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LONDRES FIRME APOSTANDO EM IMPORTAÇÕES BRASILEIRAS Por Rodrigo Costa*

As moedas e bolsas de ações dos mercados emergentes sofrem desvalorizações com a realocação de recursos que investidores têm feito após a eleição de Donald Trump.

 

postado em 20/11/2016 | Há 7 meses

MERCADO DE CAFÉ – COMENTÁRIO SEMANAL – DE 14 A 18 DE NOVEMBRO DE 2016*

O índice do dólar manteve a trajetória de alta negociando em níveis que não se viam desde 7 de abril de 2003 com os mercados apostando que os Estados Unidos aumentarão os juros na reunião de dezembro do FED.

As moedas e bolsas de ações dos mercados emergentes sofrem desvalorizações com a realocação de recursos que investidores têm feito após a eleição de Donald Trump. No Brasil o Banco Central tem atuado para impedir uma desvalorização mais acentuada e descontrolada do Real.

Os três principais índices de commodities tiveram uma leve alta ajudada pela valorização das matérias-primas energéticas e dos grãos que compensaram as perdas do açúcar, metais (preciosos e industriais) e do café.

O café em Nova Iorque não conseguiu recuperar e caiu US$ 3.35 centavos por libra durante a semana dominada pela rolagem das posições, dado o primeiro dia de notificação do contrato de Dezembro de 2016 que começa na segunda-feira dia 21 de novembro. A fraqueza do spread na sexta-feira contribuiu para um tom negativo no curto-prazo, muito embora o gráfico de médio e longo-prazo ainda estejam tecnicamente positivo.

Londres subiu US$ 53 por tonelada no período empurrado pela inversão do spread de Jan17/Mar17 cujo prêmio bateu em US$ 37 por tonelada, um pouco mais de uma semana depois de negociar a US$ 11 de desconto. Rumores sobre a liberação de eventuais importações de café para o Brasil parecem ter sido a causa principal do firmamento do contrato de janeiro do robusta.

A ABIC em uma carta divulgada na última quinta-feira sugeriu algumas medidas para aliviar o aperto do mercado doméstico brasileiro após a quebra da safra do conilon este ano. A entidade sugere a autorização de importar cafés conilons brasileiros estocados em volumes significativos e visíveis nos armazéns certificados da bolsa, assim como o leilão do saldo dos estoques oficiais do governo e adicionais importações de 150 mil sacas por mês de robusta de outras origens durante o período de Dezembro de 2016 a Abril de 2017.

Pelo histórico brasileiro parece bem improvável que a importação seja aceita pelo governo, não só por pressões eventuais, mas também pela demora de aprovar regras e medidas fitossanitárias que muitos dizem ser o maior problema. Claramente para o mercado mundial em nada afeta o quadro de oferta e demanda, entretanto internamente pode causar uma momentânea queda das cotações locais ao mesmo tempo em que promove um terminal mais forte caso desapareçam os certificados da bolsa londrina (ou seja, baratear os diferenciais do conilon).

No arábica as origens que colhem seus cafés lavados estão aumentando os fluxos de negócios, mesmo com o contrato “C” estar distante em US$ 17.45 centavos da máxima recente. Já os naturais brasileiros só devem voltar a ser oferecidos com mais volume caso os preços voltem a subir, não apenas em função do produtor já ter comercializado um percentual grande da safra corrente, mas também dada a proximidade do fim do ano, que pode fazer os detentores de café protelar as vendas para evitar pagar mais imposto.

As exportações no Vietnã acumulam um total de 25.33 milhões de sacas embarcadas dentre janeiro e outubro, volume 39.8% superior ao mesmo período de 2015. Graças à produção menor do conilon brasileiro a “retenção” natural naquele país proporcionou preços melhores aos produtores e intermediários. O ritmo de embarques deve acelerar a partir de dezembro em função do atraso da entrada da safra nova.

Os estoques europeus em setembro, divulgados pela European Coffee Federation, somavam 11,796,317 sacas, 149,850 mil sacas a menos do que em agosto. Nos Estados Unidos a Green Coffee Association disse que em outubro os estoques estavam em 6,207,005 sacas, 7,982 sacas a mais do que em setembro.

O commitment of traders não deu a transparência necessária para os agentes terem mais segurança em apontar o posicionamento dos comerciais, pois com a troca de AAs e redução dos spreads inflam os volumes e negociações antes do começo da entrega. Os fundos reduziram suas posições long (comprada) em 7,407 lotes e só devem desmontar mais as apostas de alta caso o contrato de Março de 2017 rompa 156.50 na curta semana que se inicia.

Quinta-feira, dia 24 de novembro, é o Dia de Ação de Graças por aqui, o feriado mais festejado depois do Independence Day. Nos tempos do mercado de viva-voz a bolsa fechava na sexta-feira nos dando um fim de semana de quatro dias, mas como hoje as negociações são apenas eletrônicas os computadores não param.

Uma ótima semana e bons negócios a todos,

*Rodrigo Corrêa da Costa escreve este relatório sobre café semanalmente como colaborador da Archer Consulting
 

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