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PALHA DE CAFÉ DEVE SER APLICADA, NÃO AMONTOADA Por José Braz Matiello

Nas propriedades cafeeiras a palha de café é o principal adubo orgânico produzido, sendo o mais econômico para retornar à lavoura, como fonte nutricional, com liberação lenta de nutrientes e, ainda, melhorando física e biologicamente o solo.

 

postado em 15/12/2016 | Há 4 meses

PALHA DE CAFÉ DEVE SER APLICADA, NÃO AMONTOADA Por José Braz Matiello

J.B. Matiello – Eng Agr Fundação Procafé e Hugo Siqueira- Eng Agr FAERJ/SENAR-RJ

Palha de café amontoada, seja próximo à instalação de beneficiamento, seja junto a carreadores na lavoura, é uma forma errada de manejo dessa importante fonte de adubação para os cafezais. Ela, o quanto antes possível, deve ser aplicada, junto aos cafeeiros, para ser bem aproveitada.

Nas propriedades cafeeiras a palha de café é o principal adubo orgânico produzido, sendo o mais econômico para retornar à lavoura, como fonte nutricional, com liberação lenta de nutrientes e, ainda, melhorando física e biologicamente o solo. Já dentro da propriedade, ela não exige gastos maiores com transporte. Sua quantidade é relativamente elevada, correspondendo ao mesmo peso do café (grãos) produzido. Cada 100 sacas de café comercializadas, deixam na propriedade cerca de 6000 kg de palha.

A palha de café comum, de frutos em coco secos, a mais produzida, contem cerca de 1,5 % de N, 0,15% de P e 3,0 % de K, alem de cálcio, magnésio, enxofre e micro-nutrientes. Seu retorno pra lavoura representa cerca de 35 % dos nutrientes retirados pela produção, com economia na adubação química suplementar e com a vantagem, conforme já dito, da liberação lenta dos nutrientes.

O melhor manejo da palha é aquele onde, assim que o café vai sendo beneficiado, a palha vai para a lavoura e lá é distribuída, rapidamente, junto aos cafeeiros. Quando isso não for possível, o monte de palha deve ser protegido, com algum tipo de cobertura, para não tomar chuva, pois a água lava e retira boa parte do potássio existente na palha. Quando molhada, também ela começa a fermentar e pode atingir elevadas temperaturas, podendo, até, pegar fogo. Da mesma forma, quando vai para o campo, sendo depositada, em montes, junto aos carreadores, ela deve ser imediatamente distribuída, pois ali, também, pode perder os nutrientes, e o chorume dela saído, um líquido de cor escura, chega a matar plantas de café que ficam próximas aos montes.

Na lavoura a palha deve ser aplicada em cobertura, não precisando de enterrio, como muitos pensam. Sobre o solo ela vai sendo decomposta lentamente, servindo como fonte nutricional, e ,ainda, como cobertura morta, preservando umidade no solo. A dose empregada vai depender da disponibilidade de palha e da necessidade do solo, conforme análise. A regra ideal é usar menores doses em mais áreas, pela vantagem do seu efeito orgânico e provedor de nutrientes letamente disponíveis. O uso da palha deve, sempre, considerar o equilíbrio entre o potássio e cálcio e magnésio no solo, visto que essa matéria orgânica possui alto teor de K.

Durante a formação do cafezal e na fase de produção, a palha de café deve ser distribuída na linha, mais debaixo da saia do cafeeiro, em camadas finas, sem formar montes, nos quais poderiam se desenvolver larvas de moscas, prejudiciais a animais bovinos. Nas áreas montanhosas, colocar na parte superior do declive. Para as áreas mecanizadas, existem carretas distribuidoras de palhas, que facilitam todo o trabalho, antes considerado difícil.

A aplicação deve ser feita, de preferência, após a colheita e antes da esparramação. A quantidade de nutrientes aplicada através da adubação orgânica deve ser descontada da adubação química. No quadro aqui incluído pode-se ver a vantagem produtiva adicional da lavoura em experimento quando com doses crescentes de palha de café, de 2,5 até 20 t/ha, sendo que o aumento foi vantajoso até 5-10 t/ha.

 

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