é diminuir ainda mais com a falta de pastagem. “Se a água não descer rápido talvez não dê tanto prejuízo, mas se demorar mais, vai dar prejuízo”, lamenta José.

As chuvas também causaram estragos nas estradas das áreas rurais, uma delas, por exemplo, ainda está debaixo d’água, algumas ficaram bloqueadas sem conseguir escoar a produção. O que já gerou uma queda de 30% na produção geral de leite do estado.
 
Em Itapemirim, o criador Pedro Santos teve que abandonar a casa e a produção de leite. No pasto só dá para ver uma parte do coxo, plantações de cana-de-açúcar também ficaram no meio da água. Ele perdeu 80% da produção, um prejuízo de R$ 70 mil. “Plantamos a cana no tempo certo. Teve 80 dias de sol e perdemos a cana. Plantamos milho e perdemos com a água”.

Já no noroeste do estado, a chuva é um alívio para quem enfrentou um longo período de estiagem. Depois de dois anos em que predominou o tempo seco, a chuva voltou com força em São Gabriel da Palha

De acordo com Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Tcnica e Extensão Rural, o Incaper, em pouco mais de um mês, choveu 300 milímetros; a metade de todo o volume registrado no ano passado inteiro, e o resultado logo apareceu. A lavoura do produtor Romário Medeiros está bem diferente. Na área de dois hectares, ele colheu apenas seis sacas neste ano. O clima mudou e aumentou a expectativa.

“No ano passado, nessa época, o sol estava pegando e a gente saía cedo para ir para a roça desanimado. Esse ano já melhorou bastante”, fala Romário.

Esse é o período que os produtores chamam de granação. O fruto que está cheio de água vai se transformar no grão de café, mas para que isso aconteça, o clima tem que continuar ajudando.

“Nossa expectativa é que tenhamos chuva até o mês de março. As previsões são essas e aí a gente acredita que isso vá ocorrer”, afirma João Luís Perini, engenheiro agrônomo do Incaper.

Para muitos produtores, a volta da chuva é sinônimo de recomeço. Por causa da seca, o produtor Jackson Lourenzoni perdeu uma lavoura de 930 pés de café. Agora ele está plantando de novo, mas uma quantidade menor. Serão só 700 plantas.

“A gente fica apreensivo, sem saber se a seca vai acabar agora ou se daqui a alguns anos, ela vai voltar. Então prefiro ter água sobrando, uma lavoura em menor quantidade, mas bonita, do que ter uma lavoura plantada, muitas árvores e acabar não tendo água para molhar tudo”.

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