Mais Café

Deputado Evair Melo repudia a importação de café robusta do Vietnã

Repudia-se, qualquer tentativa de liberar a importação de café de forma injustificada.

 

postado em 14/12/2016 | Há 1 mese

Deputado Evair Melo repudia a importação de café robusta do Vietnã
O Deputado Federal Evair Vieira de Melo (PV/ES) repudia, drasticamente, a matéria veiculada pelo Jornal Valor Econômico nesta quarta-feira (14), sobre a decisão do Governo de liberar a importação de café robusta do Vietnã por indústrias brasileiras de café torrado e moído e de solúvel.

Repudia-se, qualquer tentativa de liberar a importação de café de forma injustificada. Uma decisão como esta pode impactar de forma negativa na renda de cerca de 300 mil produtores, que estão distribuídos em 1.468 municípios e são responsáveis pela geração de 8,4 milhões de empregos e de quase US$ 7 bilhões de divisas ao País.

Os números e os argumentos apresentados para justificar a importação, neste momento, não se sustentam. Está clara a estratégia de se desmontar um
sólido setor que construiu a história do Brasil.  Além das questões econômicas, submeter a cafeicultura brasileira a regras abertas de mercado chega a pairar a insanidade.

O Lucro fácil às custas de quem produz não pode continuar sendo uma máxima no setor rural brasileiro. Vejamos o caso da importação do leite, depois que escancaramos as nossas fronteiras para o mercado externo, não tivemos mais controle e o produtor de leite só teve prejuízo, desgaste e crise.

Existem centenas de outras medidas que podem ser tomadas para mitigar os argumentos da indústria. Simplificar a solução do problema à liberação de importação é, além de um desrespeito ao povo brasileiro, é negligencia e recusa de se construir um sólido planejamento para cafeicultura nacional.
É uma mentira o argumento de que no Brasil não se encontram matérias-primas com características sensoriais necessárias à composição dos blends demandados pelos consumidores internacionais.

O Brasil é o maior produtor de cafés e a maior fonte mundial de cafés sustentáveis. A variedade de climas, relevos, altitudes e latitudes do país permite a produção de uma ampla gama de tipos e qualidades de cafés, que são cultivados em cerca de 2 milhões de hectares.

Caso um diagnóstico de campo realmente comprove a necessidade de complementação das características sensoriais dos cafés produzidos no Brasil, o setor possui plena condição de investir em pesquisa e desenvolvimento para suprir essa necessidade. Afinal de contas, a pesquisa cafeeira do País é referência mundial para a geração de tecnologias para o setor. A importação deveria ser o último recurso, em caráter temporário e excepcionalíssimo.

Não podemos ser enganados com a ideia de que haverá controle sobre os produtos importados, em regime de drawback. Como isso seria possível, sem ferir a legislação internacional? Como teremos garantias de que as indústrias cumprirão qualquer acordo? como teremos garantia de que a possibilidade de importar não será usada para inibir movimentos de valorização dos preços da saca de café, tão necessários à recomposição de prejuízos dos produtores rurais em  momentos de dificuldades climáticas?
Nós reconhecemos que a seca que assolou o nosso Estado Capixaba reduziu a oferta, contudo, considerando os levantamentos recentes, podemos afirmar que existe produção suficiente para atender a demanda da indústria.
Não podemos permitir que um momento difícil para os produtores, seja utilizado como justificativa para destruir nossa solida cafeicultura brasileira.
 

Veja tambÉm: