Comércio

Conab vai leiloar mais café em 2017

As novas operações, que devem começar a partir de janeiro de 2017, serão voltadas exclusivamente às indústrias de cafés torrado e moído.

 

postado em 14/11/2016 | Há 1 ano

11 nov 2016 - Após vender 736 mil sacas de café dos estoques públicos desde julho deste ano para tentar amenizar a escassez de oferta no mercado doméstico, o governo decidiu que fará novos leilões para comercializar todo o estoque restante de 725 mil sacas do grão mantidos nos armazéns da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). As novas operações, que devem começar a partir de janeiro de 2017, serão voltadas exclusivamente às indústrias de cafés torrado e moído.

Os leilões atendem a um pedido da indústria, que está preocupada com o abastecimento no mercado interno e com os elevados preços do café conilon no país em virtude da quebra da produção da espécie no Espírito Santo nas duas últimas safras. As cotações domésticas do produto atingiram níveis recordes recentemente, aproximando-se da casa dos R$ 550 por saca, conforme o indicador Cepea/Esalq.

Diante dessa escassez de oferta, a indústria de café solúvel, que se abastece principalmente de conilon, já encabeça um movimento em defesa da importação do grão verde, tema polêmico no setor.

O diretor do Departamento de Café, Açúcar e Agroenergia do Ministério da Agricultura, Sílvio Farnese, afirmou que, em decorrência da percepção de que o mercado de café está "curto", com dificuldade inclusive de originar novos grãos, o governo pode até antecipar os próximos leilões ainda para este ano, entre novembro e dezembro, a depender da demanda do mercado.

Segundo ele, o Conselho Interministerial de Estoques Públicos de Alimentos (Ciep) já está com uma minuta de portaria pronta e aprovada em caráter técnico pelo Ministério da Fazenda e pela Casa Civil para autorizar os leilões no máximo dentro de duas semanas. "A ideia é vendermos todos os nossos estoques até março do ano que vem, no mais tardar até início de abril, para devolver ao mercado esse café antes da colheita do grão começar no Brasil", disse Farnese.

Antes de iniciar a nova leva de leilões, a Conab ainda fará, no próximo dia 18, os dois últimos leilões para ofertar 91,7 mil sacas restantes de um total de 827 mil que ofertadas neste semestre.

Em julho deste ano, quando anunciou que faria leilões de café de seus estoques, o governo previu uma oferta inicial até o fim deste ano de 693 mil sacas, já considerando a possibilidade de ofertar outras 679,4 mil sacas do grão em 2017.

Além das indústrias, os produtores de café – que querem evitar a importação do grão – também estão defendendo os leilões adicionais do grão, juntamente com outras propostas emergenciais para amenizar a escassez de oferta. Na quarta-feira, o presidente do Conselho Nacional do Café (CNC), o deputado Silas Brasileiro (PMDB-MG), e parlamentares da bancada capixaba no Congresso, entregaram ao ministro Blairo Maggi um documento com três propostas que incluem, além dos leilões adicionais, um levantamento mais detalhado do volume real de estoques privados de café no país e a possível "repatriação" de café brasileiro que já foi exportado a vários países, mais ainda não foi escoado.

Segundo Brasileiro, cerca de 1,8 milhão de sacas de café brasileiro já vendidas ao exterior estão em armazéns de grandes tradings em portos americanos e europeus. O presidente do CNC disse que a proposta, inédita no Brasil, poderia ser acionada em caso de grande desabastecimento interno, e consistiria em "recuperar" café nacional, que seria comprado pelas indústrias brasileiras. "Essa seria outra forma que podemos usar temporariamente para afastar a necessidade de importação de café em grãos pelo Brasil", disse ao Valor.

Ele explicou que a "repatriação" seria feita mediante autorização do Ministério da Agricultura brasileiro e dependeria da emissão de certificado fitossanitário pelos portos onde se encontram esses estoques. Acrescentou que os detalhes operacionais estão sendo articulados pelo governo brasileiro. (Colaborou Alda do Amaral Rocha, de São Paulo)

Por Cristiano Zaia | De Brasília

Fonte : Valor

 

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